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Nike usa Copa do Mundo para virar o jogo de vez

Marca americana tem mais equipes vivas no mata-mata que Adidas e Puma e aposta na campanha ‘Rip the Script’ para recuperar espaço no mercado global

Camisa da seleção dos Estados Unidos, patrocinada pela Nike, uma das marcas na disputa por espaço na Copa do Mundo de 2026 (Divulgação)

Camisa da seleção dos Estados Unidos, patrocinada pela Nike, uma das marcas na disputa por espaço na Copa do Mundo de 2026 (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 3 de julho de 2026 às 13h39.

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A fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026 reorganizou a disputa silenciosa que acontece fora de campo entre as fabricantes de material esportivo. Com 48 seleções e mais de 100 partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, o torneio se tornou também uma vitrine para Nike, Adidas e Puma, que vestem a maior parte das equipes classificadas.

Até a fase de grupos, Adidas tinha a maior quantidade de seleções patrocinadas e liderava a corrida. O cenário mudou na primeira rodada eliminatória, quando a marca alemã perdeu quatro equipes de uma só vez.

Nike assume a ponta

A Nike começou o torneio com 12 seleções. Coreia do Sul, Turquia e Uruguai caíram ainda na fase de grupos, e a Holanda foi eliminada pelo Marrocos nos pênaltis. Ainda assim, a marca chega às oitavas de final com oito equipes vivas, entre elas a França, apontada como uma das favoritas ao título.

A Adidas, que começou com 14 seleções, folga entre as ligas do mundo, mas viu Alemanha, África do Sul, Japão e Suécia deixarem a competição justamente na virada para o mata-mata. Restam seis equipes, incluindo a Argentina de Messi e a Espanha, tradicional candidata ao título.

A surpresa fica por conta da Puma, que iniciou o torneio com 11 seleções e perdeu apenas três até agora. A marca soma muitos empates, mas tem dificuldade nos confrontos diretos contra Nike e Adidas, com média de 0,88 ponto por partida nesses duelos específicos.

Fora do trio principal, a Capelli patrocina Cabo Verde, ainda sem vitória diante da Argentina até a última rodada disputada. Umbro e Kelme também seguem representadas, com República Democrática do Congo e Bósnia e Herzegovina, respectivamente.

Artilharia e próximos confrontos

O atacante francês número 10, Kylian Mbappé, reage durante a partida de futebol das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entre França e Suécia, no Estádio Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, em 30 de junho de 2026. (Foto de ANGELA WEISS / AFP)

Kylian Mbappé: o atacante francês marcou duas vezes contra a Suécia e chegou a marca de 18 gols em Copas do Mundo (ANGELA WEISS / AFP)

No quesito gols, a Nike segue à frente, impulsionada pelas atuações de Kylian Mbappé e Erling Haaland. A Adidas depende fortemente de Messi, enquanto a melhor aposta da Puma para a artilharia era Ismaïla Sarr, do Senegal, já eliminado. Cristiano Ronaldo, vestindo Puma por Portugal, soma apenas dois gols e ainda não balançou as redes em jogos de mata-mata de Copas.

Até agora, Nike e Adidas não se enfrentaram diretamente em nenhuma partida entre equipes ainda vivas na competição. Isso muda nas oitavas de final, com os confrontos entre México e Inglaterra e entre Estados Unidos e Bélgica.

A aposta por trás do resultado

Campanha

Campanha "Rip the Script" reúne Mbappé, Ronaldo, Vinicius Junior e Haaland em peças que misturam humor e performance (Divulgação)

O desempenho em campo acontece em paralelo a um movimento mais amplo da Nike fora dele. A marca apresentou nesta Copa a campanha ‘Rip the Script’, construída a partir de conversas com centenas de jogadores profissionais. Segundo Helena Thornton, vice-presidente global de gestão de marca da Nike, para a WWD os atletas relataram cansaço de fórmulas prontas de marketing esportivo e pediram mais espaço para seguir o instinto dentro e fora de campo.

A campanha reúne jogadores de elite e figuras da cultura pop em torno de uma narrativa cinematográfica, pensada para alcançar também o público que acompanha a Copa de forma mais casual. Thornton afirma que a intenção não é aparecer apenas durante as semanas de torneio, e sim usar o momento como catalisador de um trabalho de longo prazo, citando investimentos de base como a plataforma Toma, voltada ao futebol de rua.

Para a executiva, o apelo global do futebol ajuda a explicar o momento. Segundo ela, o esporte funciona como ponto de conexão em um período em que as pessoas buscam identificação coletiva, e a Copa amplia esse efeito por reunir públicos de diferentes países em torno de uma mesma competição.

Internamente, a Nike descreve grandes eventos esportivos como oportunidade para reunir equipes de diferentes áreas da companhia em torno de discussões sobre inovação de produto, além de marketing. A companhia atravessa um momento de recuperação de resultados, e a Copa aparece como um dos pontos centrais dessa estratégia neste ano.

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