Brasil

Lula sobe o tom sobre eleições: 'quem quiser se meter, vai apanhar muito'

Fala do presidente ocorre após o Itamaraty negar visto a funcionários do governo americano

Lula: presidente eleva tom sobre soberania eleitoral ( Ricardo Stuckert / PR/Flickr/Divulgação)

Lula: presidente eleva tom sobre soberania eleitoral ( Ricardo Stuckert / PR/Flickr/Divulgação)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom sobre a soberania eleitoral do país neste sábado, 25, ao afirmar que quem vier de fora tentar interferir nas eleições brasileiras de outubro "vai apanhar muito". A declaração foi feita em discurso durante a convenção do PT que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

"Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores", disse o presidente.

O que motivou a fala de Lula

O discurso ocorreu depois que o Ministério das Relações Exteriores negou visto a dois funcionários do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil nos próximos dias. Segundo reportagem do jornal The Washington Post, a comitiva americana pretendia questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.

Sem citar adversários pelo nome, Lula reforçou que o resultado da disputa cabe apenas ao eleitor brasileiro. "O aviso está dado. O Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo, o Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz", afirmou.

O petista também associou a rejeição a interferências externas a ações do próprio governo. "Somos responsáveis pela maior quantidade de reservas ambientais criadas neste país. É por isso que somos respeitados no mundo. E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", disse.

Tensão com os EUA no pano de fundo

A declaração se soma a uma série de manifestações de integrantes do governo em defesa da soberania brasileira em meio aos atritos com Washington. Ontem, Lula havia defendido a ampliação dos investimentos em defesa para "não deixar ninguém meter o nariz no país".

O desgaste entre os dois países piorou recentemente, quando o governo Trump impôs novas tarifas a produtos brasileiros, medida que gerou incerteza para exportadores e acirrou a pauta das negociações comerciais entre os dois governos.

Acompanhe tudo sobre:Luiz Inácio Lula da SilvaDonald TrumpTarifasEleições

Mais de Brasil

Quem é Mario Frias, alvo da PF em investigação sobre filme ‘Dark Horse’

Na Faria Lima, Cury diz que não apoiaria Lula em 'hipótese nenhuma' no 2º turno

PF faz operação para investigar financiamento do filme 'Dark Horse'

Caixa entra em greve por tempo indeterminado; veja o que está em jogo