Renderização da fachada e entorno do Paço de São Cristóvão após a reconstrução, com o Estádio Maracanã ao fundo (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 11 de junho de 2026 às 07h22.
Quase oito anos depois do incêndio que destruiu o prédio e cerca de 20 milhões de peças, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, começa a revelar o que será a sua nova face. O projeto arquitetônico de reconstrução do Paço de São Cristóvão, desenvolvido pelo consórcio H+F Arquitetos e Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano, aponta para uma transformação profunda: se antes apenas um terço do edifício era destinado a exposições, na reabertura, prevista para 2029, praticamente todo o palácio histórico será ocupado por galerias, espaços educativos e áreas de visitação.
A concepção partiu de uma premissa incomum para uma reconstrução: tratar o próprio edifício como parte do acervo. As obras revelaram elementos que permaneciam ocultos há décadas ou séculos. Entre eles, pisos originais de pedra, vestígios da antiga capela, pinturas decorativas em stencil e detalhes em Stucco Marmo azul e vermelho encontrados sob camadas de tinta. Uma cisterna histórica descoberta inteira durante as escavações também será integrada ao percurso.
Renderização da escadaria monumental do Museu Nacional com o esqueleto de cachalote de 15,7 metros suspenso sob a claraboia restaurada (Divulgação)
O local onde o incêndio teve início em 2018, onde três pavimentos colapsaram e as vigas ficaram retorcidas, será preservado como espaço de memória. Já o acervo do museu reconstruído terá três origens. Das 1.815 peças recuperadas dos escombros, fazem parte fragmentos do crânio de Luzia e o Meteorito de Bendegó, de 5,6 toneladas, que resistiu praticamente intacto às chamas.
A isso se somam mais de 14 mil peças recebidas por doação, entre elas o Manto Tupinambá do século 16, devolvido pelo Museu Real da Dinamarca, e as coleções científicas preservadas em prédios anexos que não foram atingidos pelo fogo.
Uma atração inédita será o esqueleto de uma baleia cachalote de 15,7 metros, que ficará suspenso sob a claraboia restaurada da escadaria monumental.
Renderização do pátio interno do Paço de São Cristóvão após a reconstrução, com nova cobertura de vidro projetada pelo consórcio H+F Arquitetos e Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano (Divulgação)
A reconstrução, estimada em R$ 520 milhões, ainda depende de R$ 170 milhões a captar. O prazo já foi adiado duas vezes, e o incêndio completa oito anos em setembro. "A minha esperança é que as pessoas percebam que vão encontrar um outro Museu Nacional, que não é uma versão ferida daquele antes do incêndio. É uma outra versão, com algumas perdas e alguns ganhos", disse o arquiteto Pablo Hereñú, coordenador do projeto.