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Além do espetáculo: o que cientistas buscam entender sobre o Sol durante o eclipse total hoje

Alinhamento entre Terra, Lua e Sol permite investigar a atmosfera solar e aprimorar modelos sobre o clima espacial

Eclipse solar: fenômeno permite observar a atmosfera do Sol e investigar sua atividade magnética (Getty Images/Getty Images)

Eclipse solar: fenômeno permite observar a atmosfera do Sol e investigar sua atividade magnética (Getty Images/Getty Images)

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 11h26.

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O eclipse solar total desta quarta-feira, 12, será muito mais do que um espetáculo astronômico. Para os cientistas, o fenômeno representa uma rara oportunidade de estudar regiões da atmosfera solar normalmente ocultas pelo intenso brilho da estrela e reunir informações que podem melhorar a compreensão sobre a atividade do Sol e seus impactos na Terra.

Durante cerca de um minuto e 40 segundos de totalidade, quando a Lua bloquear completamente o disco solar em parte da Europa, pesquisadores aproveitarão a escuridão momentânea para observar a atmosfera externa da estrela, seu campo magnético e os ventos solares.

Essas observações ajudam a entender como surgem as tempestades solares, capazes de interferir em satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação. Segundo a AFP, equipes de pesquisa de diferentes instituições prepararam experimentos específicos para aproveitar esse curto intervalo de observação.

Por que os eclipses são tão importantes para a ciência?

O principal obstáculo para estudar o Sol é o intenso brilho de sua superfície, conhecida como fotosfera. Essa luminosidade impede a observação direta das camadas mais externas da estrela.

Durante um eclipse solar total, porém, a Lua funciona como um bloqueador natural dessa luz, revelando estruturas normalmente invisíveis.

Segundo explicou à AFP o astrofísico Allan Sacha Brun, da Comissão Francesa de Energia Atômica (CEA), esse alinhamento é uma coincidência extraordinária da natureza. Embora a Lua seja cerca de 400 vezes menor que o Sol, ela também está aproximadamente 400 vezes mais próxima da Terra, fazendo com que ambos pareçam praticamente do mesmo tamanho no céu.

Essa coincidência permite observar diretamente a coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol — e também a cromosfera, situada entre a coroa e a superfície da estrela.

Como essas pesquisas ajudam a Terra?

O Sol libera continuamente partículas carregadas, campos magnéticos e grandes quantidades de plasma para o espaço. Em alguns períodos, essa atividade aumenta e produz tempestades solares.

Quando essas partículas atingem o campo magnético terrestre, podem afetar satélites, interromper sistemas de comunicação, provocar falhas em redes elétricas e aumentar os riscos para astronautas em missão. Em contrapartida, também dão origem às auroras boreal e austral.

Segundo Brun, compreender como essas tempestades surgem e evoluem é essencial para desenvolver modelos capazes de prever seus efeitos sobre a Terra.

Missões espaciais também vão aproveitar o eclipse

A Agência Espacial Europeia (ESA) acompanhará o eclipse para comparar as observações feitas da Terra com dados obtidos por suas missões espaciais.

Uma delas é a Solar Orbiter, lançada em 2020 para estudar a atmosfera solar e os ventos emitidos pela estrela. Segundo a diretora de Ciência da ESA, Carole Mundell, compreender melhor a estrutura desses ventos pode tornar as previsões das tempestades solares mais precisas.

Outra missão da agência, a Proba-3, utiliza duas espaçonaves voando em formação para criar eclipses artificiais no espaço, bloqueando continuamente a luz da fotosfera e permitindo observações prolongadas da coroa solar.

A ESA também desenvolve a missão MESOM, que pretende posicionar uma espaçonave na sombra da Lua para ampliar ainda mais o tempo de observação da atmosfera solar.

Eclipses já mudaram a história da ciência

A importância científica dos eclipses não é recente. Em 1919, durante um eclipse solar observado na ilha do Príncipe, na costa oeste da África, o astrônomo britânico Arthur Eddington mediu o desvio da luz das estrelas provocado pela gravidade do Sol.

O experimento confirmou uma das principais previsões da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein e entrou para a história da física.

Mais de um século depois, os eclipses continuam desempenhando um papel fundamental na astronomia. Embora satélites e sondas espaciais monitorem o Sol continuamente, o bloqueio natural proporcionado pela Lua ainda oferece condições únicas para observar regiões da estrela que permanecem ocultas em circunstâncias normais.

Para os pesquisadores, cada eclipse funciona como um laboratório natural para testar modelos sobre o funcionamento do Sol, aprimorar previsões do clima espacial e ampliar o conhecimento sobre a estrela que sustenta a vida na Terra.

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