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O fotógrafo húngaro que transforma moda em teatro

Com cenários de papelão, luz natural e fundos pintados à mão, o húngaro de 34 anos clicou Rihanna, Cate Blanchett e Willem Dafoe e se tornou um dos nomes mais disputados pelas revistas de moda em 2026

Willem Dafoe com casinha de papelão inspirada numa foto de infância de Makó, em retrato de 2023 (Reprodução/Instagram)

Willem Dafoe com casinha de papelão inspirada numa foto de infância de Makó, em retrato de 2023 (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 10h02.

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Em um set de Szilveszter Makó, quase tudo o que aparece diante da câmera passou antes pelas mãos do próprio fotógrafo, dos fundos pintados com pincel às caixas de papelão recortadas, dobradas e coladas até virarem casas, molduras ou pedestais para quem está posando. A luz costuma ser a do dia, e a manipulação digital fica fora do processo.

Aos 34 anos, o húngaro radicado em Milão desenvolveu uma linguagem que se identifica de longe, com modelos posicionados como peças dentro de estruturas geométricas, tons ocres que lembram fotografias pintadas à mão e objetos fora de escala, como pratos gigantes de porcelana e sardinhas do tamanho de uma pessoa. Ele trabalha sem agência e assina também a direção de arte dos ensaios, do conceito à construção dos cenários, muitas vezes feitos com lençóis e materiais reaproveitados.

Do salão para o estúdio

O húngaro Szilveszter Makó, de 34 anos, que trocou a pintura pela fotografia e vive em Milão (Reprodução/Instagram)

Makó nasceu em Miskolc, cidade industrial no nordeste da Hungria, e cresceu na vizinha Lillafüred, onde estudou numa escola de pedagogia Waldorf cercada por montanhas. Antes da fotografia, quis ser pintor, mas achava o processo lento demais. Em 2007, aos 15 anos, cortava e tingia cabelos no estilo emo para os amigos e registrava cada resultado, e foi com o dinheiro desses cortes que comprou a primeira câmera.

Depois de estudar fotografia em Budapeste e em Florença, chegou a Milão há pouco mais de uma década por uma oportunidade que surgiu quase por acaso e começou a trabalhar como freelancer. Nos primeiros anos na cidade, fez um editorial encomendado pela Prada e fotografou os bastidores dos desfiles da Jil Sander durante três temporadas.

Um diretor de cena

Rihanna no ensaio de 18 páginas da estreia da EE72, de Edward Enninful, com fundos pintados pelo próprio fotógrafo (Reprodução/Instagram)

As referências que alimentam o trabalho vêm do Renascimento italiano, do Dadaísmo, da Bauhaus e do Surrealismo, mas também da memória pessoal. Quando fotografou Willem Dafoe para a edição italiana da GQ, em 2023, colocou na cabeça do ator uma casinha de papelão inspirada numa foto em que ele próprio aparece no jardim de infância usando um telhado parecido. Num ensaio recente com Rihanna, pintou os fundos à mão e desenhou diretamente sobre as imagens finais.

O fotógrafo também costuma reaproveitar adereços de um trabalho para outro, hábito que a revista Aperture, em perfil publicado em junho, relaciona à criação disciplinada que teve numa casa pós-comunista. Makó, que já falou publicamente sobre estar no espectro autista, explicou ao Models.com como enxerga a própria função no set. "Não gosto de me definir apenas como fotógrafo. Eu orquestro a cena inteira", disse.

Elle Fanning entre gatos pintados à mão, em cenário artesanal típico de Makó, que dispensa a manipulação digital (Reprodução/Instagram)

Esse método atraiu nomes como Cate Blanchett, Bad Bunny, Monica Bellucci, Solange, Anya Taylor-Joy e Michelle Yeoh, e desde agosto quatro edições internacionais da Vogue publicaram capas assinadas por ele.

Seis salas em Nova York

Daisy Edgar-Jones em retrato de luz natural, recurso que aproxima o trabalho de Makó da pintura renascentista (Reprodução/Instagram)

Em setembro, durante a semana de moda de Nova York, Makó levou seu universo para um espaço físico com Bauhaus Ballet, sua primeira exposição individual, organizada pelo clube de arte The Cultivist e pelo Capital One entre os dias 8 e 12. Distribuída em seis salas, a mostra reunia objetos e adereços dos ensaios, roupas de John Galliano, Richard Quinn, Marc Jacobs, Hodakova e da estilista húngara Dóra Abodi, além de cenários em que o público podia posar, como os pratos de porcelana e cabines fotográficas de inspiração antiga.

A agenda cheia também trouxe críticas. Depois de uma sequência de capas em poucas semanas, parte do público reclamou nas redes da repetição do estilo. Em coluna no It's Nice That, a designer Elizabeth Goodspeed respondeu lembrando que Makó é contratado justamente pela assinatura visual, e comparou a cobrança por novidade a pedir listras a Yayoi Kusama.

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