Anfavea: mercado nacional de veículos pode ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014 (Divulgação)
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Publicado em 23 de agosto de 2026 às 12h02.
Os expressivos avanços conquistados em produção, vendas e exportações de veículos em 2026 parecem não ter animado o setor como deveriam.
Balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgado no início do mês revela que, entre janeiro e julho, a produção nacional subiu 8,3%, o que coloca o Brasil na segunda posição em crescimento entre os países produtores, atrás apenas da Índia, que avançou 14,5%.
Ainda de acordo com os números da representante dos fabricantes de veículos, foram 279,5 mil unidades emplacadas em julho. Maior volume do ano, corresponde a um incremento de 2,6% sobre o mês anterior e de 14,9% ante julho de 2025. Contabilizando-se os sete meses do ano, já são mais de 1,7 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus comercializados — montante 17,9% superior ao do mesmo período de 2025.
Embora no acumulado anual tenha havido um recuo de 20,8%, as vendas externas somaram 39,3 mil unidades em julho, ou 6,8% a mais do que se exportou em junho.
Se continuar assim, o mercado nacional de veículos pode ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014, prevê a Anfavea.
O que tem incomodado as fabricantes nacionais é o desembarque de 344,1 mil veículos importados no País, volume 25,7% superior às importações nos primeiros sete meses de 2025.
"Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos", reflete o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
De acordo com a Anfavea, os eletrificados tiveram participação recorde de 23,5% em julho; há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%.
Somente a China despachou 105,4% veículos a mais para o Brasil, entupindo os estoques: das 572 mil unidades acumuladas em junho, 409 mil correspondiam a importados, sobretudo chineses; no mês passado, o volume caiu para 522 mil no total, sendo 360 mil de veículos vindos de fora.
Entre janeiro e junho de 2025, os emplacamentos de carros chineses somaram 71 mil unidades. A estratégia comercial agressiva de empresas como a BYD e a chegada de novas marcas elevaram em 98,5% as vendas de carros vindos da China, somando 140,8 mil veículos entre janeiro e junho de 2026.
Recentemente, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu renovar as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, dando mais seis meses de fôlego para as fabricantes que ainda estão montando sua estrutura industrial no Brasil.
“Os estoques elevados precisam ser analisados dentro do contexto dos últimos meses. Havia um cronograma conhecido de recomposição do Imposto de Importação, que levou a alíquota dos veículos montados e também dos SKD a 35% a partir de 1º de julho. Isso criou um incentivo para antecipação de volumes antes da mudança tributária. Ao mesmo tempo, as marcas chinesas vêm ampliando de forma bastante rápida sua presença no Brasil, com crescimento relevante das importações e do portfólio disponível”, explica Murilo Briganti, COO da Bright Consulting.
“Essa combinação de antecipação, crescimento acelerado das importações e estratégia de ganho de participação ajuda a explicar o nível elevado de estoque. Quando há mais oferta do que o mercado consegue absorver no mesmo ritmo, aumenta a pressão por ações comerciais, descontos e condições de financiamento mais competitivas. No curto prazo isso favorece o consumidor e eleva a concorrência, mas, se persistir, pode pressionar margens e também ter efeitos sobre o valor residual dos veículos”, acrescenta Briganti.
Para Milad Kalume Neto,da K.Lume Consultoria, além da redução do valor residual dos veículos, há outra questão preocupante decorrente dos altos estoques: “as chinesas precisarão de um pós-venda robusto para dar conta de tantos carros vendidos”.
Quinze marcas chinesas comercializam carros no Brasil atualmente – BYD, Caoa Changan, Caoa Chery, Denza, Foton, GAC, Geely, GWM, JAC, Jetour, Leapmotor, Lotus, MG Motor, Omoda Jaecoo e Zeekr –, e mais duas chegarão na próxima, durante o Festival Interlagos.
Integrante do grupo Chery International, a iCaur estreará no mercado nacional com o SUV elétrico V27, que oferece até 1.200 quilômetros de autonomia e 405 cv de potência. A conterrânea Baic terá os modelos Arcfox T1 e Arcfox T5.