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A Adidas está se preparando para lançar um tênis impresso em 3D

Futurecool chega às lojas em abril de 2027, mas antes 400 pares numerados serão distribuídos por sorteio no aplicativo CONFIRMED

O Futurecool chega em edição limitada de 400 pares por sorteio antes do lançamento global em abril de 2027

O Futurecool chega em edição limitada de 400 pares por sorteio antes do lançamento global em abril de 2027

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 17h52.

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A Adidas confirmou o lançamento do Futurecool, um tênis produzido inteiramente por impressão 3D, com chegada às lojas prevista para abril de 2027. O modelo representa um avanço em relação às experiências anteriores da marca com manufatura aditiva, que até então se limitavam a criar entressolas em formato de treliça. Agora, o calçado inteiro sai de uma única estrutura impressa, sem costuras.

Antes da chegada ao varejo, a Adidas vai distribuir 400 pares numerados por meio de sorteio no aplicativo CONFIRMED, com inscrições abertas a partir de 28 de agosto. O lançamento global mais amplo está marcado para 1º de abril de 2027, quando o produto deve chegar de forma mais ampla ao mercado consumidor.

Design pensado para ventilação e adaptação ao pé

Detalhe do Futurecool, tênis impresso inteiramente em 3D pela Adidas, com solado vazado e listras integradas à estrutura

O Futurecool foi construído sobre a tecnologia Climacool da Adidas e aposta em um visual que remete ao futuro, com curvas esculpidas e as três listras características da marca incorporadas à própria estrutura impressa. A ideia por trás da construção sem costuras é permitir ventilação em 360 graus e um encaixe que se adapta ao formato do pé, como uma segunda pele. Para isso, a empresa combina resina com materiais próprios, buscando equilibrar flexibilidade para o uso diário com a resistência esperada de um tênis convencional.

Alexander Taylor, vice-presidente sênior de design e inovação da Adidas, afirmou que o Futurecool redefine o conceito de tênis, unindo tecnologia avançada de impressão a um design que não se parece com nada usado antes. Segundo ele, o produto foi pensado para quem quer experimentar o futuro antes de ele se tornar padrão de mercado.

A impressão 3D em escala industrial da On

Cloudmonster 3 Hyper, modelo da On produzido com a tecnologia LightSpray na nova fábrica em Busan, na Coreia do Sul

A aposta da Adidas chega em um momento em que a impressão 3D de calçados deixou de ser apenas uma vitrine tecnológica para virar linha de produção. A suíça On, por exemplo, já opera nesse formato com a tecnologia LightSpray, usada no modelo Cloudmonster 3 Hyper. O processo consiste em derreter plástico em um filamento de 1,5 quilômetro e imprimi-lo em torno de um molde com o solado, criando uma parte superior que pesa apenas 30 gramas e leva cerca de três minutos para ficar pronta.

A empresa suíça inaugurou recentemente uma fábrica em Busan, na Coreia do Sul, dedicada à produção em maior escala do modelo. Enquanto a unidade original em Zurique opera com quatro robôs, a nova planta coreana conta com 32 máquinas, capazes de produzir milhares de peças por dia. Mais de 200 patentes foram registradas ao longo do desenvolvimento da tecnologia.

O momento também é positivo para os resultados financeiros da On. A companhia encerrou o terceiro trimestre de 2025 com vendas líquidas de CHF 794,4 milhões, o equivalente a cerca de R$ 4,5 bilhões, alta de 24,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi puxado tanto pelo canal direto ao consumidor quanto pelo atacado, com a categoria de vestuário mais do que dobrando de tamanho no período.

Produção local ganha espaço entre marcas esportivas

A movimentação de Adidas e On acontece dentro de um cenário em que grandes marcas esportivas buscam reduzir a dependência de fábricas terceirizadas concentradas na Ásia, especialmente no Vietnã, hoje um dos maiores polos de produção de calçados do mundo. A impressão 3D permite tanto encurtar o tempo entre o design de um produto e sua chegada ao consumidor quanto trazer parte da manufatura para perto dos mercados de venda.

A On planeja abrir novas fábricas nos Estados Unidos e na Europa nos próximos anos, além da unidade sul-coreana. Atualmente, 60% das vendas da marca acontecem no mercado americano. Já a Adidas não detalhou onde pretende ampliar a produção do Futurecool caso a demanda supere a primeira leva limitada, mas o modelo está posicionado como parte de uma estratégia mais ampla da empresa para explorar manufatura aditiva em outras linhas de produtos nos próximos anos.

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