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Flávio Bolsonaro aposta em repressão e Lula, em prevenção: os planos para segurança

Programas de governo dos candidatos à Presidência preveem medidas para combater facções, reforçar o sistema prisional e enfrentar a violência urbana; confira

Eleições 2026: Candidatos começam a divulgar suas propostas no TSE (Getty Images)

Eleições 2026: Candidatos começam a divulgar suas propostas no TSE (Getty Images)

Letícia Cassiano
Letícia Cassiano

Colaboradora

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 08h07.

Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 11h56.

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O tema da segurança monopolizou o debate público desde o começo do ano eleitoral, impulsionado tanto pela percepção de insegurança nas grandes cidades quanto pela atuação cada vez mais estruturada de facções criminosas em diferentes regiões do país. Em meio à disputa pela Presidência, o combate ao crime organizado, a atuação das forças de segurança, o sistema prisional e a violência contra as mulheres passaram a ocupar espaço central nos programas dos candidatos.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o Brasil atingiu dois anos antes do prazo, em 2025, a meta nacional de redução de homicídios. No entanto, os dados sobre Mortes Violentas Intencionais revelam brechas provocadas pela violência das forças de segurança, pela atividade do crime organizado e pelo aumento da violência contra a mulher.

Este é o cenário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais concorrentes à Presidência da República em 2026, irão enfrentar nas eleições. Enquanto Flávio volta seu plano para uma repressão ostensiva ao crime organizado, com mais presídios, vigilância e atuação das forças militares, Lula optou por focar em ações preventivas e refino dos processos de investigação.

Confira os planos dos dois candidatos ponto a ponto:

Plano de segurança de Flávio Bolsonaro

O conjunto de propostas para segurança pública, denominado Brasil sem Medo, presente no plano de governo de Flávio Bolsonaro, visa combater a criminalidade em duas frentes: crimes urbanos e crime organizado.

Narcoterrorismo e crime organizado

O primeiro ponto do documento aborda o que ele chama de “guerra ao crime organizado”. A ideia é classificar facções como PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas. Para enfrentá-las, o candidato planeja atuar em duas frentes, por meio da asfixia financeira e da atuação física das forças de segurança.

Pretende-se também fazer consórcios e convênios com estados e municípios para investir em inteligência, tecnologia, armamentos de última geração e na valorização policial. Além disso, o projeto prevê retomar as áreas atualmente sob o domínio de facções criminosas.

Outra proposta de Flávio Bolsonaro é atuar nas fronteiras com a criação do Sistema Nacional de Fronteira, acionando uma tropa de elite do Exército, da Marinha e da Força Aérea. Esse sistema será responsável por interceptar fuzis e drogas que abastecem as facções, atuando para desorganizar e asfixiar o crime física e financeiramente.

O plano prevê usar tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica para ocupar e monitorar de forma permanente portos e aeroportos, potenciais corredores de entrada e saída de cocaína.

“Treva” e diminuição da maioridade penal

Sobre os presídios, o plano projeta criar 5 novos presídios federais de segurança máxima chamados de complexo "TREVA", com o objetivo de tirar de circulação e isolar chefes de quadrilha. Em parceria com os governos estaduais, a meta é criar meio milhão de vagas no sistema prisional e zerar o déficit carcerário.

Um ponto do programa é a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Adicionalmente, busca-se punir maiores de 14 anos que praticarem crimes graves, como estupro, tráfico, tortura e assassinato.

Ainda no âmbito do sistema penitenciário, o herdeiro de Jair Bolsonaro propõe redirecionar o auxílio destinado às famílias de pessoas privadas de liberdade, às famílias das vítimas de crimes.

Outra mudança que o candidato quer implementar é acabar com a progressão de regime de condenados por crimes hediondos, usando “força política”, e forçando o cumprimento integral da pena na prisão.

Crimes urbanos, violência doméstica e vigilância

O projeto também aborda a violência contra mulheres e crianças. No enfrentamento da violência sexual, o candidato planeja aprovar e implementar a castração química para esses criminosos.

Contra o feminicídio, pretende-se monitorar agressores de mulheres sob medida protetiva com tornozeleiras eletrônicas, além de endurecer a lei e obrigar os criminosos a cumprir integralmente as penas em regime fechado.

Uma das metas do plano de governo do candidato do PL é dobrar os investimentos federais em segurança pública ao longo do mandato.

Inspirado na Muralha Paulista, criada durante a gestão de Tarcísio de Freitas à frente do Executivo de São Paulo, Flávio propõe a criação da Muralha Brasileira, um sistema de reconhecimento facial nacional integrado a bancos de dados criminais. Segundo o documento, essa iniciativa visa vigiar portos, aeroportos e áreas públicas com mais de 1 milhão de novas câmeras.

Por fim, o programa propõe medidas mais duras contra acusados de roubo, furto e comércio de celulares roubados. Segundo o plano, o criminoso flagrado roubando ficará preso, enquanto aquele que furta ou revende terá a pena inicial quadruplicada e perderá o direito a benefícios penais, medidas que precisarão de aprovação no Congresso.

Plano de segurança de Lula

O plano de governo de Lula estabelece que a segurança pública é uma prioridade nacional fundamentada em inteligência, prevenção e cooperação federativa. As propostas do presidente incluem cidadania e assegurar a presença do Estado em locais mais vulneráveis ao crime.

Novo Ministério, crime organizado e investigações

O plano objetiva uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para revisar as atribuições de segurança dos entes da federação (União, estados, municípios e Distrito Federal), para aprofundar a cooperação entre eles e ampliar a atuação federal.

Uma vez aprovada a PEC, a meta é criar o Ministério da Segurança Pública para coordenar a execução de políticas nacionais integradas ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

O documento também define que facções e milícias devem ser combatidas com a estratégia de asfixia financeira, já adotada em operações contra as quadrilhas. Outro objetivo é agilizar os ritos jurídicos para punição e adotar medidas para barrar candidaturas eleitorais de indivíduos associados ao crime organizado.

Outra proposta é o fortalecimento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Segundo o plano, o governo pretende avançar no combate ao tráfico de armas e munições, qualificar investigações de homicídios e retomar territórios dominados pela criminalidade.

Para dar suporte a essas ações, o plano prevê destinar R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para estados e municípios.

Para consolidar a segurança de forma integrada, a proposta estabelece a prioridade de investimentos contínuos na urbanização de favelas e periferias, na requalificação de espaços públicos e na ampliação de serviços essenciais. O intuito é estimular atividades econômicas lícitas nos territórios explorados pelo crime.

Para qualificar as investigações, outro tópico do plano é desenvolver o Sistema de Inteligência de Segurança Pública e Justiça Criminal, modernizar sistemas como o SINESP e a Infoseg, e ampliar a atuação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).

Em outra frente de atuação, Lula se compromete a manter a política de controle do acesso a armamentos, aprimorando ferramentas de rastreabilidade e reforçar a fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre empresas de segurança privada e registros de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs).

Sistema prisional e Amazônia Legal

No âmbito prisional, o plano visa cumprir as metas do Plano Pena Justa e instituir o Pacto Nacional de Execução Penal para o Enfrentamento ao Crime Organizado.

Nesta proposta entram: apoiar estados a implementar padrões de gestão, fortalecer o sistema penitenciário federal para ampliar o isolamento de chefes de quadrilhas e implantar um protocolo nacional de classificação e transferência de presos altamente perigosos.

Outro alvo do plano de governo é a Amazônia Legal. O Documento propõe fortalecer o monitoramento e a segurança ambiental e territorial mantendo as Forças Armadas nas fronteiras terrestres e fluviais, dar continuidade aos investimentos tecnológicos, e integrar a detecção de desmatamento às ações policiais, além de incorporar o controle de rotas fluviais ao sistema de segurança.

Crimes urbanos e violência doméstica

Criado no mandato atual, o Programa Celular Seguro deve ser expandido, se o presidente for reeleito, intensificando a repressão às redes de receptação de aparelhos roubados.

No âmbito digital, uma das propostas é reforçar as ações de inteligência e repressão a crimes financeiros e cibernéticos, com prioridade ao combate à exploração sexual infantil, racismo, crimes de ódio e violência contra mulheres e minorias.

Além disso, o programa tem uma face preventiva, com o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a juventude negra. Entre elas estão a expansão de programas de mediação comunitária e justiça restaurativa, e ampliar a presença do Estado em áreas vulneráveis.

Dentro das propostas para combater crimes e violência urbana, o programa prevê a qualificação e valorização dos profissionais de segurança pública. Entre essas medidas está a criação de programas para aproximar os policiais das comunidades.

O estímulo ao uso de câmeras corporais também deve ser ampliado, sob padrões nacionais de gestão de imagens, e a atividade policial passará a ser controlada por mecanismos internos e externos.

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