Bar Brahma paulista: conheça a nova unidade no cruzamento da Bela Cintra com a Luís Coelho (Tiago Jardim)
Repórter de Casual
Publicado em 17 de julho de 2026 às 06h01.
Última atualização em 17 de julho de 2026 às 14h47.
Aberto em 1948, na esquina das avenidas Ipiranga e São João, o cruzamento imortalizado por Caetano Veloso na canção "Sampa", o Bar Brahma atravessou décadas como o principal bastião da boemia, do samba de raiz e dos encontros de famosos no centro histórico de São Paulo. Agora, em um movimento inédito, a marca ocupa também outro endereço badalado: a região da Avenida Paulista.
Localizada no cruzamento das ruas Bela Cintra e Luís Coelho, a nova unidade do Bar Brahma iniciou a fase de soft opening na última quinta-feira, 16. A inauguração oficial ficou agendada para o próximo dia 27. O projeto ocupa uma área de 650 m², distribuída em três andares, e marca um movimento ambicioso do grupo Fábrica de Bares.
A transição gradual na inauguração é encarada com bom humor pelo CEO da empresa, Cairé Aoas. "Esta semana fomos até cobrados nas redes sociais porque o termo soft opening é em inglês, e este será um bar de samba. Como disse um cliente (e eu concordo), prefiro pensar que é 'devagar, devagarinho' até a abertura total, em referência ao clássico do Martinho da Vila", disse Aoas em entrevista à Casual EXAME.
O investimento total, revelou ele com exclusividade à reportagem, será de R$ 12 milhões. O aporte é dividido em três fases: o térreo e o mezanino, que já estão finalizados e abertos ao público; uma área no mezanino dedicada para transmissões esportivas, prevista ainda para o final deste ano; e um subsolo com mesas de bilhar, que deve ser inaugurado no início de 2027.
Por enquanto, o espaço já inaugurado comporta até 500 pessoas. O anexo esportivo no primeiro andar prevê capacidade para mais 120 pessoas. Já o subsolo deve comportar outras 100.
"Abrir um bar é até mais simples do que manter, o desafio real é a manutenção do negócio. Mas acreditamos muito na força da marca e na densidade da região, que reúne moradores, fluxo corporativo e a maior rede hoteleira da cidade", analisa Aoas. "A agenda musical de samba com certeza também é a maior atração do espaço."
Bar Brahma da Paulista tem inúmeras referências à história do samba. (Tiago Jardim)
A chegada do Bar Brahma ao entorno da avenida mais famosa da cidade é um avanço mais que esperado. O bar original acompanhou a era de ouro do centro de São Paulo, enfrentou o declínio da região na década de 1990 — até fechou as portas — e foi reaberto no início dos anos 2000 sob o comando da família de Aoas.
Para o empresário, a região da Paulista era o único endereço capaz de replicar a relevância cultural do cruzamento da São João com a Ipiranga.
"A história do Bar Brahma está intrinsecamente ligada à cultura e à boemia de São Paulo. Além do centro, não existe outra região que represente tanto a identidade do paulistano quanto a Paulista. Ela é o coração financeiro durante a semana e vira a praia do morador aos domingos, concentra os principais museus e a vida cultural da cidade", explica o empresário. "Era o lugar mais provável. Quando soubemos que o endereço era uma possibilidade, não pensamos duas vezes."
Diferente da matriz no centro, onde diferentes gêneros musicais dividem espaço, o Bar Brahma Paulista terá foco exclusivo e dedicado ao samba de raiz. O salão principal, no térreo, conta com um palco central em formato de arena para emular rodas de samba e apresentações ao vivo de nomes como Xande de Pilares, Dudu Nobre, Salgadinho e Luciana Mello.
Na contramão dos principais bares da capital, a nova unidade quer contrariar a tendência de encurtamento da noite paulistana observada no cenário pós-pandemia. A aposta da casa é manter as portas abertas até as 5h todos os dias. "Quem sabe, a depender de como for a operação com o passar do tempo, podemos pensar em um funcionamento de 24h, como o Riviera", complementa o CEO.
Além do Bar Brahma, a Fábrica de Bares também é responsável por outras casas na capital, como o próprio Riviera Bar, o Blue Note, o Bar Léo, o Orfeu, o Bar dos Arcos e o Love Cabaret.
Releitura de Alexandre Kêto da "Última Ceia", com as maiores personalidades do samba (Tiago Jardim)
A ambientação interna da casa conta com intervenções artísticas assinadas por Alexandre Kêto. Entre os quadros expostos está uma releitura da "A Última Ceia" com personalidades do samba nacional, como Alcione e Zeca Pagodinho, e uma homenagem à "A Criação de Adão" no teto do corredor, que retrata Almir Guineto entregando um banjo a Arlindo Cruz.
O espaço também abriga um acervo físico histórico com itens pessoais de sambistas, como a caixa de engraxate utilizada por Jair Rodrigues no início de sua trajetória e um cavaquinho assinado pelas maiores lendas do samba.
No cardápio, a cozinha repete a operação clássica da matriz central sob a liderança do chef Israel Cunha. Clássicos como o Filé Oswaldo Aranha, o Picadinho Cauby Peixoto e a feijoada servida às quartas-feiras e sábados dividem as atenções com as tradicionais pizzas de massa fina e o Chopp Brahma, servido com colarinho cremoso de três dedos.
De forma exclusiva para o novo endereço, a operação deve incorporar a oferta de almoços executivos para atender à demanda corporativa da região da Paulista.