Ube: tubérculo nativo das Filipinas está ganhando espaço nos menus (Maxime Petit/Getty Images)
Repórter de Casual
Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h32.
Ano após ano as tendências gastronômicas se renovam. Nos últimos tempos, o pistache e o matchá foram os protagonistas nos cardápios, de bebidas doces a alcoólicas, sobremesas e pratos salgados. Desta vez, o ube, tubérculo nativo das Filipinas está ganhando espaço nos menus.
O tubérculo semelhante a um inhame roxo tem sabor que lembra nozes e baunilha e deixou de ser nostalgia de imigrantes para virar tendência global.
A ascensão não é repentina. Chris Joseph, restaurateur filipino em Londres, serve o ingrediente há mais de uma década. Mas foi no último ano que a procura disparou. "O que vemos agora são pessoas entrando curiosas sobre o ube, pessoas que normalmente não veríamos", disse ele à CNBC. No seu restaurante Kasa and Kin, no Soho, o menu reúne desde latte de ube até cheesecake "tsunami" — com cascata de calda roxa.
Os números confirmam o apetite. Segundo a empresa de análise Datassential, as opções com ube cresceram 230% nos cardápios de restaurantes nos Estados Unidos nos últimos quatro anos e estão presentes em 95 redes, com previsão de expansão de 74% nos próximos quatro anos. Em 2024, o ingrediente foi eleito o "Sabor do Ano" no relatório anual da T. Hasegawa USA.
Tendência online: a hashtag de ube acumula cerca de 120 mil posts no TikTok e mais de 750 mil no Instagram (Sergio Amiti/Getty Images)
A grande virada veio com o apoio das grandes redes. A Starbucks lançou em 2025 edições limitadas como o Ube Iced Coconut Latte e o Ube Espresso Martini, ampliando a linha em 2026 com Ube Matcha Latte e Ube Vanilla Macchiato.
A rede britânica Costa e a americana Peet's também entraram na onda, segundo reportagens da CNBC e da CNN. Antes delas, em 2022, a Baskin-Robbins havia lançado o sorvete Ube Coconut Swirl — um marco para o ingrediente fora das comunidades filipinas.
A hashtag de ube acumula cerca de 120 mil posts no TikTok e mais de 750 mil no Instagram.O momento também é favorecido por uma mudança de comportamento: jovens estão bebendo menos álcool e migrando para a cultura do café elaborado.
O boom se reflete nas exportações. As Filipinas exportaram cerca de 1,7 milhão de quilos de produtos de ube em 2025, avaliados em mais de US$ 3,2 milhões — alta de 20% em relação ao ano anterior, segundo dados do Departamento de Comércio e Indústria do país compartilhados com a CNN. Os Estados Unidos absorveram quase metade do volume, o dobro do que importaram no ano anterior, superando Canadá, Austrália, Reino Unido, Holanda e Nova Zelândia juntos.
O problema está do outro lado da equação. A produção filipina de ube caiu de 14.150 toneladas em 2021 para 12.483 em 2025, segundo dados da Autoridade de Estatísticas das Filipinas citados pela CNBC. Mudanças climáticas tornaram o clima mais imprevisível, comprometendo o material de plantio. O país chegou a importar ube do Vietnã para suprir a demanda interna — mas, com a flutuação de tendências, em breve o ingrediente terá um substituto.