Lula: presidente eleva tom sobre soberania eleitoral ( Ricardo Stuckert / PR/Flickr/Divulgação)
Publicado em 25 de julho de 2026 às 15h46.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom sobre a soberania eleitoral do país neste sábado, 25, ao afirmar que quem vier de fora tentar interferir nas eleições brasileiras de outubro "vai apanhar muito". A declaração foi feita em discurso durante a convenção do PT que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
"Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores", disse o presidente.
O discurso ocorreu depois que o Ministério das Relações Exteriores negou visto a dois funcionários do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil nos próximos dias. Segundo reportagem do jornal The Washington Post, a comitiva americana pretendia questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.
Sem citar adversários pelo nome, Lula reforçou que o resultado da disputa cabe apenas ao eleitor brasileiro. "O aviso está dado. O Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo, o Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz", afirmou.
O petista também associou a rejeição a interferências externas a ações do próprio governo. "Somos responsáveis pela maior quantidade de reservas ambientais criadas neste país. É por isso que somos respeitados no mundo. E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", disse.
A declaração se soma a uma série de manifestações de integrantes do governo em defesa da soberania brasileira em meio aos atritos com Washington. Ontem, Lula havia defendido a ampliação dos investimentos em defesa para "não deixar ninguém meter o nariz no país".
O desgaste entre os dois países piorou recentemente, quando o governo Trump impôs novas tarifas a produtos brasileiros, medida que gerou incerteza para exportadores e acirrou a pauta das negociações comerciais entre os dois governos.