Yayoi Kusama: artista japonesa morreu aos 97 anos em um hospital de Tóquio, em 14 de agosto (Reprodução/Instagram)
Repórter
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 07h31.
Yayoi Kusama, que morreu aos 97 anos, deixa como um dos capítulos mais lembrados de sua carreira a parceria com a Louis Vuitton. Em duas coleções, lançadas em 2012 e 2023, a artista japonesa levou suas bolinhas para bolsas, roupas e vitrines de uma das maiores grifes de luxo do mundo.
A relação começou em 2006, quando o então diretor criativo da Louis Vuitton, Marc Jacobs, visitou o ateliê de Kusama em Tóquio. A artista presenteou Jacobs com uma bolsa da marca coberta por bolinhas pintadas à mão.
Seis anos depois, em 2012, a visita virou produto. A primeira coleção sobrepôs o padrão de pontos de Kusama ao monograma histórico da Louis Vuitton em bolsas, sapatos, vestidos e lenços. A coleção teve repercussão imediata e hoje algumas peças são consideradas item de colecionador.
Em 2023, sob o comando do diretor criativo Nicolas Ghesquière, a grife lançou um segundo capítulo da parceria, dez anos após o primeiro. A coleção passou por roupas femininas e masculinas, bolsas e acessórios, com lançamentos ao longo do primeiro semestre daquele ano.
Gisele estrela campanha da Louis Vuitton x Yayoi Kusama. (Steven Meisel/Divulgação)
A campanha foi fotografada por Steven Meisel e estrelada por modelos como Gisele Bündchen. Para marcar o relançamento, a Louis Vuitton instalou um manequim gigante de Kusama na fachada de sua loja na Champs-Élysées, em Paris, durante a semana de moda de janeiro.
A parceria também é um retrato de como a Louis Vuitton usa colaborações com artistas para reforçar seu posicionamento de luxo. Fundada em 1854, a grife mantém histórico de projetos com nomes das artes visuais, unindo peças de moda a linguagens de museu — estratégia que ajuda a sustentar preços premium e o apelo colecionável dos produtos.
Yayoi Kusama na infância em Matsumoto, no Japão, onde começou a pintar aos dez anos de idade. (Reprodução/Instagram)
Nascida em 22 de março de 1929, em Matsumoto, no Japão, Kusama começou a pintar ainda criança. Aos 20 anos, contrariando a família, mudou-se para os Estados Unidos e se estabeleceu em Nova York, onde passou a participar da cena artística de vanguarda.
No fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, ganhou atenção com as pinturas que chamou de “Infinity Nets”, formadas por milhares de pequenas pinceladas repetidas. O trabalho chamou a atenção de artistas como Donald Judd e colocou Kusama entre os nomes que ajudavam a renovar a arte americana.
Ela também passou a produzir esculturas e instalações com elementos repetidos. Uma de suas séries mais conhecidas daquele período usava objetos cotidianos cobertos por centenas de formas fálicas feitas de tecido.