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Mocotó investe R$ 3 milhões em nova unidade com menu inédito

Terceira unidade de Rodrigo Oliveira estreia na Vila Clementino com quase 40% das receitas criadas exclusivamente para a casa

Rodrigo Oliveira: "A gente sempre procura lugares onde possa contribuir com a comunidade", diz (Divulgação/Divulgação)

Rodrigo Oliveira: "A gente sempre procura lugares onde possa contribuir com a comunidade", diz (Divulgação/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 22 de julho de 2026 às 14h03.

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Desde 2023, a Vila Medeiros não é o único destino de quem deseja provar os pratos queridinhos do Mocotó. Além da primeira unidade na Zona Norte de São Paulo e na Vila Leopoldina, a casa do chef Rodrigo Oliveira inaugura amanhã, 23, a terceira unidade na Vila Clementino. A nova casa, no número 450 da rua Pedro de Toledo, ocupa um imóvel de esquina onde antes funcionava um banco.

Diferente das expansões anteriores, esta foi a primeira vez que o Mocotó escolheu por conta própria onde e como abrir uma nova casa. Segundo Oliveira, os projetos passados sempre surgiram de convites de terceiros — foi assim no Esquina Mocotó, no Balaio dentro do IMS e na própria Vila Leopoldina, com a produtora O2. "A gente começou a pensar que talvez, depois de 50 anos, já pudéssemos assumir essa responsabilidade de escolher para onde ir, em que termos, em que condições, em qual propósito", diz o chef.

A escolha da região seguiu a lógica de território pouco óbvio que orienta o grupo. "A gente sempre procura lugares onde possa contribuir com a comunidade. A região já tem restaurantes incríveis, mas sentimos que ainda podemos somar, trazer um novo público e criar novas conexões", diz. O encontro com o imóvel específico, segundo ele, foi rápido; em uma semana a negociação estava fechada e, na seguinte, já havia obra em andamento. "Foi amor à primeira vista. A gente começou a enxergar ali um restaurante cada vez mais bonito, com varanda, quintal e muito verde", conta.

Entre obras, equipamentos e mobiliário, o valor investido na nova unidade já ultrapassa R$ 3 milhões, segundo o chef — e o número só deve fechar depois que a casa estiver em operação. A comparação com a Vila Leopoldina ajuda a entender a lógica. Houve um investimento total de R$ 1,5 milhão, sendo que cerca de R$ 700 mil foram gastos depois da abertura, com manutenções e ajustes de infraestrutura que só aparecem com a casa funcionando.

"É muito difícil entender como vai ser o comportamento do público e a demanda, e como o cardápio vai evoluir", diz. Para ele, parte dos ajustes de cozinha, desde o tamanho de um forno, o número de bocas de fogão, só se resolve com a casa em movimento.

Novos pratos do Mocotó: "ceviche porcaria" feito com diferentes partes do porco (Divulgação/Divulgação)

Restaurante na capital com ares do interior

O projeto arquitetônico é da LAB Arquitetura, escritório responsável também pela Vila Leopoldina, pela reforma da Vila Medeiros, pelo Esquina Mocotó e pelo Balaio. A entrada tem varanda voltada para a rua, seguida do salão principal, com cozinha aberta e balcão de bar — elemento que se tornou característico do grupo. "A primeira coisa que você vê é a cozinha aberta, viva. A gente gosta dessa conexão", diz o chef.

O salão principal comporta cerca de 120 lugares, e o andar superior é dedicado a eventos, com capacidade para 50 pessoas sentadas, cozinha e bar próprios. Nos fundos, um quintal recebeu mais de 30 árvores plantadas na esquina.

Apesar do movimento da Pedro de Toledo, uma via de acesso ao metrô Santa Cruz e ao Parque do Ibirapuera, a rua lateral por onde os clientes entram tem outro clima. "Tem uma piada interna nossa de que, na Vila Medeiros, parece que estamos no interior. Então buscamos cantinhos com essa cara de sossego. A rua lateral, onde as pessoas serão recebidas, lembra uma rua de bairro do interior, super tranquila e arborizada", diz Rodrigo.

Cardápio equilibra clássicos e novidades

O cardápio da Vila Clementino tem um menu composto por quase 40% de receitas novas. Entre os pratos já conhecidos, seguem receitas de seu Zé, pai de Rodrigo e fundador da casa, como o caldo de mocotó, o baião de dois e as criações do filho, como os dadinhos de tapioca e o creme brulée de milho.

Entre as novidades, está o "ceviche porcaria", com pé de porco e torresmo em leite de tigre de tucupi, coentro, cebola-roxa e pimentas frescas. Rodrigo descreve o prato como resultado de um trabalho de textura e temperatura, da maciez do pé de porco cozido com a crocância do torresmo, e associa o resultado a "gosto de sertão, gosto de mundo".

Entre os principais, a banda de tambaqui na brasa é servida com acelga assada, molho de ervas amazônicas e castanha-do-pará, prato que o chef relaciona a uma ideia mais ampla de sertão, que inclui o sertão amazônico e as referências de Guimarães Rosa. Há ainda o charque de cupim com cebola-roxa e pirão de queijos do Agreste.

Novos pratos do Mocotó: banda de tambaqui na brasa é servida com acelga assada, molho de ervas amazônicas e castanha-do-pará (Divulgação/Divulgação)

Nas sobremesas, a torta basca ganha uma versão com chocolate e coalhada, e molho de frutas amarelas. A carta de vinhos ganha uma seleção de 12 rótulos brasileiros premiados, com curadoria do maître sommelier Paulino Oliveira, do Balaio.

À frente da cozinha estará o chef executivo Allan Borges, que começou como estagiário na Vila Medeiros, passou pelo comando do food truck do Mocotó e liderou a operação da Vila Leopoldina. "Ele voa, é excepcional. É alguém que cresceu com a gente e participou de toda a concepção desse novo projeto", diz Rodrigo.

No fim, a terceira unidade representa menos uma mudança de endereço do que uma mudança de postura. Depois de cinco décadas, o Mocotó assume o controle do próprio crescimento, mas mantém a premissa que guiou sua trajetória desde a Vila Medeiros ao expandir sem deixar que a identidade criada por seu Zé fique para trás.

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