Manasses Oykoeter Suruí, da comunidade Paiter Suruí, conquistou o primeiro lugar no 8º Concurso Tribos com um microlote de Robusta Amazônico que alcançou 91,11 pontos (Divulgação/Divulgação)
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Publicado em 14 de outubro de 2026 às 18h37.
O Projeto Tribos, da Rituais Cafés Especiais, valoriza a produção de Robusta Amazônico por famílias indígenas de Rondônia. Na 8ª edição do concurso, o café de Manasses Oykoeter Suruí conquistou 91,11 pontos. A iniciativa oferece assistência técnica, incentiva a formação de jovens e o protagonismo feminino, além de garantir a compra integral da safra e destinar 100% do lucro às comunidades.
É em Cacoal, na região centro-leste de Rondônia, a cerca de 480 km da capital, Porto Velho, que se bebe uma das melhores xícaras de Robusta Amazônico da região. Produzido por Manasses Oykoeter Suruí, da comunidade Paiter Suruí, o café alcançou 91,11 pontos e conquistou o primeiro lugar na 8ª edição do Concurso Tribos, promovida pela Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações, empresa fundada em 1959 e líder nacional no mercado de café.
A premiação destaca os resultados do Projeto Tribos, que, desde 2019, conecta produtores e consumidores e busca ampliar as oportunidades e o protagonismo das comunidades indígenas.
Alinhado a três pilares — protagonismo indígena, produção de cafés de qualidade e proteção da floresta —, o projeto destina 100% do lucro às comunidades. Atualmente, reúne 169 famílias de 35 aldeias e sete etnias, com impacto em cerca de 2 mil indígenas. Os investimentos totais somam R$ 20 milhões.
Segundo Patricia Carvalho, líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações, a iniciativa é uma ação de empreendedorismo social que busca criar oportunidades para que as famílias construam uma trajetória com autonomia, fortalecendo a autoestima, a união entre as famílias e o senso de comunidade.
A cerimônia, realizada hoje, dia 14, reuniu mais de 600 indígenas, representantes das 169 famílias participantes, além de lideranças, parceiros e especialistas. A avaliação dos dez cafés mais bem pontuados contou com a participação de Silvio Leite, especialista em cafés e referência internacional no setor.
Vencedores da 8ª edição do Concurso Tribos, que reconhece a qualidade dos cafés Robusta Amazônico produzidos por famílias indígenas de Rondônia (Divulgação/Divulgação)
A programação incluiu três competições. O Concurso Tribos avalia a qualidade dos cafés produzidos na safra. A Copa Barista busca incentivar a sucessão familiar e aproximar os jovens da cafeicultura por meio da formação profissional. Já a Copa Harmonizações dá continuidade a esse processo, desafiando os participantes a criar receitas com Robusta Amazônico.
Segundo Patricia Carvalho, o Projeto Tribos começou a tomar forma em 2018, quando a equipe identificou o potencial dos cafés produzidos por famílias indígenas durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte. A iniciativa ganhou força em 2019, com o início da parceria entre o Grupo 3corações e as comunidades das Terras Indígenas Sete de Setembro e Rio Branco, em Rondônia.
Embora o café já fosse cultivado nesses territórios havia décadas, a produção permanecia sem manejo técnico adequado. Com o projeto, as famílias passaram a ter acesso a assistência técnica e capacitação, e a qualidade dos grãos evoluiu. Em 2024, um café do projeto alcançou 100 pontos e recebeu o reconhecimento de melhor café canéfora do mundo.
Na edição de 2026, o microlote de Manasses Oykoeter Suruí alcançou 91,11 pontos em uma escala de 100, superando o mínimo de 80 pontos exigido para que um café seja classificado como especial. Cultivado em Rondônia, o Robusta Amazônico apresentou notas de jasmim, chá verde, cacau, doce de leite e ameixa em calda, além de nuances de especiarias, caramelo e chocolate branco. O café também se destacou pelo corpo cremoso, pela acidez refrescante e pela finalização doce e persistente.
"É uma grande alegria para mim e para a minha família, porque é o resultado de um trabalho que fazemos desde o plantio até a colheita, até chegar à xícara. A iniciativa do Grupo 3corações tem nos motivado bastante a trabalhar na cafeicultura, porque nos mostra que podemos fazer um produto de qualidade”, afirma Manasses Oykoeter Suruí.
O concurso deste ano recebeu 150 amostras, recorde de inscrições desde o início da iniciativa. A edição também registrou o maior volume de cafés com pontuação acima de 90 pontos na história da competição.
Os resultados também aparecem na produtividade. Segundo Patricia, a média das famílias participantes passou de cinco para 20 sacas por hectare.
O impacto do projeto vai além da qualidade dos grãos. A possibilidade de obter renda com a cafeicultura contribui para que os jovens permaneçam nas aldeias e deem continuidade à atividade. Segundo Patricia, os caciques já haviam manifestado preocupação com o interesse dos filhos em deixar os territórios. A perspectiva de construir uma trajetória profissional como produtores de café começa a abrir novas alternativas.
A formação profissional também faz parte dessa estratégia. O projeto já formou 56 jovens nas competições de barista e harmonização.
O protagonismo feminino também ganhou espaço. Das 150 amostras inscritas na oitava edição do concurso, 43 estavam identificadas com nomes de mulheres, um recorde, segundo Patricia Carvalho. “É muito legal que, quando uma mulher é campeã, é ela que sobe ao pódio. Não é o marido, não é o irmão. É um senso de que ela também é cafeicultora”, afirma.
Em 2026, o Concurso Tribos passou a contar com a chancela da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que, junto ao head judge Silvio Leite e à equipe de juízes, recebeu as amostras e operacionalizou o resultado do concurso.
Desde a primeira edição, em 2019, o Concurso Tribos já adquiriu mais de 1.200 sacas de microlotes. Além de incentivar a produção de cafés de alta qualidade, o Projeto Tribos garante a compra de 100% da safra das famílias participantes, com pagamento de um valor adicional de acordo com a qualidade dos grãos.
A iniciativa conta com a parceria da Funai, das cooperativas indígenas Coopaiter, Garah Itxá, Coopsur e Coopirb, da Embrapa, da Emater-RO, da AGRICAFÉ, da Semagri, da AGROCAF, do Armazém de Café Cacoal, da Cafeama e da Câmara Setorial do Café de Rondônia. Desde o início do projeto, a compra integral da produção das comunidades parceiras soma mais de 730 toneladas de café.
1º — Manasses Oykoeter Suruí — 91,11 pontos
2º — Joel Oyyeter Suruí — 90,68 pontos
3º — Goemanhama Rifate Suruí — 90,57 pontos
4º — Iremar Suruí — 90,29 pontos
5º — Denilson Suruí — 90,07 pontos
6º — Eleno Suruí — 89,86 pontos
7º — Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí — 89,86 pontos
8º — Motira Labiway Suruí — 89,71 pontos
9º — Wilson Suruí — 89,68 pontos
10º — Ferrari Suruí — 89,61 pontos