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Por que os botões voltaram ao centro da moda e do mercado de luxo

O acessório nasceu como enfeite no Vale do Indo, virou fecho funcional na Idade Média e símbolo de poder na Renascença. Hoje, alcança até R$ 528,7 mil em peças assinadas por Alberto Giacometti para a Schiaparelli

Botões em formato de fechadura marcam a assinatura de Schiaparelli, casa que a mostra do V&A celebra como arte a ser vestida (Divulgação)

Botões em formato de fechadura marcam a assinatura de Schiaparelli, casa que a mostra do V&A celebra como arte a ser vestida (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 13h21.

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O botão nasceu decorativo, muito antes de virar útil. Os primeiros exemplares surgiram por volta de 2000 a.C., na civilização do Vale do Indo, entre atuais Paquistão e Índia, sem função de fixar tecido. Só no século 13 ele passou a funcionar como fecho de verdade, entrando de vez no vestuário europeu. Da Renascença em diante, o item virou símbolo de status. No Campo do Pano de Ouro, encontro de 1520 entre François I da França e Henrique VIII da Inglaterra, os dois reis disputaram quem usaria os botões mais ricos, cravejados de ouro e pedras. Luís XIV seguiu o mesmo caminho com botões de diamante, e os dândis do século 18 passaram a usar peças cada vez maiores, cobertas de pedras, strass ou aço recortado.

Esse histórico de ostentação explica por que o botão voltou ao centro das passarelas. Matthieu Blazy colocou peças grandes como centro visual de sua coleção de estreia na Chanel. Na mostra "Schiaparelli: Fashion Becomes Art", em cartaz no V&A, em Londres, exemplares assinados por Alberto Giacometti e pelo joalheiro Jean Schlumberger aparecem esculpidos com figuras humanas e acrobatas em pleno voo.

Um mercado de nicho com preços que variam muito

Botão com diamante lapidado em rosa, década de 1780

Botão de diamante lapidado em rosa, cerca de 1780, do tipo que hoje vira anel ou brinco nas mãos de joalherias especializadas em peças antigas (Reprodução/Etsy)

Encontrar um botão de alta-costura vintage não é tarefa simples. A maioria custa entre £5 e £30, o equivalente a R$ 35 e R$ 211. Alguns exemplares fogem completamente dessa faixa, segundo reportagem do Financial Times. Um par esculpido por Giacometti para a Schiaparelli nos anos 1930 está à venda pela joalheria Greens of Cheltenham, hoje emprestado ao V&A, por £75 mil, cerca de R$ 528,7 mil.

Robert Bleasdale, diretor da Bleasdales, casa de leilões de utensílios de costura antigos, afirma que os colecionadores se dedicam a um gênero específico. No topo estão os cravejados dos séculos 18 e 19. Peças de cerâmica pintadas à mão em esmalte também são disputadas, caso de um conjunto de nove com cenas de rio, a leilão em 15 de junho, estimado entre R$ 4,2 mil e R$ 7 mil. Em março, a casa vendeu um botão Liberty de 1902 por £460, cerca de R$ 3,2 mil, e um conjunto de cinco peças do prateiro William Hair Haseler, de 1905, saiu por £560, em torno de R$ 3,9 mil.

Da roupa para a joalheria

Boa parte acaba remontada em joias. A negociante Sandra Cronan usa brincos de botões de diamante do século 18 e vende um anel de esmeralda colombiana sobre um botão de 1760, por £35 mil, cerca de R$ 246,7 mil. Na Koopman Rare Art, um anel de cluster de diamantes dos anos 1890, remontado de um botão original, custa £22 mil, algo como R$ 155,1 mil.

Eva Reynolds, da Eva Rarities, coleciona botões georgianos de paste há cinco anos. Suas peças, de casacos e coletes masculinos, variam entre £1.500 e £8 mil, de R$ 10,5 mil a R$ 56,4 mil. "Ninguém comprava isso na época", diz ela ao Financial Times, "mas um colar de botões grandes de paste dá aquele visual completo de diamante por um preço muito mais baixo."

Para a colecionadora Sylvia Llewelyn, o mercado é de nicho, mas global, com força nos Estados Unidos, e coleção pessoal de cerca de 4 mil peças. Botões plásticos franceses de 1920 a 1940 partem de 75 pence, cerca de R$ 5,29, e os botões "tingue" de colete, em vidro sobre folha metálica, chegam a £1.000 cada, em torno de R$ 7 mil.

A ceramista Lucie Rie entra nessa lista por outro caminho. Fazia botões nos anos 1940 para complementar a renda e, em 1946, já produzia 6 mil por mês, usando-os como teste para as cores e vidrados que a consagrariam depois. Suas tigelas hoje alcançam seis dígitos em leilão, e os botões saem entre £200 e £800, de R$ 1,4 mil a R$ 5,6 mil.

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