Fachada do Guggenheim Abu Dhabi, projetado por Frank Gehry, na Ilha Saadiyat. O museu abre em 11 de dezembro de 2026 (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 07h06.
O Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi confirmou que o Guggenheim Abu Dhabi abre as portas em 11 de dezembro de 2026, na Ilha Saadiyat. A data marca o fim de um dos ciclos mais longos da arquitetura de museus recente, quase vinte anos depois do anúncio original do projeto, em 2006.
O edifício foi concebido pelo arquiteto canadense-americano Frank Gehry, vencedor do Prêmio Pritzker em 1989 e responsável por obras como o Museu Guggenheim Bilbau e o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles. Gehry morreu em 5 de dezembro de 2025, aos 96 anos, em sua casa em Santa Monica, na Califórnia, após uma breve doença respiratória. A abertura em Abu Dhabi acontece pouco mais de um ano depois de sua morte e coloca o museu entre os últimos grandes trabalhos do arquiteto a sair do papel.
Vista lateral do complexo, marcado pelos volumes cônicos que chegam a 88 metros de altura (Divulgação)
A construção começou em 2011 e foi suspensa ainda naquele ano, em meio a dificuldades econômicas e mudanças nos termos contratuais. As obras só foram retomadas em 2019, e o cronograma de conclusão passou por sucessivos adiamentos, de 2012 para 2017, depois 2022 e, mais recentemente, 2025. A paralisação inicial também esteve associada a um manifesto assinado por mais de 130 artistas internacionais que pediam boicote ao museu e ao Louvre Abu Dhabi, então também em construção, por causa de denúncias sobre condições de trabalho nos canteiros da Ilha Saadiyat.
Com a inauguração marcada, o Guggenheim Abu Dhabi se torna a quarta unidade da rede da Fundação Solomon R. Guggenheim, ao lado de Nova York, Veneza e Bilbao, e a maior delas em área construída. O governo de Abu Dhabi investiu mais de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,08 bilhões na cotação atual, na construção do complexo, que ocupa 80 mil m², dos quais 11,6 mil m² são galerias internas e 23 mil m² espaços expositivos ao ar livre.
Entorno do museu, que integra o distrito cultural da Ilha Saadiyat ao lado do Louvre Abu Dhabi (Divulgação)
A arquitetura do museu se organiza em torno de dez volumes cônicos que chegam a 88 metros de altura e formam um perfil irregular sobre um átrio central, ao qual se conectam as 30 galerias. Nove cones são revestidos por malha de aço inoxidável, pensada para gerar sombra e favorecer a circulação natural do ar no clima do Golfo Pérsico. O décimo volume combina painéis de ônix e vidro.O complexo reúne ainda um centro dedicado a arte e tecnologia, espaços para atividades infantis, arquivos, biblioteca e laboratório de conservação.
O museu forma seu acervo desde 2009, com peças de arte moderna e contemporânea a partir da década de 1960, com atenção a artistas do Oeste da Ásia, do Norte da África e do Sul da Ásia, sem deixar de lado a produção internacional. Em vez de uma organização cronológica, a curadoria vai reunir as obras por afinidades temáticas e geográficas, com núcleos como abstração, cultura popular, território, linguagem e narrativa. As obras adquiridas pertencem ao governo de Abu Dhabi, e as decisões sobre curadoria e gestão cabem em conjunto à Fundação Guggenheim e ao Departamento de Cultura e Turismo local.
A diretora e CEO da Fundação Solomon R. Guggenheim, Mariët Westermann, afirmou em comunicado que o museu será um ponto de conexão e um espaço de curiosidade para pessoas dos Emirados Árabes Unidos e de outras partes do mundo.
O Guggenheim Abu Dhabi ocupa um terreno à beira-mar na ponta noroeste da Ilha Saadiyat, distrito que o governo dos Emirados Árabes Unidos vem consolidando como polo cultural da região. Nos arredores já estão o Louvre Abu Dhabi, aberto em 2017, e o Museu Nacional Zayed, que integra o mesmo projeto urbanístico voltado à concentração de instituições de arte e história em um único trecho da ilha.