Macaco: estudo mostra que sons preferidos por animais também agradam humanos (Pixabay)
Redatora
Publicado em 21 de março de 2026 às 21h15.
Humanos e outros animais, como rãs, aves e primatas, podem compartilhar preferências sonoras semelhantes. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science, que identificou padrões em comum na forma como diferentes espécies reagem a determinados sons.
A pesquisa sugere que esse “gosto musical” compartilhado pode ter origem em conexões evolutivas, indicando que a percepção estética não é exclusiva dos seres humanos.
O experimento foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Ao todo, foram analisados 110 pares de sons produzidos por 16 espécies diferentes.
Mais de 4 mil voluntários participaram do teste. Eles ouviram os sons e escolheram qual consideravam mais agradável.
Os cientistas já sabiam, previamente, qual som era preferido pelos próprios animais. A partir disso, compararam as escolhas humanas com as preferências das espécies.
Os resultados mostraram que humanos tendem a escolher os mesmos sons preferidos pelos animais em cerca de 54% das vezes. Quando a preferência dos animais por determinado áudio era mais forte, essa concordância aumentava.
Em alguns cenários, a coincidência chegou a quase 60%. Apesar de não ser uma correspondência total, os pesquisadores consideram a relação estatisticamente relevante.
O estudo também identificou padrões nos sons considerados mais atraentes. Vocalizações mais elaboradas, com variações e “ornamentos” sonoros, tendem a agradar tanto humanos quanto animais.
Em testes com rãs, por exemplo, versões mais complexas do canto — com elementos adicionais — foram preferidas em ambos os grupos.
Além disso, pequenas alterações artificiais nos sons, como torná-los mais graves, aumentaram a preferência geral.
Os pesquisadores apontam que essa similaridade pode estar ligada à evolução. A ideia é que certos padrões sonoros tenham sido valorizados ao longo do tempo por diferentes espécies.
A hipótese já havia sido sugerida por Charles Darwin no século XIX, ao indicar que alguns animais poderiam compartilhar percepções sobre o que é “agradável”.
Outro dado relevante é que pessoas que ouvem música com mais frequência tendem a ter maior concordância com as preferências dos animais.