Publicado em 4 de agosto de 2026 às 08h34.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 13h35.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, 4, uma nova fase da Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de fraudes em descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação mira movimentações financeiras e patrimoniais que, segundo a PF, podem ter sido utilizadas para ocultar a origem e a destinação de recursos supostamente desviados. Segundo apurado pela EXAME, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) não é alvo direto da operação, mas familiares dele estão entre os investigados. O advogado Willer Tomaz também é alvo de mandados.
Horas depois, o parlamentar respondeu em nota que não se renderá à "dureza do jogo político" e que "todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal". O senador já havia sido alvo da Operação Sem Desconto no ano passado.
"Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques", disse Weverton Rocha. "Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava, que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família, e até apoiadores políticos."
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas, em tese, por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie.
De acordo com a corporação, o objetivo dessas operações seria ocultar a origem e o destino dos recursos supostamente obtidos no esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
As investigações continuam para esclarecer a origem do dinheiro, o destino dos repasses e a responsabilidade individual dos envolvidos.
Apesar de não ser alvo direto da operação desta terça-feira, Rocha já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro do ano passado em outra fase da Operação Sem Desconto.
Na ocasião, a Polícia Federal afirmou que o senador teria se beneficiado de recursos desviados do INSS e o apontou como uma das lideranças ligadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", considerado peça-chave no esquema.
O senador negou irregularidades e afirmou, na época, que recebeu a decisão com surpresa e que prestaria os esclarecimentos necessários.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de cobranças associativas não autorizadas diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a Polícia Federal, um dos inquéritos já concluídos aponta que a organização criminosa desviou mais de R$ 708 milhões, recursos que teriam sido direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Entre os indiciados nesse inquérito estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, além de ex-dirigentes do instituto e do Ministério da Previdência.
As investigações sobre outras entidades e demais núcleos do esquema continuam em procedimentos separados.