Casual

Como é se hospedar no resort que receberá o G7

Inaugurado em 1909 para receber um rei, o Hôtel Royal do Evian Resort é hoje o cenário escolhido para a cúpula que reúne as maiores potências do mundo

Hôtel Royal: pertencente ao Evian resort, destino receberá a cúpula do G7 em 2026 (Edouard Guibaud/Divulgação)

Hôtel Royal: pertencente ao Evian resort, destino receberá a cúpula do G7 em 2026 (Edouard Guibaud/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 14 de junho de 2026 às 09h02.

Tudo sobreHotéis
Saiba mais

Há uma cena que se repete toda vez que um hóspede abre pela primeira vez a porta do seu quarto no Hôtel Royal, em Evian-les-Bains: uma pausa involuntária diante da janela. Do outro lado do vidro, o Lago Leman se estende até a margem suíça, onde as luzes de Lausanne começam a piscar com o cair da tarde. É o tipo de vista que desacelera o pensamento, e talvez seja exatamente por isso que, na próxima semana, os líderes das maiores economias do mundo vão se instalar lá para a cúpula do G7.

A localização do Evian Resort, complexo que reúne hotéis, spa, campo de golfe e uma série de outras formas de lazer às margens do Lago Leman, não é exatamente um segredo. O lugar já acolheu, em 2003, a cúpula do G8. Mas a confirmação de que presidentes e primeiros-ministros voltarão a cruzar seus portões relança os holofotes sobre um destino que, com mais de um século de história, segue em alta na região.

Hôtel Royal: piscinas aquecidas na propriedade com vista para o lago Leman (Edouard Guibaud/Divulgação)

Um palácio construído para um rei que nunca chegou

A história do Hôtel Royal começa com uma ausência ilustre. O hotel foi inaugurado em 1909 em homenagem ao rei Eduardo VII da Inglaterra, que seria um dos primeiros hóspedes do estabelecimento. O monarca morreu em 1910 sem ter cumprido a promessa de visitar o lugar construído para ele.

Ao longo do século seguinte, o Hôtel Royal recebeu a Rainha Mãe da Inglaterra, o poeta Igor Stravinsky, a atriz Greta Garbo, Ray Charles, Phil Collins, Kylie Minogue, Hugh Grant, Isabelle Adjani, além de incontáveis chefes de Estado, príncipes europeus e do Oriente Médio. A lista é um resumo da cultura e do poder do século XX, e continua a ser escrita.

Em 2015, o hotel passou por uma reforma completa, que preservou e realçou os afrescos do século XX pintados por Gustave Jaulmes e Adrien Karbowsky, ao mesmo tempo em que introduziu toques contemporâneos que rejuvenesceram os espaços sem apagar sua memória. O resultado é o luxo silencioso que os franceses dominam desde antes de o termo ter se tornado uma tendência.

Hôtel Royal: suíte com vista para o lago Leman (VLeroux/Divulgação)

O hotel conta com 118 quartos e 32 suítes, incluindo cinco suítes temáticas personalizadas. Entre elas, a Suíte David Leadbetter, dedicada ao famoso treinador de golfe; a Suíte Esa-Pekka Salonen, em homenagem ao compositor e maestro; e a Suíte Amundi Evian Championship, dedicada às ícones do golfe feminino. O sexto andar abriga sete suítes de alto padrão com vista espetacular para o lago e os Alpes. A mais exclusiva, a Royal Suite, tem 207 metros quadrados e 60 metros quadrados de terraço privativo. Os quartos são amplos, com iluminação suave, silêncio absoluto e banheiros banhados em luz natural.

A estrela Michelin que começa com um espelho

Jantar no Les Fresques, o restaurante estrelado do Hôtel Royal, é uma experiência que começa antes mesmo de a comida chegar à mesa. O cardápio é entregue com uma capa com um convite, já que o espelho acoplado convoca o olhar para o teto. Ali estão as pinturas de Gustave Jaulmes, os afrescos que deram nome ao restaurante e que são, eles próprios, uma obra de arte listada como patrimônio histórico da França.

Depois de admirar o que está acima da cabeça, o olhar inevitavelmente vai para além das janelas: o Lago Leman ao entardecer, com as luzes de Lausanne surgindo na margem oposta.

Les Fresques: restaurante com uma estrela Michelin desde 2018 (Nicolas Jacquemin/Divulgação)

O Les Fresques detém uma estrela Michelin desde 2018. O restaurante recebeu recentemente um novo chef executivo: Yohan Fatela, nascido em Grenoble e formado em alguns dos melhores endereços da gastronomia mundial. Os ingredientes vêm de fornecedores locais, com peixes do lago, queijos da região e carne bovina de Saboia. Quando não encontra o que procura nos mercados, o chef vai diretamente ao jardim orgânico do hotel, um espaço de 3.000 metros quadrados onde ervas aromáticas e vegetais são cultivados com técnicas de permacultura.

O menu segue o ritmo das estações e fala a linguagem da montanha e da água, os dois elementos que definem Evian. No final do jantar, um carrinho de queijos se aproxima da mesa: uma seleção cuidadosa de produtos locais que transforma a sobremesa em um exercício de terroir.

A água que viaja 15 anos antes de chegar à pele

A cidade batiza o nome da água, reconhecida mundialmente por suas propriedades minerais. Evian-les-Bains existe como destino porque, em 1789, o Conde Laizer descobriu as propriedades terapêuticas da água mineral natural Evian, que brota nas encostas do platô de Gavot. A água demora 15 anos para percorrer os Alpes e emergir na superfície, filtrada por camadas de argila e enriquecida com minerais ao longo de uma jornada subterrânea. Esse percurso é a metáfora central do evianSPA, o spa do Hôtel Royal.

evianSPA: eleito melhor retiro de bem-estar da França em 2024 e 2025 (ggardette /Divulgação)

São 1.700 metros quadrados de área dedicada ao bem-estar, desde relaxamento profundo à desintoxicação, da hidratação celular ao rejuvenescimento. O spa foi eleito melhor retiro de bem-estar da França em 2024 e 2025 e conta com 22 salas de tratamento, circuito hídrico com vista para as montanhas, sauna, sala de vapor, piscina fria, academia 24 horas e a icônica piscina aquecida ao ar livre.

O golfe como sala de reunião

Há um local não declarado pelo qual chefes de Estado gostam de se encontrar em lugares como Evian: o campo de golfe. O Evian Resort Golf Club, fundado em 1904, é um dos destinos de golfe mais emblemáticos do mundo. Com vistas para o Lago Leman e os picos alpinos, o clube abriga dois percursos: o Champions Course, de 18 buracos, e o Lake Course, de seis buracos, inaugurado em 2020.

Mas o golfe, para além da competição, funciona como uma espécie de diplomacia paralela. Há algo na natureza do jogo, as horas caminhando lado a lado, o ritmo lento, a conversa que nasce espontaneamente entre tacadas que dissolvem formalidades e abrem espaço para o tipo de entendimento que as salas de conferência raramente proporcionam. Não por acaso, presidentes e primeiros-ministros têm o hábito de calçar os sapatos de golfe quando precisam de uma conversa fora do protocolo. Em Evian, o campo está ali, exatamente para isso.

Na última semana, a pequena cidade já estava se preparando para a chegada dos chefes de estado. A partir de amanhã, 15, os líderes do G7 vão debater o futuro da economia global com o Lago Leman como pano de fundo. É o tipo de reunião que, dizem os que participaram de edições anteriores, tem resultados diferentes quando acontece longe dos palácios de governo e perto da natureza. Quem sabe se não é a água, com seus 15 anos de silêncio subterrâneo, que ajuda a clarear as ideias.

Acompanhe tudo sobre:TurismoHotelariaHotéisFrança

Mais de Casual

A regra dos 3 anos: por que a Patek Philippe escolhe quem compra os modelos mais cobiçados

A xícara nunca esteve tão cheia

Biondi Santi: a evolução que enaltece a história do Brunello

A geração que não quer acordar com ressaca nas férias: Gen Z lidera o turismo sóbrio