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A ascensão da nova geração brasileira de tenistas adolescentes

Nomes como Guto Miguel, João Fonseca, Nauhany Silva e Victoria Barros despontam juntos pela primeira vez na história do tênis nacional, e essa simultaneidade diz mais sobre o esporte brasileiro do que qualquer conquista isolada

Guto Miguel foi campeão de Roland Garros aos 17 anos (Reprodução/Redes Sociais)

Guto Miguel foi campeão de Roland Garros aos 17 anos (Reprodução/Redes Sociais)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 10 de julho de 2026 às 07h42.

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Em junho de 2026, Luís "Guto" Miguel, goiano de 17 anos, venceu o americano Michael Antonius por 6/3 e 6/4 na final juvenil de Roland Garros. Foi a primeira vez que um brasileiro levantou esse troféu, depois de 67 anos de tentativas que remontam a Edison Mandarino, em 1959.

Guto começou o ano na 1.586ª posição do ranking ATP e saltou mais de 750 postos após o título, chegando à liderança do ranking juvenil da ITF. Formado em Santos Dumont, no interior de Goiás, ele já treinou como sparring de João Fonseca, o tenista que abriu esse caminho ao entrar para o top mundial antes dos 19 anos.

João Fonseca reage durante partida contra Novak Djokovic em Roland Garros 2026. Brasileiro avançou às oitavas de final do Grand Slam francês e agora enfrenta Casper Ruud.

João Fonseca: brasileiro enfrentou o norueguês Casper Ruud nas oitavas de final de Roland Garros (Dimitar Dilkoff/AFP)

A força das tenistas brasileiras

No feminino, o fenômeno se repete com nomes como Nauhany Silva, a Naná, e Victoria Barros. Naná cresceu no Real Parque, comunidade na zona sul de São Paulo, treinando em quadras públicas e, quando faltava espaço, com uma fita esticada entre árvores, fazendo as vezes de rede. Aos 14 anos e seis meses, tornou-se a tenista mais jovem a integrar o ranking da WTA, superando a marca que Beatriz Haddad Maia havia estabelecido aos 15. Seu saque já foi registrado a 189 km/h, velocidade típica de jogadoras profissionais adultas.

Victoria Barros seguiu um percurso diferente, mas chegou ao mesmo patamar. Nascida em Natal, passou a treinar na academia de Patrick Mouratoglou, na França, a convite pessoal do técnico que trabalhou por mais de dez anos com Serena Williams. Em março de 2026, ocupava o 9º lugar do ranking juvenil mundial da ITF. Em novembro de 2024, ela e Naná entraram para o ranking da WTA com apenas 14 anos cada uma, tornando o Brasil o único país com duas tenistas dessa idade na lista ao mesmo tempo.

Um histórico que já não depende de um nome só

Historicamente, o tênis brasileiro revelou grandes nomes de forma espaçada, um talento aparecendo a cada muitos anos, sem continuidade entre gerações. O que se observa agora é diferente: além de Guto, Naná e Victoria, João Bonini e Pedro Chabalgoity também disputam torneios juvenis de Grand Slam, ampliando o número de adolescentes brasileiros circulando no cenário internacional ao mesmo tempo.

Essa concentração de talentos jovens já começa a criar uma rede de referências entre os próprios atletas. Guto treinou como sparring de Fonseca antes de vencer em Paris. Naná cita Beatriz Haddad Maia como inspiração e já treinou ao lado dela na Billie Jean King Cup. Essa proximidade entre quem está no topo e quem está chegando reduz a distância entre ser promessa e ser profissional, algo que gerações anteriores não tinham à disposição da mesma forma.

O ranking juvenil e a carreira consolidada

Entrar cedo no ranking profissional ou vencer um título juvenil indica potencial, mas não garante trajetória. Guto Miguel, apesar do título em Roland Garros, ocupa apenas a 829ª posição no ranking adulto da ATP. Victoria Barros aparecia na casa dos 1.100 no ranking profissional da WTA em 2026, mesmo com o 9º lugar no juvenil. O contraste entre os dois circuitos é comum para atletas nessa fase de transição, e a exigência física e tática do tênis adulto costuma filtrar boa parte das promessas que se destacam ainda na categoria de base.

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