Yayoi Kusama: artista japonesa, conhecida pelas obras com bolinhas e pelas “Infinity Rooms”, morre aos 97 anos (Reprodução/Instagram)
Repórter
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 07h21.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 07h32.
A artista japonesa Yayoi Kusama, conhecida pelas obras cobertas de bolinhas, padrões repetitivos e pelas instalações imersivas “Infinity Rooms”, morreu aos 97 anos.
Ela morreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira, 27 pelo museu e pela fundação que levam seu nome. A causa da morte não foi informada.
Kusama construiu uma carreira de mais de sete décadas e passou por diferentes linguagens, incluindo pintura, escultura, performance, literatura e instalações.
Segundo o The New York Times, sua produção ajudou a aproximar a arte de vanguarda da cultura popular e, nas últimas décadas, transformou seu trabalho em um fenômeno global.
Yayoi Kusama na infância em Matsumoto, no Japão, onde começou a pintar aos dez anos de idade. (Reprodução/Instagram)
Nascida em 22 de março de 1929, em Matsumoto, no Japão, Kusama começou a pintar ainda criança. Aos 20 anos, contrariando a família, mudou-se para os Estados Unidos e se estabeleceu em Nova York, onde passou a participar da cena artística de vanguarda.
No fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, ganhou atenção com as pinturas que chamou de “Infinity Nets”, formadas por milhares de pequenas pinceladas repetidas. O trabalho chamou a atenção de artistas como Donald Judd e colocou Kusama entre os nomes que ajudavam a renovar a arte americana.
Ela também passou a produzir esculturas e instalações com elementos repetidos. Uma de suas séries mais conhecidas daquele período usava objetos cotidianos cobertos por centenas de formas fálicas feitas de tecido.
As bolinhas se tornaram a marca mais reconhecível de Kusama. O padrão apareceu em pinturas, esculturas, roupas, ambientes e performances, tornando-se parte central da identidade visual da artista.
Na década de 1960, Kusama também realizou performances em Nova York marcadas pela nudez e pela pintura de corpos com bolinhas. Os eventos tinham caráter artístico e político e incluíram manifestações contra a Guerra do Vietnã.
A artista dizia que a repetição dos padrões estava relacionada a experiências que a acompanhavam desde a infância. Em vez de esconder essas experiências, transformou-as em parte de seu processo criativo.
Yayoi Kusama com sua série de pinturas 'My Eternal Soul' em sua exposição retrospectiva na Tate Modern, em Londres. (Reprodução/Instagram)
Depois de retornar ao Japão em 1973, Kusama continuou produzindo pinturas, colagens, esculturas e textos. A partir do fim dos anos 1990, retomou as instalações em grande escala e desenvolveu as salas espelhadas que se tornariam sua produção mais popular.
Nas chamadas “Infinity Rooms”, espelhos, luzes e elementos repetitivos criam a sensação de um espaço sem fim. As instalações se tornaram atrações de museus e galerias em diferentes países e passaram a fazer parte da cultura das redes sociais.
O sucesso também se refletiu no mercado de arte. Em 2014, uma pintura “Infinity Net” de 1960 foi vendida por US$ 7,1 milhões em um leilão da Christie's, então um recorde para uma obra de uma artista mulher viva.
Instalação 'Infinity Mirror Room', uma das obras mais conhecidas da artista Yayoi Kusama. (Reprodução/Instagram)
Kusama também se tornou um nome ligado à moda por meio de duas colaborações com a Louis Vuitton. A primeira aconteceu em 2012, sob direção criativa de Marc Jacobs, e levou bolinhas e o padrão "Infinity Nets" a bolsas, roupas, sapatos e vitrines da grife.
Em 2023, a marca lançou um segundo capítulo da parceria, dez anos após a primeira. A coleção passou por womenswear, menswear, bolsas e acessórios e foi apresentada durante o desfile Cruise 2023, assinado por Nicolas Ghesquière no Salk Institute, em San Diego.
A campanha da coleção de 2023 foi fotografada por Steven Meisel e teve Gisele Bündchen entre os nomes escalados. A Louis Vuitton também instalou um manequim gigante de Kusama na fachada de sua loja na Champs-Élysées, em Paris, durante a Semana de Moda de janeiro daquele ano.
Gisele estrela campanha da Louis Vuitton x Yayoi Kusama. (Steven Meisel/Divulgação)
Kusama representou o Japão na Bienal de Veneza de 1993 e recebeu, em 2006, o Praemium Imperiale, um dos principais prêmios internacionais de arte. Em 2017, foi inaugurado em Tóquio o Yayoi Kusama Museum, dedicado à sua produção.
Ao longo do século 21, sua imagem também passou a aparecer em produtos e campanhas comerciais, enquanto exposições de sua obra atraíam grandes públicos. O próprio fenômeno de popularidade da artista chegou a ser chamado de “Kusamania”.
Mesmo com o reconhecimento internacional, a obra de Kusama continuou sendo discutida também a partir de sua trajetória pessoal. Em 2023, a artista pediu desculpas publicamente por comentários racistas feitos em sua autobiografia de 2002, que haviam voltado a provocar críticas.
Kusama continuou produzindo até os últimos anos de vida. Em comunicado sobre sua morte, a fundação afirmou que ela permaneceu dedicada à pintura até seus últimos dias.
"É com profundo pesar que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama, ocorrido em um hospital de Tóquio no dia 14 de agosto de 2026, aos 97 anos.
Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Kusama construiu uma carreira de renome internacional como artista de vanguarda pioneira, cuja prática criativa abrangeu artes visuais, performance, ficção e poesia.
Ela continuou a pintar até os seus últimos dias, sem jamais largar o pincel, e manteve-se firme na convicção, que norteou toda a sua vida, de que o amor pode salvar o mundo.
Daremos continuidade aos desejos de Kusama e, por meio da arte, seguiremos levando esperança e força para o futuro a pessoas de todo o mundo.
Informamos que a exposição "KUSAMA’s POP" prosseguirá conforme programado até o dia 30 de agosto.
Museu Yayoi Kusama
Fundação Yayoi Kusama"
*Com EFE