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Como a Impala, no centro de São Paulo, se tornou o ‘templo da relojoaria’

A loja no bairro paulistano do Cambuci vende mais de 1.500 modelos de marcas como Seiko, Orient e Citizen. E ficará ainda maior

Renan Távore: comunicação como estratégia de expansão (Impala/Divulgação)

Renan Távore: comunicação como estratégia de expansão (Impala/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 14h38.

Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 14h57.

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RESUMO | Fundada em 1969, a relojoaria Impala transformou-se desde a pandemia em destino nacional para apaixonados por relógios, com apoio do e-commerce e da comunicação de Renan Távore. Com cerca de 1.500 referências, a empresa vende modelos de R$ 300 a R$ 40 mil e planeja abrir uma loja de até 1.000 metros quadrados em 2028.


Durante quase cinco décadas, a Impala foi uma relojoaria conhecida principalmente pelos moradores do Cambuci, bairro tradicional da região central de São Paulo. A loja acompanhou as mudanças do entorno, viu o perfil comercial da região se transformar e precisou se reinventar para continuar relevante.

Nos últimos anos, porém, a empresa passou a ocupar outro espaço: o de destino para apaixonados por relógios em todo o Brasil. Clientes de diferentes estados incluem a loja em seus roteiros quando passam por São Paulo, atraídos principalmente pelo prestígio da loja. E pela comunicação nas redes sociais de Renan Távore, o “Confrade Renan”.

A estratégia foi transformar uma relojoaria de bairro em uma operação especializada em curadoria e conhecimento técnico. O e-commerce também cresceu. Atende todo o Brasil e fatura mais do que a loja física. “Eu não queria ser conhecido como a relojoaria do Cambuci. Eu queria que a pessoa pensasse em relógio e lembrasse da Impala”, diz Távore, responsável pela nova fase da empresa.

De relógios japoneses a suíços

O principal ativo da Impala hoje está dentro das vitrines, na variedade de marcas e de modelos. A loja reúne cerca de 1.500 referências, com relógios que vão de modelos de entrada, na faixa de R$ 300, até peças premium vendidas a R$ 40 mil.

O portfólio é concentrado principalmente em marcas japonesas, segmento no qual Távore se especializou ao longo dos anos. A empresa trabalha com nomes tradicionais como Orient, Seiko, Citizen e Casio, principalmente com a coleção G-Shock. Também se tornou a única revendedora autorizada no Brasil da Orient Star, marca da Orient, de relógios fabricados no Japão com acabamento superior.

A aposta na relojoaria japonesa foi uma escolha pensada. Segundo Távore, durante anos o consumidor brasileiro associava relógios de maior valor principalmente às marcas suíças, mas havia uma oportunidade de mostrar a evolução técnica dos fabricantes japoneses.

Um dos exemplos foi a aproximação com a Seiko. Renan conta que buscou trazer modelos premium da marca em um momento em que ainda havia resistência sobre o potencial desses produtos no Brasil. Em 2019, durante o salão Baselworld, que acontecia na Suíça, ele conheceu modelos da linha Spring Drive, da Grand Seiko, e iniciou uma negociação para trazer os relógios ao país.

“Quando mostrei meu interesse, a primeira preocupação deles foi se eu ia conseguir vender. Eu falei que essa preocupação era minha, não deles. O que eles tinham que fazer era me fornecer o que eu estava pedindo”, conta. Hoje, a Seiko é uma das marcas mais importantes para a operação. A Impala trabalha com quase 300 SKUs da marca.

O conhecimento de mercado e o bom relacionamento com a Orient no Brasil faz com que Távore seja constantemente consultado pela marca sobre comportamento do consumidor. A seu pedido, a Orient desenvolveu o modelo Orient 3 Star Tutti Frutti, com mostrador rosa e bracelete integrado, exclusivo para a Impala.

Para trazer marcas de outro perfil, Távore abriu uma segunda empresa, a Herit, que conta hoje com representação exclusiva no Brasil de Eberhard, Nivada Grenchen, Laco, Claude Bernard, Venezianico, Edox, Squale e Tuttima, de preço final mais elevado.

A oferta extensa de modelos e de marcas inspirou o time de marketing. A Impala deixou de ser apenas a Impala. Hoje, na comunicação da marca, é “o templo da relojoaria”.

Do Cambuci para o Brasil

A história da Impala começou em 1969, com Lourenço Impala, fundador italiano que deu nome à empresa. Cinco anos depois, em 1974, a loja chegou ao endereço atual no Largo do Cambuci, onde permanece até hoje.

O pai de Renan, Sérgio Távore, entrou na empresa em 1977, aos 18 anos, como relojoeiro. Ele havia aprendido a profissão com o próprio pai, que tinha uma loja em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

Com o tempo, Sérgio passou a atuar também nas vendas e no atendimento, até assumir a empresa. Renan cresceu dentro da relojoaria e começou a participar da operação ainda jovem. “Sempre quis vender, sempre gostei de atendimento”, diz.

Durante anos, o Cambuci foi uma região comercialmente forte, impulsionada principalmente pela indústria gráfica. A Impala se beneficiava do movimento de trabalhadores e moradores da região. Mas a transformação urbana mudou o cenário. A saída de empresas, a redução do movimento industrial e a mudança do perfil do bairro obrigaram a loja a diversificar os produtos.

A empresa passou a trabalhar também com artigos para presente e fotografia.  A retomada da venda de relógios veio principalmente com a internet, cerca de dez anos atrás. Depois de uma tentativa de e-commerce próprio e da entrada em marketplaces, Renan percebeu que o desafio era fazer o consumidor conhecer a marca por trás do produto. A solução foi colocar o próprio rosto na comunicação.

“O Renan que estava no balcão e passava a confiança no atendimento físico precisava passar essa confiança no atendimento online”, diz Távore, falando na terceira pessoa. No início, diz, a exposição foi difícil. Ele conta que precisava regravar os vídeos dezenas de vezes até chegar a uma versão que considerasse aceitável.

Hoje, essa proximidade com o público pelas redes sociais virou parte da estratégia comercial da empresa. “A pessoa compra de uma pessoa, não tem jeito”, afirma.

A loja hoje conta com apenas 45 metros quadrados, para atendimento ao público. Existe ainda uma parte voltada para estoque, atendimento de e-commerce e oficina mecânica, de mais 150 metros quadrados. O imóvel é alugado. “O dono nunca quis vender a casa”, conta Távore.

O novo templo

O próximo capítulo da empresa está previsto para 2028. A Impala se prepara para mudar de endereço, no vizinho bairro do Ipiranga, também na zona central de São Paulo, desta vez em um imóvel próprio.

A nova loja deve ter entre 800 e 1.000 metros quadrados, muito acima dos cerca de 45 metros quadrados da área atual de atendimento. O projeto prevê espaços para eventos, experiências e uma apresentação mais completa das marcas.

A escolha do bairro foi estratégica. Segundo Renan, a empresa chegou a avaliar regiões como os Jardins, mas entendeu que o endereço precisava ter conexão com a história da marca. “Não era uma questão de valor, era conexão”, diz.

O Ipiranga, segundo ele, representa uma continuidade da trajetória da família, que começou no Cambuci. A ambição é transformar o novo espaço em uma referência não apenas no Brasil, mas para consumidores da América Latina, diz Távore, o pastor do templo da relojoaria.


Como a Impala deixou de ser uma relojoaria de bairro?

A Impala apostou em curadoria, conhecimento técnico, e-commerce e na comunicação de Renan Távore nas redes sociais. Desde a pandemia, a loja passou a atrair clientes de vários estados e tornou-se destino para apaixonados por relógios.

Quais marcas de relógios são vendidas pela Impala?

A Impala trabalha com marcas japonesas como Orient, Seiko, Citizen e Casio, além da linha G-Shock. A relojoaria também é a única revendedora autorizada da Orient Star no Brasil, enquanto a Herit representa marcas como Eberhard, Nivada Grenchen, Laco, Claude Bernard, Venezianico, Edox, Squale e Tuttima.

Quanto custam os relógios vendidos pela Impala?

Os preços variam de cerca de R$ 300 para modelos de entrada a R$ 40 mil para peças premium. A loja reúne aproximadamente 1.500 referências, incluindo quase 300 SKUs da Seiko.

O e-commerce da Impala vende para todo o Brasil?

Sim. O e-commerce atende clientes de todo o Brasil e já fatura mais do que a loja física localizada no Largo do Cambuci, em São Paulo.

Quem é Renan Távore, o Confrade Renan?

Renan Távore é o responsável pela nova fase da Impala e atua como rosto da relojoaria nas redes sociais. Segundo Távore, a exposição pessoal levou para o ambiente online a confiança que ele transmitia aos clientes no balcão.

Como será a nova loja da Impala prevista para 2028?

A nova loja deve ocupar um imóvel próprio de 800 a 1.000 metros quadrados no Ipiranga, com espaços para eventos, experiências e exposição mais completa das marcas. Segundo Renan Távore, a meta é transformar o endereço em referência para consumidores do Brasil e da América Latina.

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