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Onitsuka Tiger deixará a Asics e será empresa independente em 2027

Com vendas em alta de 43% e quatro anos de lucro recorde, a marca japonesa ganha estrutura própria

Onitsuka Tiger Mexico 66: o modelo retrô é um dos responsáveis pelo crescimento de 43% nas vendas da marca (Edward Berthelot/Getty Images)

Onitsuka Tiger Mexico 66: o modelo retrô é um dos responsáveis pelo crescimento de 43% nas vendas da marca (Edward Berthelot/Getty Images)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 11 de junho de 2026 às 11h11.

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Em quase oito décadas de existência, a Onitsuka Tiger nunca vendeu tanto. Em 2025, as vendas da marca chegaram a 136,5 bilhões de ienes, aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,8 bilhões), alta de 43% sobre o ano anterior, impulsionadas pela demanda europeia, pelo turismo receptivo no Japão e pela desvalorização do iene. Foram quatro anos consecutivos de lucro recorde para a Asics. Na quarta-feira, 10, a empresa japonesa anunciou que vai separar a divisão de luxo da estrutura da matriz por meio de uma cisão societária, criando a OT Group Corp., uma subsidiária integral que assume o controle global da marca a partir de 1º de janeiro de 2027.

A operação consolida sob o OT Group não só o negócio central da Onitsuka Tiger, mas também as subsidiárias regionais nos países onde a marca já atua. A empresa opera hoje em aproximadamente 160 países, com cerca de 190 lojas próprias e 2.800 funcionários no grupo. Ryoji Shoda, indicado como CEO do novo grupo, afirmou que a meta é alcançar 200 bilhões de ienes em vendas anuais, algo em torno de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,4 bilhões). Yasuhito Hirota, presidente-executivo da Asics, descartou qualquer abertura de capital.

Por que agora

A separação resolve um problema que a marca carregava dentro de uma estrutura maior: a velocidade de decisão. "À medida que as organizações crescem demais, a tomada de decisões costuma ficar mais lenta, pois as aprovações se tornam mais complexas e demoradas", disse Tatsunori Kawai, estrategista-chefe da Mitsubishi UFJ ESmart Securities. A tensão entre os mundos da moda e do esporte já havia gerado consequências concretas: a Onitsuka Tiger saiu do mercado americano em 2023, em parte por divergências de abordagem entre a administração da Asics America e a da marca. Com a separação, o plano é retomar os Estados Unidos com mais autonomia.

A Asics, que concorre com Nike, Adidas e Puma, viu suas ações subirem cerca de sete vezes nos últimos cinco anos, chegando a um valor de mercado de aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 113 bilhões). As ações avançaram 2,7% na quarta-feira, enquanto o índice TOPIX recuava 0,7%. No primeiro trimestre de 2026, as vendas líquidas da Onitsuka Tiger já subiam 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 37,8 bilhões de ienes.

Expansão pelo mundo

Com a independência vem um plano intenso de abertura de lojas. A maior flagship da marca será inaugurada no bairro de Shinjuku, em Tóquio, no dia 10 de julho, seguida por uma unidade em Nagoya em agosto. Em fevereiro de 2027, a marca abre em Los Angeles. Xangai, Milão e Seul estão no cronograma até setembro. O OT Group adotou "Awaken the Senses" como filosofia corporativa e "Discover the Difference" como princípio orientador. O crescimento da Onitsuka Tiger nos últimos anos esteve ancorado em modelos de silhueta retrô, como o Mexico 66, e em colaborações com casas como Comme des Garçons e Versace.

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