Carreira

Polywork: conheça a tendência que faz parte da vida do ator Marcello Antony

Além de ator e empresário, o artista aposta também na carreira de corretor de luxo em Portugal

Marcello Antony: “Já tive trabalhos ruins, mas no final fizeram parte do meu amadurecimento como ator e pessoa” (Marcello Antony /Redes Sociais/Reprodução)

Marcello Antony: “Já tive trabalhos ruins, mas no final fizeram parte do meu amadurecimento como ator e pessoa” (Marcello Antony /Redes Sociais/Reprodução)

Publicado em 15 de junho de 2024 às 16h46.

Tudo sobreflexibilidade-no-trabalho
Saiba mais

A “Polywork” é uma tendência que está ficando cada vez mais comum no mercado de trabalho. Na Geração Millennials era comum os chamados “bicos”, mas com a Geração Z o trabalho conquistou uma forma ainda mais flexível e não necessariamente uma pessoa precisa ter uma única carreira. O motivo para ter mais de um trabalho nem sempre é por causa do financeiro, pode estar atrelado a necessidade de fazer uma atividade que tem paixão, curiosidade e até vocação.

É o caso do ator Marcello Antony. Famoso por atuar em novelas históricas como Rei do Gado e Terra Nostra, além da carreira no teatro, ele apostou na vida de empreendedor no Brasil e agora está se desafiando como corretor de imóveis de luxo em Portugal.

“Encarei o convite para ser corretor como um desafio e estou muito feliz, porque posso trabalhar com essa parte de vendas, sem deixar de lado a minha carreira de ator”, diz Antony.

As três carreiras simplesmente aconteceram na vida de Antony, não foi nada planejado, foram simplesmente escolhas em diferentes momentos de sua vida.

Em entrevista à EXAME, Marcello Antony comenta sobre o novo desafio e o que espera dessas três carreiras nos próximos anos.

O seu sonho sempre foi de ser ator?

Virei ator por um acaso. Fui procurar uma faculdade de astrologia no Rio de Janeiro, no bairro Laranjeiras, mas o curso era muito caro. Na volta, encontrei um amigo que fazia curso de teatro, vi que o curso era mais em conta e me matriculei. Foi assim que começou a minha carreira de ator.

Qual foi o seu primeiro trabalho?

Enquanto eu fazia aulas de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, eu trabalhava de office boy no Estaleiro Caneco, região industrial destinada a construção de embarcações. Cheguei a ser assistente de produção, fotógrafo e técnico de som em shows, pisei pela primeira vez no teatro em 1989, mas foi na TV que tudo se intensificou.

Participei de grandes novelas, mas os personagens que ganhei do Benedito Rui Barbosa foram os que mais marcaram a minha carreira, como a minha estreia no Rei do Gado, como Bruno Berdinazzi, e Terra Nostra, como Marco Antônio Mariano.

Além de ator, você também é empresário. Em qual momento você sentiu vontade ou necessidade de empreender? Qual foi o maior desafio ao entrar no mundo dos negócios?

Em 2016 decidi empreender junto com a minha esposa na hamburgueria “Yama Burguer”, que fica localizada no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.

Senti que eu precisava diversificar o meu trabalho. A questão de ser empresário me ajudou bastante, até para ter uma renda paralela com a minha profissão. E acabei usando a credibilidade da minha imagem para fazer novos negócios.

Como desafio, o mundo dos negócios por si só já é muito desafiador, você aprende muito nas relações humanas e profissionais.

Você mora em Portugal desde 2018, por que decidiu viver neste país? Pretende voltar ao Brasil? O mercado em Portugal costuma valorizar mais os atores?

Não pretendo voltar ao Brasil, meus filhos estão bem adaptados, também estou bem estabelecido aqui. A princípio não me vejo saindo de Portugal tão cedo.

Mas sei que o mercado de trabalho aqui é muito pequeno para ator, sei que esse desafio será maior aqui do que no Brasil, mas estou estável financeiramente com os meus outros negócios.

De Portugal você anunciou a nova carreira de corretor de imóveis. Como surgiu essa oportunidade?

Entrei neste mundo de corretagem de alto luxo por meio de um amigo que já trabalhava na “The Agency” (agência conhecida por fazer parte do reality show "Os Corretores de Beverly Hills”, disponível na Netflix).

Esse meu amigo já era corretor da agência quando eu visitei um apartamento acompanhando um outro amigo meu. Cheguei a conseguir três apartamentos para amigos sem monetizar, e foi assim que esse corretor me convidou para entrar neste mundo.

Encarei o convite como um desafio e estou muito feliz, porque posso trabalhar com essa parte de vendas, sem deixar de lado a minha carreira de ator.

Atualmente, um corretor ganha 7,5% do valor do imóvel vendido, que costuma custar a partir de 2,5 milhões de euros nesta agência.

Com diferentes trabalhos (ator, empresário e corretor), como consegue manter a saúde mental? Chegou a ter algum episódio de burnout em sua carreira?

Nunca tive episódios de burnout em minha carreira, graças a Deus, apesar de em muitos momentos a demanda ter ficado excessiva. Costumo manter a minha saúde mental me relacionando com a minha família e com o lado espiritual que eu cultivo bastante.

Chegou a se arrepender de fazer algo em sua carreira?

Não me arrependo de ter feito qualquer coisa na minha carreira. Já tive trabalhos ruins, como personagens fracos, mas no final eles fizeram parte do meu amadurecimento como ator e pessoa.

Quais lições de carreira você gostaria de passar para quem deseja viver e trabalhar em outro país como ator?

A pessoa tem que ter vocação para trabalhar como ator e, assim como empreender, é preciso ter muita paciência e resiliência, porque é um tipo de profissão que poucos conquistam o topo da carreira, a grande maioria são pessoas trabalhadoras, mas que não tem tantas oportunidades.

No final, tem que ter muita resiliência e amar muito o que faz.

Qual foi a sua inspiração como ator?

Minha inspiração sempre foi Charlie Chaplin, pela capacidade que ele tinha de emocionar as pessoas sem palavras.

Tem algum projeto como ator no Brasil ou em Portugal previsto para os próximos meses?

A princípio não tenho projetos para atuar. Estou voltado agora ao trabalho de corretagem, que está tendo uma chuva de demandas neste momento, mas sigo aberto às grandes oportunidades que essas três carreiras podem me oferecer.

Acompanhe tudo sobre:flexibilidade-no-trabalhofuturo-do-trabalhoMudança de emprego

Mais de Carreira

Veja 6 estratégias essenciais para empreender no Brasil, segundo o treinador Bernardinho

Da roça para Paris: a história inspiradora do atleta “Maranhão” que irá disputar as Olimpíadas

De estilista a presidente: os 4 passos para alcançar o sucesso, segundo a CEO do Grupo Malwee

Arteris investe em educação corporativa para lidar com desafios de diversidade geracional

Mais na Exame