Hotelaria de luxo: espaço para dry mocks (Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 07h11.
Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 08h05.
Os drinks alcoólicos sempre terão espaço garantido na coquetelaria, isso é fato. Mas nos últimos anos, com a preferência de um estilo de vida mais saudável, os chamados "mocktails" começaram a ganhar espaço — inclusive na hotelaria de luxo.
A tendência zero álcool no mercado é puxada pela Geração Z e ganhou força no ano passado. Um estudo do Expedia Group mostra que 39% dos viajantes entre 18 e 30 anos planejavam adotar um estilo de vida completamente sóbrio ao longo de 2025, um aumento significativo em relação aos 19% de 2024. Outro levantamento, dessa vez da Ipsos-Ipec em parceria com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), aponta que a abstinência entre os brasileiros até 24 anos subiu de 46% para 64% entre 2023 e 2025.
A mudança no comportamento do público, impulsionada pela busca por longevidade e clareza mental, tem feito bares e restaurantes repensarem a cartilha de drinques para incluir opções sem álcool. O mercado de lifestyle de luxo também abraçou a tendência como parte da oferta de bem-estar e o movimento fez hotéis icônicos redesenharem rituais sociais, do après-ski nas montanhas suíças ao tradicional aperitivo nas capitais italianas.
Hotel The Capra, nos Alpes Suíços (The Capra/ Divulgação)
Em destinos alpinos, a mudança já transformou o ritual do après-ski. No The Capra, hotel de bem-estar de luxo localizado em Saas Fee, na Suíça, e membro da Preferred Hotels & Resorts, o drinque deixou de ser um momento centrado no álcool e passou a ser uma experiência focada na recuperação do corpo.
O Peak Health Après-Ski Wellness Package substituiu as bebidas por uma sequência estruturada de nutrição, terapias hidrotermais, alongamentos guiados e tratamentos corporais focados na fáscia, desenvolvidos para ajudar esquiadores e aventureiros de inverno a se recuperarem entre os dias na montanha.
Stravinskij Bar, do Hotel de Russie (Divulgação)
Na socialização urbana também não é tão diferente: a hotelaria de luxo italiana tem passado por uma curadoria rigorosa. O grupo Rocco Forte Hotels lançou em suas propriedades na Itália — como o icônico Hotel de Russie, em Roma, e o Savoy, em Florença — o conceito Spiritless. Aqui, a coquetelaria zero álcool é uma forma de arte própria, feita sob curadoria dos diretores de mixologia do grupo.
As criações são inspiradas no terroir e nos aromas locais, e utilizam botânicos e técnicas de destilação sem álcool, com ingredientes e identidades culturais de cada destino, para entregar complexidade sensorial.
No Brasil, a tendência está presente em hotéis de luxo reconhecidos. O drinque de boas-vindas do Awasi Santa Catarina, por exemplo, é feito sem álcool. Nas experiências de spas, blends de chás especiais ganham espaço para acompanhar o bem-estar e as práticas esportivas mais leves, como ioga e alongamentos.
Até o Copacabana Palace levou mocktails autorais aos bares e balcões. Em 2026, aposta na criação de um laboratório para produzir bebidas diversas, incluindo destilados de alta qualidade — como vermute, rum e bitters — sem álcool.

O grande desafio estratégico para a hotelaria de luxo em 2026 é a convergência: como satisfazer o desejo de sobriedade da Geração Z sem alienar o público sênior, tradicionalmente habituado aos ritos clássicos.
A resposta, contam especialistas de diversas redes hoteleiras, está na sofisticação da oferta. Ao elevar a bebida sem álcool ao status de item de alta gastronomia — e não meramente uma opção "infantilizada" ou medicinal —, os hotéis criam um terreno comum onde o foco é a qualidade dos ingredientes e o prazer do paladar.
A tendência aponta para um mercado onde o brinde permanece universal, mas a escolha pelo álcool torna-se opcional.