A força do jeans: como o denim se tornou o maior trunfo das varejistas
Repórter de Casual
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 06h56.
Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 06h57.
Em 2026, as varejistas Renner, Riachuelo e C&A ampliaram as apostas em jeans com novas modelagens, lavagens e iniciativas de circularidade, em uma disputa por vendas, inovação e fidelidade do consumidor. Segundo a Grand View Research, o mercado global de jeans, avaliado em US$ 86,66 bilhões em 2024, deve alcançar US$ 121,5 bilhões até 2030.
Ele não é a peça mais barata da loja, tampouco a mais simples de se produzir. Em um cenário de consumo em que o cliente pensa duas vezes antes de passar o cartão, no entanto, o jeans oferece algo que nenhum outro tecido consegue entregar na mesma proporção: a promessa de um investimento seguro. Não só para quem compra, mas também (e principalmente) para quem vende.
Linho e malharia oscilam ao sabor das estações. Alfaiataria é clássica, mas nem todo mundo compra. Já a clássica base de cinco bolsos é o item coringa no guarda-roupa. A categoria foi avaliada em US$ 86,66 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 121,5 bilhões até 2030, segundo a consultoria Grand View Research.
O potencial financeiro é um dos motivos que explicam por que gigantes de departamento, como Renner, Riachuelo e C&A, têm transformado o denim em seu principal trunfo de vendas nos últimos anos. A Casual EXAME entrou em contato com as três para entender como.
Todas destacaram, inegavelmente, que o tecido abriu uma nova corrida na moda brasileira.
É a disputa sobre quem faz do jeans o melhor laboratório de inovação estética e sustentabilidade.
Pool Jeans, da Riachuelo (Divulgação)
É fato que o jeans nunca saiu de moda. Mas pode-se dizer que está "de volta" nas lojas populares com novas cores, estilos e lavagens. Em lançamentos bem recentes, diga-se de passagem.
A Riachuelo trabalha há anos o jeans como laboratório de sustentabilidade. Mais recentemente, também fez dele a vitrine de novos estilos. A linha Pool Jeans, cujo lançamento da nova coleção foi feito na semana passada, é um dos principais exemplos. Traz o tecido como protagonista: são peças coloridas, fashionistas e alinhadas ao streetwear, feitas de maneira sustentável.
A aposta reflete um movimento contínuo da marca na categoria. Entre janeiro e agosto deste ano, a varejista registrou uma alta de 9,6% nas vendas de jeans em relação ao mesmo período de 2025. No segmento feminino, o salto foi de 19%, impulsionado pelo sucesso do modelo wide leg, que representa 33% da preferência das consumidoras. No masculino, o corte slim ainda concentra 50% da demanda.
A ampliação da oferta inclui frentes permanentes de inovação, como a linha Pool Loop, focada em circularidade, e o uso de matérias-primas alternativas — a exemplo do elastano derivado de cana-de-açúcar. Tecnologias na lavanderia que reduzem em até 70% o consumo de água e em 60% o uso de produtos químicos também fazem parte do processo.
“Mais do que falar em uma nova ascensão, enxergamos um momento de renovação do jeans. O denim deixou de ser associado apenas a uma peça básica e casual e, com a evolução das modelagens, lavagens e tecnologias, ganhou mais protagonismo e passou a transitar por diferentes ocasiões de uso”, explica Flávia Rodrigues, head de Estilo de Pool Jeans e Jeans feminino da Riachuelo.
Nova linha de jeans premium da Renner aposta em maior durabilidade e processos sustentáveis. (Divulgação / Lojas Renner)
A Renner tem feito uma trajetória bem parecida. Lançou ontem mesmo uma linha de jeans premium feminino com 12 calças e três modelagens. As peças usam algodão certificado e reciclado, além de tecnologias que, segundo a varejista, reduzem em até 82% o consumo de água e em até 77% o uso de produtos químicos na lavagem. É mais um entre os vários investimentos que a empresa tem feito em sustentabilidade.
"Mais recentemente, em um momento em que as pessoas valorizam roupas com intenção estética e presença, o jeans vem ganhando relevância sob uma nova perspectiva. Passamos a oferecer coleções que reposicionam o denim como elemento central dos looks. Ele segue sendo um coringa, mas também passa a ser expressão de identidade e autenticidade", diz a diretora de estilo da marca, Juliana Frasca, em entrevista à reportagem.
Na C&A, a categoria também é tratada como um pilar central dos negócios, com duas janelas dedicadas à "Semana Jeans" ao longo do ano. Além de apostar em novas proporções — com destaque para as modelagens amplas e arredondadas conhecidas como B-shapes (baggy, barrel e balloon) e os jorts —, a varejista reforçou o compromisso com a economia circular e lançou uma coleção cápsula de jeans 100% reciclado, desenvolvida pelo estilista Gustavo Silvestre. Com uma semana desde a chegada às lojas, a colaboração já vendeu mais da metade do estoque, tendo nas jaquetas a peça de destaque.
Os produtos foram produzidos a partir de peças arrecadadas pelo Movimento ReCiclo, programa de logística reversa da varejista. O lançamento comemorou os 50 anos da marca no Brasil em um desfile no MASP.
“O destaque da temporada continua sendo a wide leg, mas a novidade está nos B-shapes, que trazem novas proporções e atualizam a silhueta”, destacam os porta-vozes de estilo da C&A. “A principal inovação, contudo, está no jeans circular. É um desenvolvimento importante porque une inovação, design e circularidade, apontando para novas possibilidades de futuro para o denim.”
Lançamento dos jeans da C&A nos 50 anos da marca
Além da vitrine de sustentabilidade, na qual as três varejistas brigam para ver quem tem mais terreno e tecnologia, há mais motivos pelos quais o jeans é considerado o grande trunfo da moda. Um deles, talvez entre os mais importantes, vem do consumidor.
Do ponto de vista fabril, a base do denim é uniforme, o que garante economia de escala em volumes gigantescos. Do ponto de vista de estilo, pequenas alterações no processo de lavagem, no corte ou na adição de fibras sustentáveis transformam um produto básico de prateleira em um item assinado.
Do ponto de vista do consumidor — todas as três varejistas bem sabem —, o jeans cria fidelidade. "Quando alguém encontra um caimento que funciona para o seu corpo, a tendência de recompra na mesma marca é altíssima", analisa um relatório do setor feito pela GVR.
A versatilidade também é atrativa: além da clássica calça, o denim permite ampliar a cesta de compras do cliente ao se desdobrar em jaquetas, camisas, saias, bermudas, coletes e acessórios que conversam entre si. E elevam, por consequência, o valor final do ticket.
Se ele é o produto mais vendido das três varejistas procuradas pela EXAME, não há como saber. Nenhuma das lojas compartilhou volume de vendas do jeans, nem o faturamento dedicado. O investimento recente, por outro lado, dá dicas da importância do tecido para as marcas.
O jeans combina escala de produção, versatilidade e potencial de fidelização dos clientes. Segundo um relatório da Grand View Research, consumidores que encontram um bom caimento apresentam alta tendência de recomprar na mesma marca.
A Riachuelo lançou uma nova coleção da Pool Jeans, enquanto a Renner apresentou uma linha premium feminina com 12 calças e três modelagens. A C&A lançou uma coleção cápsula de jeans 100% reciclado desenvolvida pelo estilista Gustavo Silvestre.
Segundo a Riachuelo, as vendas de jeans cresceram 9,6% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No segmento feminino, a alta chegou a 19%, impulsionada pelo modelo wide leg.
Segundo a Riachuelo, suas tecnologias de lavanderia reduzem em até 70% o consumo de água e em 60% o uso de produtos químicos. A Renner afirma que as tecnologias da nova linha premium diminuem em até 82% o consumo de água e em até 77% o uso de produtos químicos na lavagem.
A coleção foi produzida com peças arrecadadas pelo Movimento ReCiclo, programa de logística reversa da C&A. Segundo a varejista, a colaboração vendeu mais da metade do estoque na primeira semana, com destaque para as jaquetas.
Segundo a Grand View Research, o mercado global de jeans foi avaliado em US$ 86,66 bilhões em 2024. A consultoria estima que a categoria alcance US$ 121,5 bilhões até 2030.