Saiko Izawa, chef confeiteira do Rosewood São Paulo: “a tendência para os panetones deste ano é voltar às raízes tradicionais" (ChatGPT Image /Reprodução)
Repórter de Casual
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 10h09.
Muito antes da chegada do fim do ano, chefs e confeiteiros já definiram quais serão as criações para os panetones. Entre sabores que fogem do tradicional, combinações de ingredientes e releituras do clássico natalino, as receitas deste ano mostram como o doce ganha novas interpretações.
Para além de sabores já consolidados, como o pistache, as vitrines devem receber panetones com diferentes combinações de ingredientes e formatos. Confira as apostas de chefs e confeiteiros para os panetones neste ano.
Saiko Izawa, chef confeiteira do Rosewood São Paulo, acredita que a temporada deve ser marcada pelo retorno às origens e pela valorização dos elementos que caracterizam o panetone tradicional. Para ela, a busca por sabores mais reconhecíveis pode ganhar espaço entre os consumidores neste ano. “A tendência para os panetones deste ano é voltar às raízes tradicionais. Vejo que o público deve estar buscando ingredientes que remetem a um panetone mais clássico, valorizando sabores e características que fazem parte da receita original.”
Mariane Adania, chef e confeiteira da Feliciana Pães e Outras Histórias, aponta a fermentação natural, os chocolates bean to bar e os sabores cítricos como apostas para os panetones deste ano. “Além dos panetones de fermentação natural estarem cada vez mais em alta, sabores com chocolates especiais, como os bean to bar, vão bem. Também os sabores cítricos, como laranja e limão-siciliano cristalizados, trazem mais frescor para o nosso Natal, que é uma época bem quente.”
Para o chef Julien Feron, do Mich Mich Padaria Artesanal, a tendência deste ano está em renovar o panetone sem deixar de lado sua origem italiana. “Acredito que o caminho para os panetones deste ano seja preservar a tradição italiana, mas explorar ingredientes e combinações que tragam novas possibilidades ao clássico”. Para a temporada, a padaria aposta em duas criações que seguem essa proposta: o Panetone de Frutas, com cupuaçu brasileiro, laranja e limão italianos, e o Panetone de Chocolate, que combina massa de cacau, chocolate ao leite, chocolate meio amargo e cereja amarena.
Todos os anos, a chef-confeiteira apresenta ao menos três sabores de panetones artesanais para a temporada de Natal. Em 2026, o portfólio da Kosmos ganha a versão tradicional com chocolate, a combinação frutada de framboesa e pistache e uma criação inspirada pelas bebidas lattes do cardápio da casa: gergelim preto com chocolate branco. Todos seguem a proposta da casa de trabalhar o dulçor de maneira equilibrada, característica presente também nos doces de inspiração coreana de Andrea.
Na opinião de Roberta Zogbi, chef da Petite Fleur, os panetones recheados devem continuar em destaque neste ano, acompanhando a busca dos consumidores por produtos que ofereçam uma experiência mais indulgente e visualmente atrativa. Segundo ela, além do sabor, características como recheios abundantes, cremosidade e diferentes texturas ganham importância, especialmente em criações que revelam camadas e recheios no momento do corte. “O consumidor está cada vez mais atraído por produtos visualmente desejáveis e, principalmente, por aquela experiência de cremosidade, recheio abundante e textura”.
Para Vera Helena Mirandez, sócia e fundadora da Dona Deôla, a valorização do panetone tradicional deve ganhar força neste ano, em um movimento de retorno às origens. A aposta está em versões artesanais, frescas e bem executadas, que valorizam a simplicidade e a qualidade do preparo. “O simples, quando bem feito, ganha ainda mais valor. É um movimento que resgata a tradição e preserva o legado de uma receita que atravessa gerações”.
Para Diêgo Penido, padeiro e idealizador da padaria artesanal Na Fila do Pão, a fermentação natural segue como uma das principais tendências para os panetones deste ano e deve se consolidar para além de uma moda passageira. Em relação aos sabores, ele não espera um novo fenômeno viral, mas acredita no retorno dos clássicos italianos, como passas, laranja, cereja e baunilha. “Vejo um forte movimento de reaproximação da tradição, do respeito à técnica, ao tempo de preparo e à escolha de ingredientes de alta qualidade”, afirma.
Ao mesmo tempo, Diêgo aposta na brasilidade como um caminho ainda em expansão na panificação artesanal, com o uso de frutas tropicais e cítricas, além de castanhas e chocolates nacionais. “Apesar de a massa dos panetones estar ganhando cada vez mais atenção, os recheios continuam tendo um papel importante. Acredito na volta dos clássicos, que nunca ficam ultrapassados, na permanência da fermentação natural e no uso de ingredientes brasileiros e tropicais para criar novas camadas de sabor”, complementa.
Na visão do idealizador e sócio-fundador do Nanica, Leonardo Macedo, uma das tendências para este ano é a releitura de sobremesas famosas no formato de panetones, como o viralizado morango cravejado e o popular banoffee. Ele também aposta no crescimento da procura por opções artesanais, na contramão dos produtos industrializados. “No Nanica, estamos trabalhando em uma receita exclusiva, a partir de uma mistura criada na casa. Por mais que a validade seja menor, acreditamos que vale a pena apostar em produtos mais frescos e de qualidade”, conta Macedo.
Para Michelle Kallas, da Mica Chocolates, a temporada de Natal 2026 deve valorizar sabores tradicionais e afetivos, com menos espaço para invenções excessivas e mais atenção à qualidade dos ingredientes e ao processo artesanal. Clássicos como creme de avelã, pistache e caramelo ganham espaço, mas podem aparecer acompanhados de toques de inovação, como azeite e especiarias. “Acho que as pessoas estão um pouco cansadas de tantas invenções em um produto que já dá certo. Estamos buscando uma receita mais afetiva, com massa fofinha, gotas de chocolate e sabores que remetem às memórias de infância”, explica Mica. A aposta da marca está em panetones de fermentação natural, com recheios produzidos 100% na casa, sem conservantes e com menos açúcar.