Salão principal do café no Victoria and Albert Museum, em Londres, com colunas em majólica, teto dourado e piano ao centro (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 12h03.
O cheiro de café recém-coado se mistura ao mármore, ao ouro entalhado e às pinturas em salas que fazem parte de alguns dos museus mais visitados do planeta, onde a pausa para comer se tornou parte da experiência tanto quanto a visita às galerias. Em Londres, Paris, Veneza, Marrakech e outras cidades, cafés e restaurantes dentro de instituições culturais viraram atrações à parte, com arquitetura, história e cardápio pensados para dialogar com o acervo ao redor.
Alguns desses espaços têm mais de um século e carregam a estética da época em que foram criados. Outros nasceram de projetos recentes, assinados por arquitetos e diretores de arte com tanto peso quanto os curadores das exposições ao lado.
V&A Café: Sala do café no Victoria and Albert Museum, em Londres, com colunas de cerâmica e teto pintado (Divulgação)
O V&A Café, dentro do Victoria and Albert Museum em Londres, abriu em 1868 e é considerado o primeiro café de museu do mundo. O espaço reúne três salas: a Gamble Room, com azulejos de majólica inspirados no Renascimento italiano assinados por James Gamble; a Morris Room, de William Morris, com referências góticas; e a Poynter Room, com ladrilhos azuis e brancos que remetem à cerâmica do Oriente Médio.
Em Viena, o café do Kunsthistorisches Museum ocupa uma cúpula octogonal revestida de mármore, aberta na década de 1890, com vista para a histórica Maria-Theresien-Platz. Às quintas-feiras à noite, o espaço vira restaurante.
Kunsthistorisches Museum: Cúpula central do museu de Viena, com o café instalado sob arcos dourados e colunas de mármore (Divulgação)
Já o Café 1902, dentro do Petit Palais em Paris, funciona num prédio erguido para a Exposição Universal de 1900 e convertido em museu dois anos depois. O interior mistura madeira, mármore e trabalhos em vime, com detalhes em azul petróleo, e o jardim interno costuma ficar cheio nos dias de sol.
Café 1902: Salão do restaurante no Petit Palais, em Paris, com pé-direito duplo e mezanino (Divulgação)
Bar Luce: Balcão do café na Fondazione Prada, em Milão, projetado pelo diretor Wes Anderson (Divulgação)
Em Milão, o Bar Luce, dentro da Fondazione Prada, foi projetado pelo diretor de cinema Wes Anderson em 2015. Painéis de madeira em estilo retrô, fórmica verde-pistache e rosa e murais que reinterpretam a decoração da Galleria Vittorio Emanuele compõem um dos cafés mais fotografados da cidade.
O Louvre Abu Dhabi, projetado pelo arquiteto Jean Nouvel, reúne diferentes experiências gastronômicas sob a cúpula em treliça do museu, incluindo o café Trio e o Art Lounge, que abre no terraço nos meses mais frescos e é um dos pontos mais procurados da cidade para ver o pôr do sol.
Art Lounge: Terraço do Louvre Abu Dhabi sob a cúpula em treliça, projetada pelo arquiteto Jean Nouvel (Getty Images)
Em Barcelona, o Museu Nacional d'Art de Catalunya ocupa o Palau Nacional, erguido para a Exposição Internacional de 1929. O antigo salão do trono, em mármore, hoje abriga o Absis, restaurante com teto espelhado e inclinado e divisórias em madeira e dourado.
Absis: Salão do restaurante no Museu Nacional d'Art de Catalunya, em Barcelona, com afrescos originais e vista para a cidade (Divulgação)
Bacha Coffee: Pátio interno do café dentro do Dar El Bacha, em Marrakech, com jardineiras de porcelana azul e piso quadriculado (Divulgação)
Em Marrakech, o Bacha Coffee funciona dentro do Dar El Bacha, antiga residência do Pasha da cidade e hoje museu. O espaço tem telas vazadas, palmeiras em jardineiras e piso quadriculado, com mais de 200 variedades de café.
Em Singapura, a National Gallery, nos antigos prédios da Suprema Corte e da prefeitura, recebe o National Kitchen, da chef Violet Oon, com receitas tradicionais do país e influências chinesas, malaias e indianas, servidas num salão com detalhes em preto, dourado e verde-esmeralda.
National Kitchen by Violet Oon: Salão do restaurante na National Gallery, em Singapura, com paredes verdes, dourado e vitrais decorativos (Divulgação)
Já no Grande Museu Egípcio, na Giza, a marca francesa Ladurée assina um espaço com interior branco e dourado, lustres de cristal e murais panorâmicos, de onde é possível avistar as pirâmides.
Ladurée: Mesa do café dentro do Grande Museu Egípcio, na Giza, com vista para as pirâmides através de painéis de vidro (Divulgação)
Em Veneza, o café do Museo Correr fica no primeiro andar do prédio, com vista para a Piazza San Marco, pinturas clássicas nas paredes e piso de mármore em padrões geométricos.
Museo Correr: Salão do café no primeiro andar do museu, em Veneza, com afrescos, piso octogonal em mármore e vista para a Piazza San Marco (Divulgação)