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Nem todo mundo ganha: o efeito da Copa de 2026 no varejo, segundo o Santander

Evento deve favorecer e-commerce e bens duráveis, mas pressionar moda e lojas físicas

Copa do Mundo: queda de fluxo nas lojas em dia de jogo

Copa do Mundo: queda de fluxo nas lojas em dia de jogo

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 11h32.

A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar o consumo no Brasil, mas o impacto para o varejo deve ser menos festivo do que o senso comum sugere. Segundo relatório do Santander, o torneio tende a gerar ganhos concentrados em poucos vencedores. O efeito líquido, para o setor como um todo, tende a ser de desaceleração em vendas, sobretudo nos segmentos que dependem mais de lojas físicas, como o de moda.

A edição de 2026 será a maior da história recente. Com 48 seleções, ante 32 nas Copas anteriores, e uma duração mais longa, o campeonato terá mais presença no calendário econômico. O campeão precisará disputar oito partidas, uma a mais do que no formato anterior. Ainda assim, o Santander avalia que a ampliação do Mundial não se traduz automaticamente em crescimento disseminado do varejo.

Dois fatores serão decisivos para calibrar os efeitos da Copa sobre o consumo. O primeiro é o horário das partidas. Por causa do fuso em relação aos países-sede — Estados Unidos, México e Canadá —, a maioria dos jogos deve ocorrer às 19h e 22h, fora do horário comercial. Isso tende a reduzir interrupções diretas nas operações, mas não elimina a queda no fluxo de consumidores em dias de jogo. O segundo fator é o desempenho da seleção brasileira, que pode variar de uma eliminação precoce, com apenas três partidas, até uma campanha completa, com oito jogos.

Histórico de Copas é negativo para o varejo

O histórico joga contra o varejo. Ao analisar as últimas cinco Copas do Mundo, o Santander identificou que, nos meses em que o torneio ocorreu, o crescimento das vendas no comércio foi consistentemente mais fraco do que a média anual. O impacto negativo aparece com mais força no vestuário, enquanto farmácias também registram desempenho inferior, embora em menor magnitude. Em contrapartida, alimentos e eletrodomésticos mostram, em alguns anos, resultados acima da média, sugerindo um estímulo pontual e concentrado .

Nesse cenário, o banco aponta poucos vencedores claros. O principal deles é o Grupo SBF, beneficiado pela venda de camisas da seleção e artigos esportivos. A estimativa é de cerca de R$ 390 milhões em receita incremental em 2026, acima dos aproximadamente R$ 250 milhões gerados na Copa de 2022. A companhia deve encomendar cerca de 850 mil camisas do Brasil, volume 21% superior ao do último Mundial.

O e-commerce também aparece entre os beneficiados. O relatório destaca o Mercado Livre, que pode ganhar participação na venda de TVs e eletrodomésticos — impulsionada pela troca ou upgrade de aparelhos antes e durante o torneio — e pela migração temporária do consumo do físico para o digital. Casas Bahia e Magazine Luiza também devem surfar esse movimento, com um efeito comparável ao de uma Black Friday adicional, concentrada nos meses da Copa.

Outros impactos positivos aparecem de forma mais indireta. A Vulcabras pode se beneficiar da maior exposição de chuteiras da marca Mizuno nos jogos, funcionando como uma vitrine informal. No setor de alimentação fora do lar, a Arcos Dorados, operadora do McDonald’s, tende a usar campanhas temáticas da Copa para sustentar vendas. Já a CVC pode capturar uma demanda maior por viagens internacionais aos países-sede do torneio.

Quais empresas perdem com a realização da Copa?

Do lado oposto, os perdedores são mais numerosos. O Santander vê impacto negativo mais intenso em varejistas de moda, especialmente as de fast fashion, como C&A, Guararapes e Lojas Renner, altamente dependentes de lojas físicas e do fluxo de consumidores. A Vivara também deve sentir o efeito, embora de forma mais limitada, por operar com ticket médio mais alto e um perfil de consumo distinto.

Farmácias, como RD Saúde e Pague Menos, enfrentam apenas um vento contrário moderado, dado o caráter essencial dos produtos. Nos supermercados, como Assaí, GPA e Grupo Mateus, o impacto tende a ser limitado. Em alguns casos, a demanda por itens específicos — como carnes para churrasco, bebidas alcoólicas e snacks — pode até compensar parte da queda no tráfego.

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