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Publicado em 23 de outubro de 2026 às 09h53.
Última atualização em 23 de outubro de 2026 às 11h11.
Em menos de um ano, a Estação Preço de Fábrica em Belém (PA) recebeu quase 570 toneladas de recicláveis e registrou cerca de R$ 385 mil em pagamentos a quem entregou os materiais. Mais de mil pessoas foram beneficiadas com o projeto, inaugurado em novembro de 2025.
Os resultados são de um modelo proposto pela ONG Ecos da Natureza e operacionalizado pela Green Mining, com a missão de levar o valor pago pela indústria para quem recolhe os resíduos. O projeto Estação Preço de Fábrica compra vidro, papelão, plástico, eletrodomésticos e outros recicláveis diretamente de catadores, cooperativas e moradores.
Nas estações, os materiais são pesados e registrados antes de seguir para a indústria recicladora. Todos recebem o mesmo preço por quilo de cada resíduo, independentemente da quantidade entregue. O pagamento é feito por Pix às sextas-feiras, sempre que o valor acumulado ultrapassar R$ 10.
“O apoio das empresas é fundamental para financiar toda a logística operacional, como a recepção, o armazenamento, a preparação e o transporte dos resíduos. Assim, esses custos não precisam ser descontados do valor do material, que é repassado aos catadores”, explica Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining. Ele afirma que o modelo busca enfrentar três obstáculos: custo logístico, demora no recebimento e diferença de poder de negociação entre pequenos coletores e grandes compradores. Um volume maior deixa de ser condição para receber o preço praticado na estação. “Todo o volume recebe o mesmo valor”, diz.
Uma das fontes desse financiamento é a Lei de Incentivo à Reciclagem. Ela permite que empresas tributadas pelo lucro real destinem até 1% do imposto de renda devido a projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O valor investido é integralmente abatido do imposto, respeitados os limites legais. A destinação pode ser feita até 31 de dezembro.
Para as empresas patrocinadoras, a operação também gera dados em tempo real. Um painel online mostra quanto foi coletado, quais materiais chegaram às unidades, quantas pessoas participaram e quanto foi pago. Além disso, todo o material é enviado diretamente às indústrias de reciclagem, com a rastreabilidade comprovada por nota fiscal, MTR (Manifesto de Transporte de Resíduo) e CDF (Certificação de Destinação Final).
Estação itinerante: projeto da Green Mining levará a compra de recicláveis a diferentes bairros de São Paulo (GREEN MINING /Divulgação)
A estação de Belém (PA) foi a primeira operação do projeto inaugurada com recursos da lei, em parceria com Grupo Boticário e Electrolux e com o apoio da prefeitura. Aberta durante a COP30, ela atende também a mais de 10 cooperativas e dispõe de estrutura complementar para receber grandes volumes e eletrodomésticos. Até outubro de 2026, tinha registrado mais de 14 mil entregas e atendido mil pessoas.
A diferença de preço ajuda a explicar a adesão. Oliveira conta que, na região, o vidro tinha poucas opções de comercialização. A estação passou a comprá-lo por mais de 60 centavos o quilo. “Lá nem se comprava vidro”, afirma.
Inauguração da Estação da Zona Leste, em São Paulo (SP) (GREEN MINING /Divulgação)
Em São Paulo (SP), a operação chegou ao Mercado Municipal Central Leste, na Zona Leste, com Unilever e Electrolux. Inaugurada em agosto, a unidade já recebeu mais de 10 toneladas de materiais, segundo dados de outubro. Uma versão itinerante, apoiada pela Coca-Cola FEMSA Brasil e por outros parceiros, está prevista para começar a circular pela cidade nas próximas semanas. Um caminhão fará atendimento em cinco mercados municipais.
Desde seu lançamento, no final de 2021, o projeto Estação Preço de Fábrica contabiliza unidades em cinco estados, com 8,5 mil toneladas de materiais recicláveis recebidos e cerca de R$ 7 milhões pagos a mais de 6 mil pessoas. Os números incluem unidades financiadas diretamente por empresas, além daquelas apoiadas pela lei.
A Ecos da Natureza tem projetos aprovados para localidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Porto Seguro e Curitiba, entre outras. Além de Grupo Boticário, Unilever, Electrolux e Coca-Cola FEMSA Brasil, outras marcas já vêm selecionando o projeto para receber apoio pela lei de incentivo.
A Green Mining pretende continuar expandindo a Estação Preço de Fábrica e seu impacto ambiental e social pelo Brasil. Para alcançar a meta, busca novos patrocinadores. Empresas interessadas em apoiar os projetos por meio da Lei de Incentivo à Reciclagem podem consultar as iniciativas aprovadas, avaliar quanto do imposto devido podem destinar e obter mais informações pelo e-mail lir@greenmining.com.br.