Casual

Após Arnault e Mbappé, Nike apresenta tênis que pode ser seu salva-vidas

Alphafly 4 chega em uma semana marcada pela saída da empresa do S&P 100, pela ida de Mbappé para a On e pela entrada de Alexandre Arnault no conselho

Alphafly 4 chega em meio à saída da Nike do S&P 100, à ida de Mbappé para a On e à entrada de Alexandre Arnault no conselho (Divulgação)

Alphafly 4 chega em meio à saída da Nike do S&P 100, à ida de Mbappé para a On e à entrada de Alexandre Arnault no conselho (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 11h00.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreModa
Saiba mais

A Nike colocou à venda no dia 17 de setembro a quarta geração do Alphafly, seu tênis de alta performance para maratonas, em um lote limitado que esgotou no mesmo dia pelo site da marca. O preço oficial nos Estados Unidos é de US$ 280 (cerca de R$ 1.454), abaixo do cobrado pela versão anterior, e alguns pares já apareceram no eBay com pedidos de até US$ 1.400 (R$ 7,3 mil).

O lançamento veio no meio de uma sequência de notícias pouco favoráveis para a empresa americana, que perdeu o atacante Kylian Mbappé para a suíça On, deixou o índice S&P 100 e levou Alexandre Arnault, filho de Bernard Arnault, presidente da LVMH, para o seu conselho de administração. Em meio à pressão, a corrida segue como uma das poucas áreas em alta no portfólio, com cinco trimestres consecutivos de crescimento de dois dígitos e cerca de US$ 1 bilhão adicionados à receita, segundo o CEO Elliott Hill.

O que muda no tênis

Alphafly 4 - Nike

Protótipo do modelo foi usado por Jacob Kiplimo em Londres, onde o recorde abaixo de duas horas ficou com um atleta da Adidas (Divulgação)

Segundo a Nike, o Alphafly 4 é 5% mais leve e tem 10% mais retorno de energia que o antecessor. A entressola combina a espuma ZoomX com a nova ZoomX LT, até 17% mais leve, e mantém a placa de carbono Flyplate e as unidades Air Zoom.

O modelo ganhou ainda cabedal em Atomknit e antepé mais largo, e chega às lojas, ao site da marca e a varejistas parceiros em 29 de outubro, depois de uma venda em Chicago nos dias que antecedem a maratona da cidade, marcada para 11 de outubro.

Reforço no conselho

Alexandre Arnault

Alexandre Arnault, de 34 anos, é o novo nome no conselho da Nike. Ele acumula passagens por Rimowa, Tiffany e Moët Hennessy (Divulgação)

Arnault, de 34 anos, assumiu em 15 de setembro uma cadeira no conselho, que passou a ter 12 integrantes. Vice-CEO da Moët Hennessy, divisão de vinhos e destilados da LVMH, desde fevereiro de 2025, ele passou quatro anos como vice-presidente executivo de produto e comunicação da Tiffany & Co. e comandou a Rimowa depois da compra da marca de malas pelo grupo francês. Ao anunciar a nomeação, Hill destacou a experiência do executivo em inovação, transformação digital e construção de marca.

A chegada coincidiu com a saída da Nike do S&P 100 em 21 de setembro, depois de quase 18 anos no índice. As ações da companhia acumulam queda superior a 40% em 2026, e o valor de mercado encolheu cerca de US$ 200 bilhões desde o pico, em 2021. No quarto trimestre fiscal, encerrado em 31 de maio, a receita caiu 1%, para US$ 11 bilhões.

Mbappé na On

Em 18 de setembro, a On anunciou Mbappé como embaixador global e rosto de sua estreia no futebol, encerrando uma relação do jogador com a Nike que vinha desde 2006. O acordo, com valores não divulgados, inclui dinheiro e participação acionária, modelo parecido com o adotado com Roger Federer em 2019. Thierry Henry foi confirmado como diretor de futebol da marca, que pretende lançar suas primeiras chuteiras em 2027. Dois dias depois, no clássico contra o Atlético de Madrid, o francês ainda entrou em campo com chuteiras Mercurial, da Nike, totalmente brancas.

No evento com investidores realizado em Zurique no dia 22, a On anunciou a entrada no golfe, a meta de alcançar ao menos 5,6 bilhões de francos suíços (R$ 35,3 bilhões) em vendas líquidas até 2029 e um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O recorde que escapou

Na corrida de rua, o revés mais recente da Nike aconteceu em 26 de abril, quando o queniano Sabastian Sawe venceu a Maratona de Londres em 1h59min30s e se tornou o primeiro atleta a completar a distância abaixo de duas horas em uma prova válida para recorde, usando o Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas. O ugandense Jacob Kiplimo, terceiro colocado com 2h00min28s, corria com um protótipo do Alphafly 4.

Em entrevista ao Business of Fashion, Bret Schoolmeester, vice-presidente da categoria de corrida da Nike, chamou a derrota de "um soco na cara" e contou que foi ao Quênia em julho trabalhar com Kiplimo na próxima versão dos calçados. "Há dez anos, tínhamos uma vantagem enorme, e isso inspirou as pessoas a correr atrás. Agora, nosso trabalho é manter e ampliar essa liderança", disse.

Acompanhe tudo sobre:Tênis (calçado)NikeModa

Mais de Casual

Por que as marcas de moda estão olhando para a gastronomia

De cópia a referência mundial: o carro chinês virou o padrão

Brasil emplaca 12 endereços entre as melhores cafeterias da América do Sul

As lições do golfe para a vida de Claude Harmon III