Luminor Firenze 8 Giorni PAM01794: ar vintage (Panerai/Divulgação)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 04h03.
Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 04h05.
FLORENÇA. Um século atrás, uma porta de madeira na Piazza San Giovanni, bem em frente à Catedral de Florença, abria pela primeira vez com o letreiro de Orologeria Svizzera. O ano era 1926, e aquele endereço cravado no coração renascentista da cidade, dentro do Palazzo Arcivescovile, se tornaria um símbolo da relojoaria italiana.
Ano após ano, década após década, quase nada muda na capital da Toscana, uma cidade cheia de edifícios históricos e monumentos, patrimônio mundial da UNESCO. Aquela butique segue em atividade como a mais antiga da Panerai, no tempo em que a manufatura vendia apenas para a Marinha italiana.
Para marcar a data, a manufatura reuniu nesta semana, em Florença, cerca de 200 convidados vindos de diferentes partes do mundo. A EXAME Casual foi o único veículo de mídia convidado do Brasil. A celebração final foi um jantar dentro da Sala dei Cinquecentro, dentro do Palazzo Vechio, na noite de quinta-feira, 10.
A programação incluiu a inauguração de "Immersion", uma exposição imersiva no Museo Marino Marini, aberta ao público de 10 a 19 de setembro, além de uma série de eventos especiais que a butique da Piazza San Giovanni vai receber ao longo do ano.
Primeira butique da Panerai, em Florença: celebração (Panerai/Divulgação)
A loja preserva até hoje traços da estrutura original do início do século 20, incluindo a estrutura de madeira da vitrine, ainda visível sob a icônica inscrição "OROLOGERIA". Ali funcionava também uma oficina, onde relojoeiros montavam e reparavam as peças vendidas na loja.
A história da Panerai em Florença, porém, começa antes, em 1860, no Ponte alle Grazie, onde Giovanni Panerai abriu sua primeira relojoaria, uma oficina e a primeira escola de relojoaria da cidade. A destruição da ponte durante o período em que Florença foi capital do Reino da Itália, entre 1865 e 1871, obrigou a família a se mudar algumas vezes pelo centro histórico, até finalmente se estabelecer na Piazza San Giovanni em 1926, marco que a marca celebra agora.
"Existem lugares na história de uma maison que carregam um papel fundacional especial”, disse Emmanuel Perrin, que assumiu recentemente como CEO da Panerai. “Nossa butique em Florença é uma pedra angular na história da Panerai e na forma como compartilhamos nosso conhecimento de relojoaria, a herança e a inovação presentes em nossos relógios com uma clientela internacional."
Exposição "Immersion", em Florença: instrumentos de mergulho da marca (Panerai/Divulgação)
Para comemorar o centenário, a Panerai apresenta agora dois modelos comemorativos: o Luminor Firenze 8 Giorni PAM01734 e o Luminor Firenze 8 Giorni PAM01794. As peças são as protagonistas de "Immersion" e reúnem, no mesmo desenho, a herança militar da marca com uma homenagem direta às suas raízes florentinas.
A inspiração vem de um raro protótipo da referência 6152/1, dos anos 1960, autenticado pela própria Panerai, hoje em uma coleção particular e que está na mostra “Immersion”.
A peça chamou atenção da marca por sua ligação direta com Florença: no mostrador, a inscrição "Panerai Firenze". Esse protótipo trazia ainda outro detalhe incomum, uma ponte de proteção da coroa com sulcos paralelos entalhados na face interna, voltada para a coroa.
A configuração não era estética: nasceu de uma modificação testada na época para facilitar o manuseio da coroa por mergulhadores em condições de baixa visibilidade, pressão ou usando luvas, atendendo às exigências da Marinha Italiana, cliente histórica da marca.
O modelo de edição limitada a 100 peças é o mais precioso dos dois. Vem em caixa de 44 mm no exclusivo Platinumtech, liga patenteada da Panerai com 95% de platina pura, que ganha 85% a mais de dureza em relação à platina convencional graças a um processo de tratamento específico. O resultado é uma resistência a arranhões superior à da platina tradicional, ainda que o material pese cerca de 33% a mais que o ouro 18 quilates.
O mostrador em estilo sanduíche verde é um dos destaques visuais, complementado por ponteiros com acabamento dourado. A caixa traz fundo em safira aberto, que expõe o calibre por trás de uma resistência à 100 metros.
A ponte de proteção da coroa reproduz, pela primeira vez em um modelo de produção, os sulcos paralelos vistos no protótipo original.
O relógio acompanha pulseira em couro de bezerro toscano preta, gravada a quente com o padrão da lírio florentina, símbolo da cidade, e uma segunda pulseira em borracha verde. O preço para o Brasil é de R$ 366.200.
Luminor Firenze 1734: em titânio (Panerai/Divulgação)
Já o PAM01794, produzido em edição limitada de 1.000 peças, vem em caixa de aço de 44 mm e fundo fechado, alcançando resistência à água de 300 metros.
O mostrador é preto, com ponteiros em acabamento azulado, cor historicamente associada à proteção contra corrosão e à legibilidade nas peças antigas da marca, hoje reproduzida por um processo controlado de oxidação a cerca de 300°C.
A pulseira principal é em couro marrom, também com o relevo da lírio florentina gravado a quente, acompanhada de uma segunda pulseira em borracha preta. Para o Brasil, o relógio vai custar R$ 71.300.
Ambos os modelos compartilham a mesma base técnica. O cristal é de safira ligeiramente abaulado, remetendo ao efeito visual dos Luminor dos anos 1960, e o calibre de manufatura é o P.5000, de corda manual, com 21 joias, 113 componentes e frequência de 3 Hz (21.600 vibrações por hora).
O grande diferencial é a reserva de marcha de oito dias, que remonta aos anos 1950, quando a Panerai adotou o calibre Angelus SF 240 para reduzir a frequência de corda das peças usadas por comandos submarinos, protegendo a coroa e a estanqueidade ao longo do tempo.
As duas peças chegam às butiques a partir de setembro de 2026, acondicionadas em caixas de mogno, laqueada no caso do PAM01734, fosca no PAM01794, com uma placa metálica que reproduz a fachada histórica da boutique de Florença.
Luminor Firenze 1794: em aço (Panerai/Divulgação)
Fundada em Florença em 1860, a Panerai nasceu como oficina, loja e, na sequência, escola de relojoaria. Foi esse conhecimento técnico acumulado que abriu caminho para uma parceria que definiria seu futuro: a relação com a Marinha Real Italiana, iniciada ainda na década de 1910 com o desenvolvimento de instrumentos de precisão e que, em 1935, resultaria no primeiro protótipo de relógio de mergulho da marca, a Ref. 2533, com mostrador Radiomir luminescente.
Por décadas, a Panerai atuou como fornecedora sigilosa dos comandos da Marinha Italiana, produzindo instrumentos de alta precisão para missões de risco. As características técnicas desenvolvidas para atender a essas exigências, como luminescência, resistência à água, reserva de marcha estendida e robustez, permaneceram em segredo até 1993, ano em que a marca apresentou suas criações ao público final pela primeira vez, incluindo o primeiro Luminor de 44 mm, hoje um dos desenhos mais reconhecidos da relojoaria.
Em 1997, a Panerai foi adquirida pela Richemont. Desde 2002, a manufatura produz seus calibres e relógios em Neuchâtel, na Suíça, unindo precisão suíça e design italiano. Hoje, a Panerai está presente globalmente por meio de uma rede seleta de distribuidores e butiques — entre elas, a mais antiga de todas, na Piazza San Giovanni, em Florença.