Casual

A elite da geração Z virou a maior compradora de arte

Pesquisa da Art Basel e do UBS mostra que a geração Z gasta mais que o dobro das demais faixas etárias com obras, herda o hábito da família e prefere expor seus acervos apenas a convidados

Entre os jovens colecionadores, 80% fazem pesquisa própria antes de comprar uma obra (Pexels)

Entre os jovens colecionadores, 80% fazem pesquisa própria antes de comprar uma obra (Pexels)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 13 de outubro de 2026 às 06h18.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreArte
Saiba mais

Boa parte dos colecionadores de arte mais jovens do mundo aprendeu a comprar obras dentro de casa. Entre os integrantes da geração Z com alto patrimônio, 40% entraram no mercado por influência da família, seja por convivência com um acervo já existente ou por incentivo de pais e avós, e quase 90% dos que herdaram peças decidiram mantê-las. Os dados fazem parte do Art Basel and UBS Survey of Global Collecting 2026, divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro.

Conduzido pela economista Clare McAndrew, fundadora da consultoria Arts Economics, o levantamento ouviu 3,1 mil colecionadores de alta renda em dez mercados, incluindo Brasil, Estados Unidos, China continental, França e Japão. O resultado coloca os mais jovens no topo do ranking de gastos, com média de US$ 347.460 (cerca de R$ 1,8 milhão) investidos em arte em 2025, alta de 19% em relação a 2024. O valor é mais que o dobro do registrado por qualquer outra geração e quase três vezes a média geral da amostra, de US$ 124.265 (aproximadamente R$ 640 mil).

Pintura no início do acervo

Pintura e escultura seguem como os suportes preferidos da geração Z, segundo a Art Basel e o UBS (Pexels)

Mesmo com a presença crescente da arte digital no mercado, os suportes tradicionais seguem como ponto de partida das coleções. A pintura aparece entre as três primeiras compras de 43% dos entrevistados, seguida pela escultura, citada por 25%. Para Paul Donovan, economista-chefe do UBS Global Wealth Management, a preferência dos jovens por esses formatos indica que o gosto estético varia menos entre gerações do que se imagina, enquanto a forma de colecionar se transforma. Segundo ele, os números confirmam que a chamada Grande Transferência de Riqueza, a passagem de patrimônio entre gerações, já está em andamento.

A geração Z também concentra boa parte das aquisições mais caras. Somente 1% dos colecionadores comprou uma obra acima de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, e quase metade desses compradores pertence ao grupo. No mesmo período, 13% dos jovens somaram mais de US$ 1 milhão em compras de arte, contra 3% do total de entrevistados. O apetite se estende a outras categorias, como antiguidades, design e joias. Neste último segmento, o gasto médio da geração Z chegou a US$ 151.310 (por volta de R$ 780 mil), mais de cinco vezes o da geração X, segunda colocada, com US$ 29.500 (cerca de R$ 152 mil).

Exposição só para convidados

A edição deste ano incluiu pela primeira vez perguntas sobre privacidade, e os mais jovens se revelaram os mais discretos entre todas as faixas etárias. Cerca de 39% da geração Z restringe o acesso presencial às obras a familiares e amigos próximos, quase o dobro da proporção vista nos outros grupos, e 36% mantêm em círculos privados o conteúdo online sobre a coleção.

Quando decidem mostrar o acervo, 42% optam por grupos fechados ou por convite. McAndrew observa no relatório que, para esse público, o prestígio de uma coleção depende mais de raridade, procedência e originalidade do que do preço pago. A raridade, aliás, é o atributo mais valorizado por 48% dos jovens, contra 38% dos baby boomers.

Inteligência artificial na curadoria

Antes de fechar uma compra, 80% dos colecionadores da geração Z fazem pesquisa moderada ou aprofundada por conta própria, acima dos 72% registrados no conjunto da amostra. Ferramentas de inteligência artificial e aplicativos passaram a orientar 22% dos entrevistados, ante 4% em 2024, e Instagram ou X são citados como fonte de recomendação por 32%, com uso mais intenso entre jovens e mulheres. A geração Z também arrisca mais em nomes pouco conhecidos, e 56% compraram obras de artistas recém-descobertos, enquanto entre os boomers o índice fica em 36%.

A circulação presencial continua relevante para o grupo. Em 2025, os jovens colecionadores frequentaram em média 51 eventos de arte, entre feiras, leilões e exposições, atrás apenas dos boomers, com 56. Entre os planos filantrópicos da geração Z, o mais citado é a criação de uma fundação ou museu privado, mencionado por 29% dos entrevistados.

Acompanhe tudo sobre:ArteGeração Z

Mais de Casual

Festival do Rio: 'A Margem do Rio' e 'Vicentina Pede Desculpas' vencem prêmios principais

Linha Range Rover Sport ganha versão de mais de R$ 1 milhão no Brasil; conheça

Japão passa os EUA e volta ao topo do ranking mundial de turismo

Uma agulha e gás argônio: a nova forma de servir vinho sem tirar a rolha