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Após críticas, John Galliano recua de homenagem no Metropolitan Museum de Nova York

Ação que consagraria o britânico em 2027 foi suspensa diante de protestos contra declarações do passado; entenda o caso e o impacto no legado do designer

John Galliano: homenagem ao estilista é cancelada  (szilveszter mako/Divulgação)

John Galliano: homenagem ao estilista é cancelada (szilveszter mako/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 11h38.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 11h39.

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Treze anos após ser demitido da Dior e condenado pela Justiça francesa por insultos antissemitas, o estilista John Galliano seria homenageado com uma exposição solo no Costume Institute do Metropolitan Museum (MET) de Nova York, em 2027. A ação, anunciou ele nesta segunda-feira, 31, foi cancelada.  

O recuo veio após uma escalada de críticas por parte de doadores do museu, políticos locais e lideranças da comunidade judaica, que questionaram a decisão de homenageá-lo diante do aumento global do antissemitismo.

Em 2011, embriagado em um bar de Paris, Galliano proferiu ofensas preconceituosas aos clientes do estabelecimento e foi filmado dizendo "amar Hitler". Na época, ele declarou que parentes das pessoas presentes deveriam ter sido mortos em câmaras de gás. O episódio culminou na demissão imediata do estilista da Dior e na condenação por crime de ódio pela Justiça francesa.

“Após muita reflexão e discussão com todos os envolvidos, decidi, com grande tristeza, que o melhor é que a exposição não aconteça neste momento”, disse Galliano em um comunicado à imprensa.

A mostra do MET seria um marco na carreira do britânico. Prevista para maio de 2027, ela consagraria o estilista como o terceiro vivo a receber uma exposição solo no museu, ao lado de Yves Saint Laurent e Rei Kawakubo.

A tentativa de redenção e os detalhes da mostra

Ainda que tenha sido condenado pela Justiça francesa, Galliano nunca chegou a cumprir a totalidade da pena, de fato.

Na época, a pena máxima para esse tipo de crime era de seis meses de prisão e multa de 22,5 mil euros. A Justiça francesa, no entanto, optou por uma pena em suspenso: determinou o pagamento de 6 mil euros em multas, que só seriam cobrados caso Galliano voltasse a cometer o mesmo delito no período determinado. Como não houve reincidência, os valores nunca foram pagos.

A sentença final exigiu apenas o pagamento de 16,5 mil euros em custas processuais, além do valor simbólico de 1 euro às vítimas. A condenação foi mantida no histórico criminal sem a aplicação de prisão ou multa efetiva.

Desde então, Galliano tenta reabilitar a própria imagem na indústria da moda. Passou por reabilitação para dependência de álcool e drogas, pediu desculpas publicamente e se reconciliou com líderes judeus. Ele então assumiu a direção criativa da Maison Margiela em 2014, onde permaneceu por dez anos. Recentemente, também anunciou uma parceria comercial com a rede de fast-fashion Zara.

A retrospectiva do estilista estava marcada para a primavera de 2027, e abordaria diretamente a ruptura causada pela conduta de 2010–2011.

A revolução na Dior e o legado que transformou a moda

Antes do escândalo de 2011, Galliano era tido pela indústria como um dos estilistas mais influentes de sua geração.

Apontado como o principal responsável por transformar os desfiles de moda em espetáculos multimídia, ele se formou em 1984 pela Central Saint Martins, em Londres, e chamou atenção logo na coleção de formatura, Les Incroyables, inspirada na pós-Revolução Francesa. Ainda na década de 1980, firmou-se como um dos "enfants terribles" da cena britânica, ao lado de Alexander McQueen. Apostava em uma abordagem teatral e cinematográfica do vestuário.

O salto de carreira mesmo aconteceu em 1995, quando Bernard Arnault, presidente do conglomerado de luxo LVMH, nomeou-o diretor criativo da Givenchy. Com o feito, ele se tornou o primeiro britânico a comandar uma tradicional maison francesa em mais de um século. Pouco depois, em outubro de 1996, foi transferido para a Christian Dior para substituir Gianfranco Ferré. A escolha chocou a imprensa conservadora na época, mas marcou uma das eras mais lucrativas e icônicas da história da moda.

Foi na Dior que Galliano deixou a marca mais duradoura. Ele transformou as passarelas em eventos imersivos, com cenários grandiosos, narrativas complexas e encenações dramáticas que redefiniram o padrão das apresentações de alta-costura. Com isso, reposicionou a Dior, antes vista como uma casa antiquada, no centro da cultura pop e do consumo global, impulsionada por campanhas milionárias e lojas totalmente reformuladas.

Além da revolução cenográfica, Galliano também ensinou os ateliês a cortarem roupas mais rente ao corpo, e popularizou o visual sexy de alças finas que dominou os tapetes vermelhos no final dos anos 1990. Na frente comercial, criou a bolsa Saddle na coleção Primavera/Verão 2000, um dos acessórios mais vendidos e reutilizados da história recente do luxo.

Ele também manteve um ritmo intenso de produção. Chegou a assinar até oito coleções anuais, como a célebre Maasai da Primavera/Verão 1997, desenvolvida com 50 looks em apenas oito semanas.

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