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A Moët & Chandon traz ao Brasil a 'champanhe do futuro'

A head de enologia Marie-Christine Osselin recebeu convidados no Evvai, em São Paulo, para apresentar o rótulo criado para celebrar os 280 anos da maison francesa

Marie-Christine Osselin, head de experiência do vinho e enologia da Moët & Chandon (Pridia/Divulgação)

Marie-Christine Osselin, head de experiência do vinho e enologia da Moët & Chandon (Pridia/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 13 de julho de 2026 às 13h56.

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A Moët & Chandon trouxe a São Paulo uma nova champanhe. Mas não uma qualquer. Marie-Christine Osselin, head de experiência do vinho e enologia da maison, recebeu convidados e jornalistas na semana passada para um jantar harmonizado no restaurante Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, para apresentar a Collection Impériale Création Nº 1.

O rótulo marca os 280 anos da casa, fundada em 1743 por Claude Moët, e inaugura uma nova linha de champanhes de prestígio da marca. A proposta é reunir, em uma única cuvée, quase três séculos de savoir-faire acumulado pela maison, parte do grupo de luxo LVMH.

Criado pelo cellar master Benoît Gouez, o champanhe é resultado de um assemblage de sete safras — 2004, 2006, 2008, 2010, 2012, 2013 e 2000 — envelhecidas por métodos distintos, incluindo maturação em aço inoxidável, barricas de carvalho e sobre as borras em garrafa. O resultado é um brut nature, sem adição de açúcar na dosagem, pensado para expressar a passagem do tempo e a profundidade dos vinhos de reserva da casa.

A nova coleção também presta homenagem à herança "imperial" da Moët & Chandon, construída a partir da relação entre Jean-Rémy Moët e Napoleão Bonaparte no início do século 19 e eternizada pelo lançamento do Moët Impérial, em 1869. Ao mesmo tempo, olha para o futuro: a Collection Impériale dará origem a novas edições nas próximas décadas, em uma contagem regressiva até os 300 anos da maison, que serão celebrados em 2043.

A Collection Impériale Création Nº 1 está sendo vendida no Brasil por a partir de R$ 1.800. Conversamos com Marie Christine. Acompanhe.

A Moët está chamando a Collection Impériale de uma nova expressão da "Haute Oenologie". O que muda, na prática, em relação ao trabalho realizado até hoje pela maison?

Na prática, a principal mudança trazida pela Haute Oenologie é a introdução de uma nova dimensão criativa à arte do assemblage, a maturação em múltiplos universos. Embora a Moët & Chandon sempre tenha se dedicado à criação de assemblages entre diferentes villages, crus e safras, Collection Impériale reúne, de forma inédita, vinhos maturados em três ambientes distintos: aço inoxidável, carvalho e envelhecimento sobre as borras na garrafa. Trata-se de uma abordagem singular e inovadora no champanhe, na qual cada método de maturação contribui com uma camada específica para a composição, permitindo alcançar um conjunto equilibrado, profundo e harmoniosamente expressivo. Essa orquestração minuciosa dos diferentes métodos de envelhecimento pode ser comparada ao trabalho de um estilista que combina diferentes tecidos para conferir a uma peça, ao mesmo tempo, estrutura e fluidez. A cuvée reúne sete safras e diferentes métodos de envelhecimento.

Qual foi o maior desafio para encontrar o equilíbrio entre frescor e complexidade sem recorrer à dosagem?

Com Collection Impériale Création Nº 1, o objetivo nunca foi criar um Brut Nature apenas por uma questão de estilo. A ausência de dosagem foi consequência do próprio assemblage, e não seu ponto de partida. Como o vinho reúne diferentes universos de maturação e diversas safras, o grande desafio foi construir uma harmonia entre frescor, profundidade, textura e complexidade. A questão da dosagem nunca foi uma preocupação central, pois ele não resolveria qualquer desequilíbrio estrutural do vinho. Durante as degustações às cegas com diferentes níveis de dosagem, ficou claro que a versão sem adição de açúcar era a expressão mais fiel do vinho. Era a mais precisa, a mais autêntica e a que melhor respeitava o equilíbrio já alcançado por meio do assemblage. No fim, o vinho simplesmente falou por si. A ausência de dosagem não foi uma decisão imposta ao vinho, mas o resultado natural de uma composição cuja pureza e harmonia já estavam plenamente alcançadas.

A decisão de lançar um brut nature tão complexo parece ir na contramão da percepção de que esse estilo é destinado apenas aos apreciadores mais experientes.

A intenção não foi ampliar o público por meio da escolha do estilo Brut Nature. Na verdade, o brut nature nunca foi o ponto de partida. Ele simplesmente representou a expressão mais verdadeira do vinho. O verdadeiro feito de Collection Impériale Création Nº 1 está em outro lugar: na arte do assemblage e, mais especificamente, na capacidade de reunir diferentes universos de maturação em uma única composição perfeitamente integrada. É aí que reside o verdadeiro ato de criação e inovação. Ao trabalhar com vinhos maturados em aço inoxidável, carvalho e sobre as borras na garrafa, a Moët & Chandon introduziu uma dimensão adicional à arte do assemblage, permitindo que o vinho expressasse, simultaneamente, frescor e profundidade, juventude e maturidade, dentro da mesma cuvée. Portanto, a história não é sobre produzir um Champagne Brut Nature para um público específico, mas sobre ampliar os limites criativos do champanhe por meio de uma nova abordagem da arte do assemblage.

A gastronomia influencia o desenvolvimento de um champanhe de alta gama?

Nossa filosofia sempre começa pelo próprio vinho: sua estrutura, sua energia, sua textura, seu perfil aromático e a emoção que ele desperta. Somente quando o vinho está plenamente definido é que imaginamos o tipo de experiência gastronômica capaz de revelar seu melhor potencial. No caso de Collection Impériale Création Nº 1, isso é especialmente importante porque se trata de um vinho construído camada por camada, a partir de diferentes universos de maturação. Ele reúne frescor, profundidade, cremosidade, tensão e persistência. Assim, ao pensar em harmonização, não começamos perguntando qual prato deve moldar o vinho. Começamos ouvindo o vinho e compreendendo qual tipo de diálogo gastronômico ele naturalmente inspira. Essa abordagem está totalmente alinhada ao conceito de Haute Oenologie. O vinho é o verdadeiro ato de criação. A gastronomia passa, então, a acompanhar essa criação, prolongando a experiência sensorial e destacando as diferentes dimensões do vinho, sem jamais assumir o protagonismo.

Na sua opinião, quais características permitem que uma champanhe permaneça relevante ao longo das décadas sem perder seu apelo?

Em uma maison como a Moët & Chandon, a relevância começa pela consistência: consistência na qualidade, no estilo, na visão e na busca pela excelência. Mas apenas a consistência não basta. Também é preciso ter a capacidade de inovar de forma significativa e legítima, e não inovar apenas por inovar. Isso é especialmente importante para uma maison com 280 anos de história. A Moët & Chandon já existia antes de nós, e nossa responsabilidade é garantir que continue forte depois de nós. O verdadeiro desafio é conectar um grande passado a um grande futuro. Isso significa preservar aquilo que torna a maison única, ao mesmo tempo em que continuamos criando vinhos capazes de responder às expectativas de cada época. No fim, a relevância duradoura nasce justamente desse equilíbrio: permanecer fiel ao próprio legado enquanto se avança continuamente com ambição, disciplina e visão.

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