Fim das Labubus? Não como você pensa (Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 16h40.
Quem caminhou por semanas de moda em 2025 ou acompanhou o feed das redes sociais percebeu: o Labubu estava em todo lugar. Pequeno, monstruoso e pendurado em bolsas e mochilas, o personagem ganhou o status de ícone. Mas, como todo fenômeno fashion, seu reinado teve prazo de validade — ou quase isso.
De olho nas tendências, a ascensão do Labubu como sinônimo de moda incomodou um bocado as grifes de luxo. A chinesa Pop Mart, fabricante dos "monstrinhos", viu as ações quadruplicarem na bolsa de Hong Kong em 2024 e a empresa chegar, em 2025, a um conglomerado de US$ 42 bilhões. A bolha parece ter estourado no começo de 2026, com queda dos ativos da companhia e desaceleração de vendas, mas o império está de pé (e com boa fundação).
Em um ciclo cada vez mais acelerado, no entanto, o espaço deixado pelo acessório viral já começa a ser ocupado por novas apostas. E é aí que entram as marcas de luxo com a próxima febre: as bonecas e bichinhos.
Teddy, ursinho de pelúcia da Prada (Prada/Divulgação)
O consumo de acessórios infantis despertou uma resposta no mercado. É um movimento que faz parte da onda maximalista, contrário ao minimalismo que dominou as passarelas e redes sociais nos últimos anos. No lugar das já reconhecidas clean girls — maquiagens mais simples, de cores discretas, penteados justos e peças lisas, sem grandes estampas —, entraram os estilos exagerados. Estampas nas partes de cima e de baixo, acessórios grandes e chamativos, tecidos pesados. E pelúcias penduradas nos looks, para completar o estilo.
Apesar da queda dos Labubus, a procura por "penduricalhos" para uma composição maximalista continua em alta e o mercado de luxo está de olho. A Prada foi uma das primeiras a entrar na moda: apresentou uma linha própria de ursinhos de pelúcia vestidos com versões miniaturas de peças da marca. O projeto, batizado de “Teddy”, já aparece em vitrines digitais como objeto de desejo — com preços que ultrapassam R$ 5 mil por unidade. A tiragem é limitada.
Harry, bonequinho de pelúcia da Fendi (Fendi/Divulgação)
A Fendi seguiu outro caminho e criou um elenco próprio de personagens. Harry, Filippo, Tim e Jinny são alguns dos nomes que compõem o novo universo da marca italiana. Com expressões únicas, estilos definidos e até acessórios próprios, os bonecos foram além da estética — cada um representa uma faceta do imaginário da grife. A escala também impressiona. Alguns modelos têm o mesmo tamanho (ou até mais) que as bolsas da própria marca.
A aposta sugere que a tendência vai muito além de um modismo passageiro. O ciclo iniciado por um monstrinho viral abriu espaço para uma nova categoria de consumo: o acessório de afeto com aura de luxo. Se antes eram apenas enfeites, agora esses personagens se tornam peças centrais da narrativa das marcas. E o público responde com empolgação.
Uma das explicações para a ascensão de Labubus e, agora, bichinhos de luxo, está no padrão de vestimenta das novas gerações. Se os Millennials tinham morriam de medo do "mico" de parecerem mais jovens do que realmente eram no início dos anos 2000, a Geração Z não tem problema algum com isso. E parece que a Alpha vem pelo mesmo caminho.
As combinações com itens infantis ou inusitado, de zippers a ursinhos de pelúcia como acessórios, tornam as composições mais autênticas — e isso, sim, é algo que os Genz's valorizam na moda. Maquiagens etéreas, cores exageradas e combinações atípicas estão nesta tendência.
A tendência mostra que a corrida pelo “Labubu” pode até já ter cansado, mas a era dos mascotes fashion ainda tem muito a mostrar.