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A corrida da Meta para vender óculos inteligentes sem a Ray-Ban

Marca lança linha própria com Kylie Jenner e preços a partir de R$ 1.555, enquanto o mercado já responde com Google, Samsung, Apple e Snap

Meta Glasses, nova linha própria da Meta, chega ao mercado sem o nome Ray-Ban nas armações (Divulgação)

Meta Glasses, nova linha própria da Meta, chega ao mercado sem o nome Ray-Ban nas armações (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 6 de julho de 2026 às 06h36.

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Em junho, a Meta apresentou em Nova York sua primeira linha de óculos inteligentes sem o nome Ray-Ban ou Oakley nas armações. A coleção, batizada de Meta Glasses, chega em parceria com a EssilorLuxottica, a mesma fabricante franco-italiana dos modelos anteriores, mas agora sob controle total da marca de Mark Zuckerberg sobre preço, design e distribuição.

São três famílias de armações, em 26 combinações de cores e formatos. O Adventurer tem corte retangular clássico. O Fury aposta em um desenho mais esportivo. E o Starfire, criado ao lado da influenciadora e empresária Kylie Jenner, tem formato oval fino, inspirado em marcas como Gentle Monster e Prada.

Os preços partem de US$ 299, cerca de R$ 1.555 na cotação atual, para o Adventurer e o Fury. Já o Starfire custa US$ 399, o equivalente a R$ 2.075, e chegou às lojas físicas e digitais da Meta, LensCrafters, Sunglass Hut, Best Buy e Amazon nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e em dez países da Europa.

A aposta em Kylie Jenner

O Starfire concentra os detalhes pensados para o público mais jovem. Tem uma pequena pedra cravada perto da lente direita, próxima à câmera, referência aos flashes de paparazzi que acompanham a socialite desde a adolescência. A ponte do nariz é de metal, escolhido para facilitar a remoção de resíduos de maquiagem, um pedido da própria Jenner durante o desenvolvimento do produto.

O modelo também permite configurar a voz da assistente de inteligência artificial da Meta com um clone da voz de Jenner, treinado para responder perguntas, ligar para contatos e ler notificações. É a primeira incursão da empresária em tecnologia vestível, depois de anos concentrada em cosméticos e moda.

O executivo Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, afirmou que o objetivo por trás da mudança de marca é ampliar a variedade de opções disponíveis no mercado, mantendo a parceria de fabricação, lentes e distribuição com a EssilorLuxottica.

Preço agressivo em um mercado dominado pela Meta

Ray-Ban Meta Wayfarer segue à venda pela EssilorLuxottica, parceira da Meta desde 2021 e responsável pela fabricação de ambas as linhas

Sem o custo da licença Ray-Ban, os novos óculos saem US$ 80 mais baratos que a versão anterior, a Ray-Ban Meta Gen 2, lançada em setembro de 2023. Segundo a EssilorLuxottica, esse modelo triplicou a receita ano a ano e vendeu mais de 7 milhões de unidades em 2025. A Counterpoint Research estima que a Meta detinha 73% do mercado global de óculos inteligentes no primeiro semestre daquele ano.

A empresa também vende a versão topo de linha Ray-Ban Display, com tela embutida na lente, por US$ 799, cerca de R$ 4.155. O valor segue acima dos novos modelos, mas distante dos US$ 2.195 cobrados pela Snap por seu óculos de realidade aumentada, o Specs, apresentado em 16 de junho na Augmented World Expo, na Califórnia. Convertido, o preço da Snap chega a R$ 11.415.

Google, Samsung e Apple entram na disputa

A concorrência avançou nas últimas semanas. Em maio, no Google I/O, Google e Samsung mostraram os primeiros óculos com o sistema Android XR, desenvolvidos com a Warby Parker e a Gentle Monster, com lançamento previsto para o outono do hemisfério norte. A Apple também trabalha em sua própria linha, com lançamento estimado para 2027, segundo reportagem da Bloomberg.

A movimentação simultânea de gigantes de tecnologia e marcas de moda reforça a disputa por um mercado que, apesar do crescimento acelerado, ainda enfrenta resistência de consumidores em relação a preço, privacidade e captação de imagens sem consentimento.

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