Look do desfile: referência do passado (Ferragamo/Divulgação)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 17h23.
A grife italiana Ferragamo apresentou na Semana de Moda de Milão sua coleção primavera-verão 2027, criada por Maximilian Davis com inspiração nos códigos de vestimenta feminina dos anos 1940. A coleção combina alfaiataria acinturada, referências militares, drapeados, surrealismo e novas versões de calçados e bolsas históricas da marca.
A década de 1940 foi a época em que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho. E os códigos de vestimenta foram adaptados a esse novo momento. Essa foi a inspiração de Maximilian Davis para a a coleção primavera-verão 2027 da Ferragamo, que acaba de ser apresentada na Semana de Moda de Milão.
Davis dá assim continuidade à investigação que vem conduzindo desde que assumiu a direção criativa da Ferragamo, de como o vestuário do século 20 contou histórias de libertação. Desta vez, o diretor criativo volta o olhar para essa primeira metade do século passado e revisita seus códigos através da linguagem que já consolidou na maison italiana.
Modelo no desfile: transparência (Ferragamo/Divulgação)
A década escolhida é a do ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, e o vocabulário sóbrio dos uniformes e das roupas de trabalho da época surge na coleção destilado à sua essência, depurado, refinado e reinterpretado sob uma lente contemporânea.
"Foi um período em que as roupas e sua estrutura criavam um tipo de postura e um sentido de decoro. Até mesmo a posição de um bolso podia definir a maneira como alguém se portava e se comportava", explica Davis. "Quis incorporar elementos daquela silhueta e modernizá-los para os dias de hoje."
Sob essa perspectiva, a alfaiataria de cintura alta e corte rente ao corpo ganha silhueta marcadamente acinturada, com cintos statement de fechamento duplo, enquanto bolsos de inspiração militar aparecem aplicados a saias lápis e peças de outerwear.
Coletes utilitários são usados sob a alfaiataria, e as saias dos trench coats se abrem com elegância. A confecção também introduz lampejos de fetichismo na coleção — nos tons clínicos da borracha translúcida, nas camisas de couro, nas gravatas confeccionadas em píton de acabamento brilhante.
Em contraponto, os drapeados que já se tornaram característicos da abordagem de Davis para o scarf dressing conferem fluidez ao rigor da silhueta dos anos 1940, expressos em sedas etéreas entrelaçadas, caudas de couro e vestidos drapeados bordados com paetês.
O surrealismo, que há muito fascina o diretor criativo, reaparece como motivo recorrente. Nessa linha, a exploração das musas desse movimento inspira a pátina dos couros desbotados pelo sol, os tecidos naturais e as estampas que remetem à topografia da paisagem. "Fui inspirado pelas mulheres daquela época que assumiam o controle de suas próprias narrativas, que eram retratadas, mas que também viajavam pelo mundo para criar suas próprias imagens", diz Davis.
Nos calçados, a silhueta escultural do "F wedge", criada originalmente por Salvatore Ferragamo em 1947, inspira o salto curvo de stilettos adornados com uma nova interpretação do icônico laço Vara, além de uma mule de cetim ornamentada com joalheria de influência art déco.
Outra evolução do "F wedge", por vezes apresentada com um salto contrastante que cria uma ilusão de ótica, também eleva sandálias e slingbacks de linhas depuradas e lineares. Na coleção masculina, a elegância de um sapato double monk strap aparece ao lado de um slipper em napa macia e de uma versão de acabamento polido, decorada com bordado na região dos dedos.
Nos acessórios, a Ferragamo Cara Bag, cujo desenho gracioso e construção sanfonada unem forma e funcionalidade, ganha interpretação em couro sazonal e em suede nas coleções feminina e masculina. Já a icônica Ferragamo Hug Bag tem suas proporções reformuladas em uma nova versão da silhueta East-West, e surge também confeccionada em um novo tecido de seda dupla com efeito amassado.
A coleção primavera-verão 2027 da Ferragamo revisita os códigos de vestimenta dos anos 1940, período marcado pelo ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho. Segundo Maximilian Davis, a proposta moderniza silhuetas que transmitiam postura e decoro.
As roupas apresentam alfaiataria de cintura alta, cortes rentes ao corpo, silhuetas acinturadas e bolsos de inspiração militar. Coletes utilitários, trench coats, camisas de couro e gravatas de píton também integram a coleção.
Maximilian Davis contrapôs o rigor das silhuetas dos anos 1940 com drapeados inspirados no scarf dressing. A abordagem aparece em sedas etéreas entrelaçadas, caudas de couro e vestidos drapeados com bordados de paetês.
O surrealismo aparece nos couros com aspecto desbotado pelo sol, nos tecidos naturais e nas estampas inspiradas na topografia da paisagem. Davis afirma que buscou referências em mulheres da época que assumiram o controle de suas narrativas e criaram as próprias imagens.
O histórico F wedge, criado por Salvatore Ferragamo em 1947, inspira saltos curvos de stilettos, sandálias e slingbacks. A coleção também traz uma nova interpretação do laço Vara e uma mule de cetim com joalheria de influência art déco.
A Ferragamo Cara Bag surge em couro sazonal e suede nas coleções feminina e masculina. A Ferragamo Hug Bag recebe novas proporções na silhueta East-West e uma versão em tecido de seda dupla com efeito amassado.