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Anfavea critica cota que isenta carros elétricos importados de imposto

Associação, que representa montadoras com produção no Brasil, deve entrar na Justiça contra benefício

Pátio de montadora em São Bernardo do Campo (Marcello Camargo/Agência Brasil)

Pátio de montadora em São Bernardo do Campo (Marcello Camargo/Agência Brasil)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 23 de junho de 2026 às 17h54.

Última atualização em 23 de junho de 2026 às 17h56.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) criticou a decisão do comitê gestor da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de criar uma nova cota de importação que isenta do imposto de importação os veículos elétricos parcialmente desmontados (SKD) e desmontados (CKD). A nova cota, de US$ 463 milhões e que vale até dezembro, atende a uma iniciativa da Casa Civil que, por sua vez, atende ao interesse comercial da chinesa BYD, de acordo com integrantes do governo Lula e executivos do setor automotivo.

Em nota pública, a associação que representa as montadoras com produção no Brasil disse ver com preocupação a decisão tomada nesta terça-feira, 23, pela Camex. A aprovação da cota foi antecipada pela EXAME. Para a Anfavea, a isenção "reduz os incentivos" para os investimentos em produção local no Brasil.

"A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias.
A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país", afirma a nota.

O presidente da Alfavea, Igor Calvet, já afirmou que a associação pretende entrar na Justiça para questionar a falta de transparência da medida.

"As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo. Agora, a mudança ocorre em detrimento do interesse de empresas e de milhares de trabalhadores espalhados por nove Estados do país", prossegue a nota da Anfavea.

O texto afirma que, ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, "o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas". O setor automotivo já havia anunciado aportes da ordem de R$ 140 bilhões no Brasil, valores que, de acordo com Calvet, podem ser negativamente impactados com a medida da Camex.

A associação também ressalta que a venda de veículos elétricos cresce de modo acelerado no país sem a cota de importação. "Novas marcas chegaram ao mercado, a oferta de veículos aumentou e os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025".

"A discussão deixou de ser como acelerar a entrada dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. O desafio agora é garantir que essa transformação gere mais produção local, desenvolvimento tecnológico, fornecedores, engenharia e agregação de valor no país", diz a nota.

Áreas técnicas foram contrárias

Como a EXAME noticiou, a decisão do comitê executivo da Camex foi tomada por iniciativa da Casa Civil da Presidência, mesmo com ressalvas das áreas técnicas da equipe econômica, especialmente dos ministérios como Fazenda e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), contrários ao benefício. Uma primeira cota similar, de mesmo valor, expirou em dezembro de 2025 e fez parte de um arranjo negociado por Geraldo Alckmin, em junho do ano passado, para resolver uma disputa comercial entre a BYD e a Anfavea.

Em contrapartida, o governo antecipou, à época da negociação levada a cabo por Alckmin, o cronograma de recomposição do imposto de importação desses veículos, que passaria a 35% em janeiro de 2027. Pelo cronograma, a alíquota de 35% já passaria a ser aplicada em julho deste ano para veículos importados (CBU) e para SKDs. Esse cronograma foi mantido.

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