Torneio Masters do Augusta: consagração do esporte (Simon Bruty/Augusta National/Getty Images)
Colunista
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 09h00.
Última atualização em 17 de setembro de 2026 às 11h46.
Enquanto o turismo convencional se satisfaz com o destino, o golfista de elite investe no ambiente. Para este público, o campo não é apenas um cenário, mas um ativo de relacionamento. Viajar para jogar em St. Andrews, na Escócia, Pebble Beach, na Califórnia, ou nos novos destinos do Oriente Médio não é sobre lazer, é sobre a curadoria de conexões em ambientes onde o fairway serve como a mais exclusiva das salas de reunião. É ali, entre um putt e outro, que negócios nascem antes de qualquer reunião formal.
Essa lógica global tem seu espelho brasileiro. Recentemente, estive jogando no Quinta do Golfe, em São José do Rio Preto, e conheci um dos grupos mais apaixonados pelo golfe que já vi. Há quase 20 anos o La Amistad viaja para os melhores destinos de golfe do mundo, reunindo golfistas do Brasil inteiro em campos icônicos. É o mesmo grupo que se junta para acompanhar de perto o Masters e que chega a reunir mais de 50 golfistas para jogar na Escócia. Duas décadas de viagens que, mais do que turismo, construíram uma verdadeira confraria.
La Amistad é o retrato do golfista mundial: apaixonado pelo esporte e com sucesso reconhecido em sua área de atuação. Golfistas assim gastam, em média, mais que o dobro do que o turista de lazer convencional no destino, segundo dados ligados à IAGTO, a associação internacional de operadoras de turismo de golfe.
Para esse público, a viagem não é gasto, é investimento de acesso a um mundo de relacionamentos e histórias que só viajar e viver permite. A reboque dessa paixão que rompe fronteiras está um giro de dinheiro que já movimenta cerca de US$ 30 bilhões por ano, entre green fees, hotéis, restaurantes, vinhos e mimos dos campos, um mercado que não para de crescer, ano após ano, bem acima do ritmo do turismo tradicional.
E por que o golfista gasta mais? Os custos partem ainda do Brasil: o golfista faz questão de levar seus próprios equipamentos para jogar durante a golf trip, gerando custos extras já na saída do país. Ele normalmente se hospeda em hotéis melhores, se estiver com a família, ficará em resorts com campos de golfe, o que facilita e muito a viagem, mas se estiver com os amigos, ficará em hotéis de ótima qualidade e jogará em mais campos.
Hoje, um green fee como o de Shadow Creek, em Las Vegas, chega a 1.250 dólares na alta temporada, e o do Trump Turnberry, Ailsa Course, na Escócia, ultrapassa a casa das mil libras, o equivalente a mais de 1.300 dólares, por apenas um dia de golfe, e uma viagem alcança fácil 3.500 a 4.000 dólares só com custos de golfe. Claro, numa viagem internacional há inúmeros campos mais baratos e até gratuitos, mas para quem viaja atrás da confraria, deixar de jogar um campo ícone ao lado do grupo é abrir mão do que realmente motivou a viagem.
Um dos torneios do Grand Slam, o Masters, disputado no Augusta National Golf Club desde 1934, é a consagração desse movimento. O torneio acontece apenas uma vez ao ano e essa é a única semana em que se vende algo com a marca do Masters. Por isso, se você encontrar alguém de chapéu, cinto ou camisa com o logo do torneio, tenha certeza de que foi muito mais caro chegar lá do que ter aquele mimo.
Nenhum clube de negócios entrega o que uma confraria entrega, uma relação de amizade que marca a vida, uma relação que não se quebra mais, pois uma ponte gigante foi aberta, a amizade através de uma paixão em comum, o golfe. É esse pertencimento e não o green fee, o verdadeiro luxo que o golfe vende.