Leucemia: estudo revelou um mecanismo inesperado ligado à resposta celular ao tratamento (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 25 de setembro de 2026 às 16h22.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 16h37.
Um medicamento contra leucemia usado há mais de 70 anos ainda guarda mecanismos que a ciência não compreendia completamente. Pesquisadores descobriram que uma proteína chamada NUDT5 interfere na maneira como as células respondem à 6-tioguanina (6-TG), tratamento utilizado há décadas contra a doença.
De acordo com o estudo, publicado na revista científica Nature Communications, o resultado surpreendeu uma vez que bloquear a atividade da proteína praticamente não alterou a resposta ao medicamento. Quando os cientistas removeram a NUDT5 por completo das células, porém, elas ficaram mais resistentes aos efeitos tóxicos da 6-TG.
A 6-tioguanina é utilizada há mais de sete décadas no tratamento da leucemia. Embora seus efeitos nos pacientes sejam conhecidos, pesquisadores ainda investigam os mecanismos moleculares que influenciam a resposta das células ao medicamento.
A nova pesquisa concentrou-se na NUDT5, uma proteína que já havia revelado uma característica incomum. Um estudo anterior, publicado na revista Science em 2025, mostrou que ela não atua apenas como enzima. A proteína também exerce uma função independente de sua atividade catalítica e pode funcionar como uma espécie de andaime molecular, envolvido na organização do metabolismo celular.
Os pesquisadores decidiram então investigar se essa característica também interferia na resposta à 6-TG.
Medicamentos direcionados a enzimas costumam ser desenvolvidos para bloquear as reações químicas realizadas por elas. A equipe inicialmente esperava que inibir a atividade da NUDT5 modificasse os efeitos da 6-tioguanina. Não foi o que aconteceu.
O bloqueio da atividade enzimática teve pouco efeito sobre a resposta das células ao medicamento. A diferença apareceu quando os pesquisadores eliminaram a proteína por completo.
Para isso, a equipe utilizou uma estratégia conhecida como degradação direcionada de proteínas. Em vez de apenas impedir o funcionamento da NUDT5, a técnica faz com que a própria célula elimine a proteína.
Os pesquisadores desenvolveram moléculas capazes de promover essa degradação e compararam seus efeitos com os de inibidores convencionais. Quando a NUDT5 foi removida, as células ficaram mais resistentes à toxicidade da 6-TG. Experimentos genéticos chegaram à mesma conclusão.
A diferença entre bloquear e remover a proteína indicou que sua influência sobre o medicamento não depende apenas da atividade enzimática. Isso significa que a própria presença da NUDT5 dentro da célula desempenha uma função importante na resposta à 6-tioguanina.
A descoberta permitiu separar dois papéis da mesma proteína. Um está relacionado às reações químicas que ela catalisa. O outro depende de sua presença física e pode passar despercebido quando pesquisadores utilizam apenas inibidores tradicionais.
A equipe também encontrou uma relação com outra proteína, a NUDT15, já conhecida por influenciar a resposta dos pacientes às tiopurinas.
As duas, porém, apresentaram efeitos opostos nos experimentos. A perda da NUDT15 tornou as células mais sensíveis à 6-TG, enquanto a redução da NUDT5 aumentou a resistência. Os resultados sugerem que ambas participam da resposta às tiopurinas por mecanismos diferentes.
A descoberta não representa um novo tratamento contra a leucemia, mas abre caminho para investigar melhor por que a sensibilidade às tiopurinas pode variar.
Segundo os pesquisadores, compreender o papel da NUDT5 pode ajudar a esclarecer os mecanismos celulares envolvidos na resposta a medicamentos como a 6-tioguanina.