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Inteligência artificial muda o jogo para recém-formados; veja como preparar o currículo (Magnific)
Jornalista
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 11h39.
Para quem está na universidade ou acaba de sair dela, a inteligência artificial acrescenta uma nova variável à transição entre formação e emprego. A tecnologia já aparece em atividades de diferentes áreas, de marketing e finanças a programação, atendimento e produção de conteúdo.
O desafio, portanto, não é apenas aprender a utilizar ferramentas de IA. É entender como a tecnologia transforma as tarefas da profissão escolhida e quais competências continuam dependendo de julgamento, conhecimento de contexto e capacidade de decisão.
A entrada no mercado de trabalho tradicionalmente combina diploma, experiências anteriores e conhecimentos específicos da área. Com a expansão da IA, surge uma quarta dimensão: a capacidade de trabalhar com ferramentas que podem automatizar ou acelerar parte das atividades.
Isso não significa que estudantes devam abandonar sua formação para buscar apenas conhecimentos técnicos. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030. Entre as competências que mais devem crescer estão IA e big data, alfabetização tecnológica, pensamento analítico e pensamento criativo.
Para um estudante de administração, por exemplo, conhecer IA pode significar saber analisar informações, automatizar tarefas de rotina e utilizar ferramentas generativas para apoiar pesquisas. Para alguém de comunicação, pode envolver produção, análise de dados e edição assistida por IA.
A lógica é semelhante em outras profissões: a ferramenta muda, mas o conhecimento da área continua relevante.
Uma das mudanças para quem busca o primeiro emprego é a necessidade de demonstrar como os conhecimentos adquiridos podem ser aplicados.
Nesse cenário, projetos acadêmicos, iniciação científica, estágios, trabalhos freelance e experiências com ferramentas digitais podem ajudar a construir evidências práticas das competências descritas no currículo.
Em vez de apenas informar que sabe utilizar inteligência artificial, o candidato pode apresentar uma experiência concreta, como a criação de um fluxo de análise de dados, a automatização de uma tarefa ou o desenvolvimento de um projeto acadêmico com ferramentas de IA.
Isso também ajuda o recrutador a diferenciar conhecimento declarado de aplicação prática.
A preparação para um mercado de trabalho com IA não depende exclusivamente de aprender programação. A demanda tende a combinar competências tecnológicas e humanas.
Entre as habilidades que podem ganhar espaço estão:
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também identificou demanda por competências relacionadas à comunicação, resolução de problemas, criatividade e trabalho em equipe em ocupações relacionadas à inteligência artificial.
Não é necessário esperar a formatura para começar a incorporar IA à formação profissional. Uma estratégia prática é observar as atividades mais comuns da profissão escolhida e identificar onde a tecnologia já está sendo utilizada.
Um estudante de direito pode pesquisar como ferramentas de IA são usadas em pesquisa e análise de documentos. Alguém de recursos humanos pode estudar aplicações em triagem e análise de informações. Já um profissional de marketing pode testar ferramentas para pesquisa, análise e produção de conteúdo.
O objetivo é construir repertório aplicado, e não apenas acumular certificados.
Também é importante aprender a verificar o resultado produzido pela IA. Modelos generativos podem apresentar informações incorretas ou criar respostas aparentemente convincentes sem base adequada. Por isso, saber formular uma solicitação é apenas uma parte do processo. Avaliar a resposta continua sendo responsabilidade humana.
Os dados disponíveis não indicam que a formação universitária esteja simplesmente sendo substituída pela inteligência artificial. O que está mudando é a relação entre diploma, conhecimento e habilidades exigidas pelas empresas.
O Fórum Econômico Mundial projeta crescimento tanto de funções ligadas diretamente à tecnologia quanto de ocupações em setores como saúde, educação, logística e agricultura. O relatório estima 170 milhões de novos postos e 92 milhões de postos deslocados por diferentes transformações do mercado até 2030, resultado de uma projeção global baseada em expectativas de empregadores.
Para quem está entrando no mercado, isso reforça a importância de combinar formação e atualização contínua. O diploma pode fornecer a base conceitual da profissão, enquanto experiências práticas e domínio de novas ferramentas ajudam a conectar esse conhecimento às demandas do trabalho.
A preparação pode começar com iniciativas simples:
A inteligência artificial, nesse contexto, passa a fazer parte da preparação profissional antes mesmo do primeiro emprego. Para estudantes e recém-formados, compreender essa mudança pode ajudar a transformar a graduação em uma base para desenvolver conhecimento técnico, experiência prática e capacidade de adaptação.