Tecnologia

O novo "poder" do CEO: como a IA saiu da TI para a palma da mão

Com ferramentas voltadas a facilitar a gestão do C-Level, empresas como Databricks e Cielo ampliam investimentos em governança

Marcos Grilanda, da Databricks: a IA consegue traduzir a empresa em tempo real para o CEO (Crédito: Divulgacão)

Marcos Grilanda, da Databricks: a IA consegue traduzir a empresa em tempo real para o CEO (Crédito: Divulgacão)

Luiz Gustavo Pacete
Luiz Gustavo Pacete

Consultor de Projetos Especiais

Publicado em 6 de julho de 2026 às 08h00.

SAN FRANCISCO - Telas gigantes, de preferência em dose dupla, centenas de dashboards despejando dados em tempo real na sala de uma ou um CEO. A imagem remete a um imaginário que, apesar de ainda real, pode tornar-se cada vez mais ultrapassado. Com o avanço da inteligência artificial generativa e sua capacidade de sintetizar e organizar informações estratégicas, o celular passou a ser o novo "superpoder” dos C-levels.

Essa é uma das realidades da Cielo, por exemplo, que vem investindo em uma estratégia de integração total de dados como conta Gabriel Mochnacs, Superintendente Executivo de Dados & IA. "Hoje, com o trabalho que fizemos de 'Golden Source' sobre o contexto de dados, conseguimos levar essas visões para nosso CEO e outros C-levels de forma imediata. Se ele precisa saber como estão as vendas comerciais, nós entregamos isso de forma consolidada. Não é apenas a gestão da plataforma, mas a utilização dos dados para entender o contexto da empresa".

A possibilidade de ter um sistema que entende profundamente as operações da companhia não está restrita à Cielo. Outras organizações também conseguiram estruturar seus dados para facilitar a entrega de informações aos CEOs e, como consequência, uma melhor tomada de decisão. Esse movimento de democratização do acesso a insights foi reforçado durante o Data + AI Summit, realizado em junho de 2026 em São Francisco, onde a Databricks apresentou avanços na infraestrutura de dados para a era dos agentes. 

Entre as inovações reveladas no evento, destaca-se o Genie One, um novo "colega de trabalho" agêntico projetado para ajudar equipes de negócios a automatizar e orquestrar atividades utilizando qualquer tipo de dado, estruturado ou não, analítico ou operacional. Diferente de ferramentas genéricas, o Genie One é estruturado em uma camada de contexto dinâmica que aprende continuamente sobre o negócio a partir de dados internos e externos, ferramentas de IA e aplicativos corporativos.

“Ao ter essa capacidade na palma da mão, o CEO deixa de ser um observador da transformação e passa a ter acesso direto ao contexto e aos dados da própria empresa, eliminando intermediários e reduzindo a latência entre a pergunta estratégica e a resposta orientada por dados", explica Marcos Grilanda, General Manager da Databricks para a América Latina. Dentre outros CEOs que usam a ferramenta estão líderes da Estapar, Cactus Gaming, Dock, Natura Pay e Arcos Dorados.

Levantamento da Dataiku, extraído do relatório de confissões de C-levels sobre IA, mostra que 94% dos CEOs globais afirmam que um agente de inteligência artificial poderia fornecer aconselhamento e atuar como como um "conselheiro" de maneira efetiva. Outro estudo, da EY-Parthenon mostra que 94% dos líderes no Brasil veem a IA trazendo resultados acima do previsto. No entanto, segundo dados da KPMG, enquanto muitas empresas já utilizam a ferramenta estrategicamente, grande parte dos líderes busca capacitação individual para compreender melhor seu potencial.

Entre a teoria e a prática 

Apesar da solução prática, o desafio é muito maior do que parece para muitas empresas. No caso da Cielo, foi preciso uma integração que vem demandando anos de trabalho. "Não era só uma questão técnica, mas sobre criar um ecossistema que possibilitasse transformar dado em negócio, eficiência e, acima de tudo, segurança. Sem governança e visão de controle da qualidade das informações, a segurança e a confiança diminuem", afirma Gabriel Mochnacs.

Ainda de acordo com o executivo da Cielo, não basta utilizar modelos, mas os governar, principalmente no atual contexto de agentes de IA. "Apresentamos uma plataforma de gestão de agentes onde todo agente criado, seja por uma área de negócio ou tecnologia, entra para monitoramento. Conseguimos ver as decisões tomadas, o tipo de interação e garantir a segurança da informação, auditoria e compliance".

A ausência de uma estrutura dedicada para IA faz com que a tecnologia fique represada em filas de TI, o que inevitavelmente gera o Shadow AI. "A área de negócio não vai ficar esperando o resto da vida. [...] E aí você vai deixando vulnerável essa operação de tecnologia", alerta Grilanda. Ele reforça ainda que a missão da companhia é fornecer a camada de governança que permita que a IA entenda as nuances do negócio: "A falta de contexto é um dos grandes blockers para a adoção. [...] Você pega um modelo qualquer da OpenAI, da Anthropic, etc. Ele tem uma capacidade de resolução de respostas enorme. Mas ele não tem o contexto da tua companhia", destaca Gabriel.

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