Cine Marquise: o melhor cinema de São Paulo (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de Casual
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 13h59.
A Avenida Paulista pode até concentrar o maior número de telas de cinema por metro quadrado da América Latina. Mas para o júri de especialistas consultados pela Casual EXAME, a melhor experiência cinematográfica de São Paulo reside no subsolo do histórico Conjunto Nacional.
O Cine Marquise, sob a atual gestão, foi escolhido como o melhor cinema da cidade São Paulo, segundo o ranking dos 50 Melhores Filmes do Ano, realizado pela Casual EXAME.
Participaram da votação 84 jornalistas, críticos de cinema e criadores de conteúdo do setor que residem ou já frequentaram os cinemas da capital paulista. Os parâmetros levados em consideração foram conforto das poltronas, qualidade de áudio e imagem, valor do ingresso e acessibilidade.
Cine Marquise | Leandro fonseca/ EXAME (Leandro Fonseca /Exame)
A vitória não é por acaso. Sob o comando de Marcelo Lima, o espaço — que já foi Cine Rio, Cine Arte Um e Cine Livraria Cultura — renasceu em 2021 com uma proposta ambiciosa: ser o showroom da América Latina em exibição cinematográfica. "Nosso maior desafio sempre foi como nos diferenciar no mercado, e por isso o investimento foi muito tecnológico ao longo desses anos", disse o CEO do cinema em entrevista exclusiva à Casual EXAME.
Ao todo, o ranking contou com 16 salas finalistas — pré-selecionadas por profissionais da EXAME. Depois do Cine Marquise, o cinema mais votado foi o Cine Sesc, seguido de Cinépolis - Shopping JK Iguatemi (3º), Cine Belas Artes (4º) e Cinesala (5º).
Cine Marquise | Leandro Fonseca/EXAME (Leandro Fonseca /Exame)
Boa parte do motivo pelo qual o Cine Marquise ocupa a primeira posição do ranking tem a ver com a Sala 1, a maior da rede. Equipada com som Dolby Atmos e com capacidade para 320 lugares, ela é hoje referência técnica para o continente. Logo na primeira fileira mais próxima à tela, há também chassis à disposição para quem prefere pagar um pouco a mais pelo conforto.
De amplificadores a projetores de última geração, tudo ali é o "topo de linha" do mercado mundial. Lima explica que, por ser parte do grupo que organiza a Expocine, o espaço funciona como um cartão de visitas para fabricantes globais.
"Os donos de cinemas da Argentina, Uruguai e Chile vêm aqui para saber o que temos de mais avançado para o cinema. E faz sentido, porque esse é um investimento que levamos a sério. Temos o melhor projetor, o melhor processador e a melhor caixa de som. Os fabricantes brigam para estar aqui."
O cinema faz a manutenção de seus equipamentos mais regularmente do que os fabricantes indicam, o que garante a permanência da qualidade técnica. "Essas diferenciações são subliminares, mas o hard user percebe. Ele sabe que não sairá decepcionado com a clareza da imagem ou a qualidade do som."
Além da Sala 1, o Cine Marquise também tem à disposição outras duas salas menores. São espaços menos tecnológicos, mas convidativos quando o assunto é conforto. Integram o cinema a cafeteria e a bomboniere próprias da rede. Os ingressos do Cine Marquise variam entre R$ 55 e R$ 80 para poltronas especiais.

A operação do Cine Marquise em 2026 já passou por altos e baixos, sobretudo no ano em que reabriu as portas, no pós-pandemia. A percepção de que o mercado de cinema não pode mais ser tratado como um bloco único e homogêneo é algo que circula o modelo de gestão de Lima.
Para o CEO, o segredo da sustentabilidade de uma sala de rua reside na compreensão de que o sucesso de um título é, hoje, profundamente regional. Enquanto as grandes redes muitas vezes apostam em lançamentos massivos e idênticos em todo o território nacional, o Marquise calibra sua programação para o "microclima" da Avenida Paulista.
"Percebemos que há uma regionalização até em filmes estrangeiros; um título que funciona no Sul não necessariamente performa no Norte", conta ele. "Ainda Estou Aqui foi um fenômeno nacional, mas ainda assim, foi muito mais visto no sudeste. Já O Auto da Compadecida 2 se saiu melhor no nordeste. Isso ajuda a equilibrar a janela de exibição de cinema para cinema".
No Cine Marquise, Lima destacou dois momentos distintos de pico de faturamento. O primeiro é a "temporada de prestígio", marcada pela corrida do Oscar, algo que ele compara à época de Natal para o varejo.
"2024 teve a janela perfeita: a maior parte dos indicados ainda não tinha entrado nas plataformas de streaming. Aquele período foi lindo, a gente fazia mais de 6.000, 7.000 ingressos por semana em numa operação de apenas três salas. Foram três ou quatro semanas intensas, de salas lotadas. 500 pessoas saindo, 500 pessoas entrando a cada 2 horas".
É claro que esses são momentos marcados do ano. Mas para Lima, ter uma boa curadoria dos filmes em cartaz, um preço justo e alta qualidade técnica são atrativos que mantém a fidelidade do público.
Cine Marquise | Leandro Fonseca/EXAME (Leandro Fonseca /Exame)
A vitória do Marquise é o ponto mais alto de uma trajetória de resiliência que começou em 1963 e quase encontrou o fim definitivo na pandemia. Antes de chegar às mãos de Marcelo Lima, o espaço passou por inúmeros gestores. Foi inaugurado como Cine Rio, em uma única sala que comportava até 500 pessoas. A estreia foi com o filme O Assassino, um clássico com Marcello Mastroianni. À epoca, era prometia ser o "último milagre da tecnologia".
Atingido por um incêndio em 1978, o espaço reviu em 1982, pertencente ao circuito do Cinearte. Recebeu o nome Cine Arte Um e, em 2001, só Cine Arte. Dali para frente, no começo dos anos 2000, foi uma troca-troca de gestão ininterrupta .Em 2005, trocou de patrocinador e virou Cine Bombril. Em 2010, foi adquirido pela Livraria Cultura e virou Cine Livraria Cultura e, em 2015, voltou a ser Cine Arte Petrobras, com apoio da petrolífera.
A gestão atual assumiu o cinema em 2020, durante a pandemia. Abriu as portas no ano seguinte e, de lá para cá, fez uma série de reformas para elevar a qualidade técnica das salas e reinserir o cinema entre as salas clássicas da região da Paulista.
Marcelo Lima - CEO do Cine Marquise e Luiza Vilela reporter Exame | Leandro Fonseca/EXAME (Leandro Fonseca /Exame)