Câncer de mama: pesquisadores identificaram um mecanismo que favorece o crescimento de tumores agressivos (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h41.
O câncer de mama triplo-negativo, uma das formas mais agressivas da doença, pode manipular o próprio sistema imunológico para favorecer seu crescimento. Um estudo identificou que os tumores recrutam macrófagos — células de defesa responsáveis por combater infecções e reparar tecidos — para atrair nervos até o tumor. Essa rede nervosa pode contribuir para a progressão da doença e para a resistência aos tratamentos.
A pesquisa foi publicada na revista Cell Death & Differentiation e abre caminho para novas estratégias terapêuticas que, em vez de atacar diretamente as células tumorais, busquem interromper a comunicação entre o sistema imunológico e os nervos que sustentam o câncer.
Há anos os cientistas sabem que muitos tumores sólidos são atravessados por fibras nervosas. O que ainda não estava claro era como esses nervos chegavam até o interior do tumor.
Pesquisadores da Universidade de Oklahoma descobriram que, no câncer de mama triplo-negativo, os tumores recrutam macrófagos para liberar uma proteína chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF).
Essa molécula é conhecida por estimular o crescimento e a sobrevivência dos neurônios no sistema nervoso. No entanto, no ambiente tumoral, ela passa a funcionar como um sinal químico que atrai fibras nervosas para dentro do câncer.
Segundo os autores, esse processo pode criar condições favoráveis para o crescimento do tumor.
Para testar se essa comunicação poderia ser interrompida, os pesquisadores utilizaram, em camundongos, um medicamento capaz de bloquear a ação do BDNF. O tratamento impediu o crescimento de novas fibras nervosas nos tumores e reduziu significativamente o crescimento do câncer.
Segundo a equipe, os resultados indicam que bloquear essa via de sinalização pode se tornar uma estratégia complementar às terapias já utilizadas contra o câncer de mama.
Como o medicamento empregado no estudo já está disponível para outras aplicações, os pesquisadores consideram que esse caminho pode facilitar futuras investigações clínicas.
Além dos experimentos em animais, a equipe analisou dados de pessoas com câncer de mama triplo-negativo. Os pesquisadores observaram que tumores com maior quantidade de macrófagos e níveis mais elevados de BDNF estavam associados a uma menor sobrevida, sugerindo que o mesmo mecanismo identificado nos camundongos também pode ocorrer em pacientes.
No entanto, o estudo não demonstra uma relação direta de causa e efeito, sendo necessários novos trabalhos para confirmar esse papel em humanos. Os cientistas agora pretendem entender como essas fibras nervosas contribuem para a progressão do câncer.
Uma das hipóteses é que os nervos favoreçam a formação de novos vasos sanguíneos, aumentando o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao tumor. Outra possibilidade é que sirvam como uma rota para a disseminação das células cancerígenas para outras partes do organismo.
A equipe também planeja investigar se o mesmo mecanismo ocorre em outros tumores agressivos, como o câncer de ovário de alto grau.