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Por que a Nvidia tem apostado na moda

Parceria com a Catches usa IA e física em provador virtual para simular caimento real e reduzir devoluções

IA no provador virtual: a proposta da Catches para deixar a experiência de compra online mais completa (Reprodução/Business of Fashion)

IA no provador virtual: a proposta da Catches para deixar a experiência de compra online mais completa (Reprodução/Business of Fashion)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 20 de março de 2026 às 15h05.

A Nvidia quer resolver um dos maiores problemas do varejo de moda online: fazer o provador virtual funcionar de verdade. A empresa anunciou, durante a conferência GTC, uma parceria com a startup de inteligência artificial (IA) Catches para lançar o RealFit, uma plataforma que promete simular com mais precisão como roupas vestem no corpo.

O sistema usa IA e noções de física para reproduzir o tamanho e o caimento das peças, incorporando os detalhes delas, como a textura, corte, drapeados e tecidos. As informações foram divulgadas pela Business of Fashion.

Com a nova parceria, a Catches passa a ser a fornecedora independente de software da Nvidia para o setor de moda. A tecnologia já está em uso na marca Amiri, e novos parceiros devem ser anunciados, desde empresas de luxo até do mercado de massa.

A Catches levantou US$ 10 milhões com investidores relevantes, incluindo Antoine Arnault, executivo da LVMH, e a modelo Natalia Vodianova. Também participam nomes como Gary Sheinbaum (ex-CEO da Tommy Hilfiger) e Sarah Willersdorf (ex-BCG).

"A IA viveu em grande parte no mundo digital, tentando imitar a realidade sem realmente compreendê-la", disse Vodianova. "A Catches muda isso ao ancorar a IA às leis da física, de modo que ela não fica adivinhando como uma roupa se ajusta ou veste, ela sabe."

Qual é o problema dos provadores virtuais?

Desde que o comércio eletrônico ganhou força nas últimas duas décadas, várias startups de tecnologia tentam popularizar o provador virtual. Além de aumentar a confiança do consumidor, um dos motivos por trás da tecnologia é reduzir devoluções, que acarretam custos para as empresas.

No entanto, a adesão tem sido baixa. Segundo a eMarketer, só 1,4% dos consumidores usam esse tipo de ferramenta com frequência e parte do problema está na experiência. Muitas plataformas exigem medidas detalhadas ou até vídeos do usuário, o que acaba afastando o público.

O que muda com o RealFit?

O RealFit tenta simplificar o provador: pede apenas uma selfie e as medidas do usuário. Com isso, em vez de "colar" a roupa na imagem do usuário, o sistema simula como a peça se comportaria no corpo dele, considerando seus detalhes.

Isso permite prever pontos de ajuste e até como a peça se movimenta. "Ao comprar online, você quer ter certeza de que a peça não vai apertar embaixo dos braços, se vai incomodar ou se é muito grande", diz Ed Voyce, fundador da Catches.

Antes disso, porém, a Catches precisa convencer as marcas a aderirem. Ele disse que o ceticismo inicial desaparece depois que elas têm um primeiro contato com o sistema, tanto que eles já fecharam contrato com marcas como Amiri e Nanushka; a tecnologia já está funcionando no site da Amiri.

"Essa é a principal razão para o abandono de carrinhos e devoluções. Quando você elimina esse fator, não estamos falando apenas de um aumento de US$ 900 bilhões em gastos para US$ 950 bilhões", disse Voyce. "Todo o setor cresce", completou.

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