Oficina: inauguração da loja reformada no Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, e anuncia oficialmente a adoção de um nome mais curto (Divulgação/Divulgação)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 2 de julho de 2026 às 15h02.
A Oficina — marca que até agora operava sob o nome Oficina Reserva — inaugurou sua loja reformada no Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, e anuncia oficialmente a adoção de um nome mais curto. O "Reserva", que acompanhava a marca desde o início, foi descartado. A mudança coincide com um momento de consolidação: oito anos de operação, faturamento 30 vezes maior desde a fundação, 31 lojas e faturamento anual em torno de R$ 300 milhões.
Fundada pelos empreendedores mineiros Gabriel Zandomênico, Artur Bretas e João Pesce, a Oficina faz parte do Grupo Azzas 2154. A marca foi construída em torno da qualidade dos materiais e da atemporalidade das peças, com uma proposta que o mercado passou a chamar de quiet luxury.
O projeto arquitetônico da nova loja foi assinado pelo Studio Liana Tessler. Um pórtico preto demarca a entrada para um interior de atmosfera clara e contida. O forro em grid branco é o elemento central, organizando visualmente o espaço. O mobiliário traz curvas suaves sem romper a coerência do conjunto. O preto e branco característicos da identidade Oficina aparecem aqui como preto e off-white, criando uma base neutra complementada por ocre no carpete, nogueira tingida nos mobiliários e couro caramelo nos detalhes. A loja conta ainda com um bar e um ateliê para ajustes vitalícios.
A inauguração coincide com o lançamento do novo site da marca, desenvolvido com a mesma lógica do espaço físico: navegação em camadas, thumbnails que mostram a coleção completa e animações em motion suave que não competem com o produto.
A Casual EXAME conversou com Gabriel Zandomênico, cofundador da Oficina, sobre a reforma, a filosofia da marca e os dez anos de trajetória.
Oficina: fundada pelos empreendedores mineiros Gabriel Zandomênico, Artur Bretas e João Pesce, a Oficina faz parte do Grupo Azzas 2154 (Divulgação/Divulgação)
Vocês acabam de reformar a loja do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo. É apenas uma em 31 lojas hoje. Qual a importância dela?
O Higienópolis sempre foi uma loja muito simbólica para a gente. É um shopping que conversa com o posicionamento que queremos construir para a Oficina. A reforma não foi simplesmente uma mudança estética. Ela representa uma evolução da experiência da marca. A gente acredita que o ambiente precisa transmitir a mesma sensação que a roupa: calma, qualidade e atenção aos detalhes. E vai funcionar como um laboratório para aprendermos antes de levar vários desses conceitos para outras lojas.
Uma mudança é a redução de cabides e maior espaçamento entre as roupas. Por quê? A lógica não seria fazer o contrário?
Parece contraintuitivo, mas eu acredito realmente que menos pode vender mais. Quando você dá espaço para o produto respirar, ele passa a ser percebido de outra forma. O cliente consegue enxergar melhor a modelagem, o tecido, as texturas e os detalhes. Claro que isso exige um esforço maior em produzir e expor o que realmente vale mais a pena. É uma lógica muito mais de curadoria do que de volume.
A marca tem apenas 10 anos e já fatura cerca de R$ 300 milhões por ano. A que se deve esse crescimento tão rápido?
Acho que nunca tentamos crescer rápido. Sempre tentamos construir uma marca consistente. Desde o início tivemos uma proposta muito clara: fazer roupas com excelentes matérias-primas, atemporais e sem excessos. E dialogar de forma muito clara e direta com nosso cliente, sem floreios. Isso gerou muita recompra e indicação. No fim, o crescimento acabou sendo consequência dessa consistência, e não um objetivo em si.
Como você define a roupa da Oficina?
Eu costumo dizer que a Oficina faz roupa para durar, tanto em qualidade quanto em estilo. A gente não trabalha em cima da tendência da estação. Nosso foco é criar peças que façam sentido hoje e continuem fazendo sentido daqui a alguns anos. É uma roupa sofisticada, bem construída e que, apesar de discreta em elementos, chama atenção pelo design e caimento.
Quanto você entra na parte criativa de cada coleção?
Eu participo bastante, mas não desenhando roupa. Brinco que sou o cliente mais "chato" e exigente da marca. Como 100% do meu guarda-roupa é Oficina, estou 100% do tempo pensando no que está faltando ou sobrando em nosso mix de produtos. Mas, claro, minha contribuição é muito mais na direção da marca. Discutimos quem é o cliente, como ele está vivendo, quais ocasiões queremos atender e que mensagem queremos passar. Temos um time criativo extremamente talentoso, e meu papel é ajudar a manter uma identidade consistente, coleção após coleção.
Oficina: faturamento 30 vezes maior desde a fundação, 31 lojas e faturamento anual em torno de R$ 300 milhões (Divulgação/Divulgação)
Nesses dez anos, quanto o homem mudou e quanto a marca mudou para acompanhar essa evolução?
Acho que, nos últimos anos, o homem no Brasil está mais aberto à moda, não no sentido de acompanhar tendências e passarelas, mas em buscar uma roupa que represente melhor sua identidade. Sinto que ele está mais seguro em não se parecer com os outros. Além disso, a importância do conforto na decisão de compra também subiu muito. A marca já nasceu enxergando esse movimento, mas evoluiu muito desde então. A gente simplificou algumas coisas, evoluiu modelagens, tecido e conforto, mas sem abrir mão da essência. Fico feliz em pensar que, para muitos dos nossos clientes, a Oficina é a marca que dá o empurrão que ele precisa para experimentar algo novo.
Do lançamento da marca para cá, aponte um grande erro e um grande acerto, em termos de produto ou de estratégia.
Acho que o maior erro foi, em alguns momentos, querer ampliar demais o portfólio. Com o tempo, aprendemos que foco gera muito mais valor do que excesso de opções. Quando você tenta atender todo mundo, acaba perdendo identidade. O maior acerto foi justamente o contrário: ter coragem de construir uma marca com personalidade muito clara. Nunca quisemos ser a marca que segue todas as tendências. Alguns anos atrás, por exemplo, éramos a única marca do shopping a não ter logomarca aparente, o que já hoje está se tornando mais comum no mercado. Preferimos ser reconhecidos pela qualidade do produto, pela consistência e por um estilo que envelhece bem.