Golden Glizzy leva caviar Ossetra, crème fraîche e ouro comestível em pão de croissant, vendido por 100 dólares, cerca de R$ 508 (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 15h39.
O cachorro-quente nasceu como comida de rua nos Estados Unidos, associado a preço baixo e ingredientes simples desde sua primeira aparição no calçadão de Coney Island. Ao longo de décadas, o prato carregou fama de opção rápida e pouco sofisticada, alvo de críticas de autoridades de saúde pública e desconfiança de pais mais atentos à alimentação dos filhos.
Essa reputação vem mudando em restaurantes, estádios e resorts de esqui espalhados pelo país. Parte das casas reinventa o clássico americano com ingredientes internacionais, enquanto outras o posicionam como item de fine dining, com preços que hoje passam da casa dos 500 reais. O levantamento sobre a tendência foi publicado pelo jornal The Wall Street Journal.
O Golden Glizzy, vendido por 100 dólares (cerca de R$ 508), leva crème fraîche, mascarpone, 30 gramas de caviar Ossetra e flocos de ouro comestível de 24 quilates, servidos em pão de croissant fresco. A criação da Golden Goat Caviar virou sensação durante o Grande Prêmio de Miami de Fórmula 1 e o Miami Open de tênis deste ano, protagonizando vídeos nas redes sociais e esgotando nos dois eventos.
Em entrevista ao WSJ, Keith Glickman, sócio-gerente da empresa, afirmou que uma lata do mesmo caviar Ossetra é vendida sozinha por 120 dólares, o equivalente a cerca de R$ 610, e que por isso costuma brincar dizendo que o cliente está levando uma pechincha ao comprar o item.
Uma versão menos onerosa da mesma lógica aparece no Bar Room at the Modern, restaurante dentro do Museu de Arte Moderna de Nova York. Por lá, dois mini cachorros-quentes com caviar e chalotas em conserva saem por 39 dólares, ou aproximadamente R$ 198.
Torre do Breckenridge Ski Resort reúne cachorros-quentes all-beef, molhos variados e batatas waffle por 60 dólares, cerca de R$ 305 (Reprodução/Instagram/Breckenridge Ski Resort)
Nas proximidades das pistas do Breckenridge Ski Resort, no Colorado, torres multiníveis inspiradas nas tradicionais torres de frutos do mar têm mudado a paisagem dos cardápios. A torre custa 60 dólares, o que corresponde a cerca de R$ 305, e inclui seis cachorros-quentes all-beef, seis molhos diferentes e batatas waffle.
O formato tem se espalhado por camarotes de estádios e bares de padrão elevado, caso do Alchemy Bistro & Bar, em Martha's Vineyard, que serve uma torre de quatro unidades com batatas fritas por 29 dólares, cerca de R$ 147, no cardápio noturno.
Já em Aspen Snowmass, uma operação ski-in/ski-out chamada Hot Dogger serve cachorros-quentes com coberturas como furikake, nori e molho de wasabi. Os preços variam de 11 a 16 dólares, entre R$ 56 e R$ 81, cerca de dez vezes o valor da combinação de cachorro-quente e refrigerante do Costco, mantida em 1,50 dólar, ou R$ 7,60, desde meados da década de 1980.
As redes sociais também alimentam a busca por versões mais extravagantes, em que parte do valor pago está ligada à possibilidade de exibir o produto online. Entre os exemplares que ganharam repercussão está um cachorro-quente de quase 60 centímetros, servido em pão de 48 centímetros no Coors Field, estádio de beisebol de Denver, por 45 dólares, cerca de R$ 229. O item foi batizado de Glizzilla, referência a "glizzy", apelido popular entre usuários do TikTok para o lanche.
Joey Chestnut, competidor de 42 anos e recordista com 18 títulos no Nathan's Famous International Hot Dog Eating Contest, disse ao WSJ que o alimento se tornou onipresente nos últimos anos e que boa parte do apelo, independentemente do preço cobrado, está ligada à memória afetiva construída com o prato desde a infância.