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O que o acordo entre União Europeia e Mercosul representa para a economia global

Para o Brasil o acordo significa acesso ampliado a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores

Acordo tende a favorecer eficiência e padronização tecnológica entre os dois blocos, além de reduzir custos logísticos (iStock/Getty Images)

Acordo tende a favorecer eficiência e padronização tecnológica entre os dois blocos, além de reduzir custos logísticos (iStock/Getty Images)

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Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 20h58.

Após mais de duas décadas de negociações, a aprovação provisória do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul abre caminho para a criação da maior área de livre comércio do mundo. O tratado prevê a redução gradual de tarifas, a ampliação de cotas agrícolas e regras comuns para bens industriais, investimentos e padrões regulatórios, com impactos que extrapolam o agronegócio e alcançam cadeias produtivas estratégicas da economia global.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo representa acesso ampliado a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores. Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), os efeitos mais relevantes aparecem no médio e longo prazo. “A parceria tende a fortalecer as cadeias de suprimentos, elevar o fluxo de investimentos e impulsionar a uniformização de padrões produtivos e tecnológicos, estimulados pela concorrência entre os blocos”, avalia.

Rockenmeyer destaca que os ganhos não se restringem ao setor primário. “Segmentos industriais brasileiros com maior competitividade, como o têxtil e o calçadista, podem se beneficiar de forma significativa com a abertura do mercado europeu”, diz. 

Do lado europeu, o acordo amplia o acesso a um mercado relevante do ponto de vista de consumo e investimento, além de contribuir para a redução de custos logísticos. “A proximidade relativa entre os blocos, quando comparada à China ou aos Estados Unidos, favorece ganhos de eficiência e padronização tecnológica”, acrescenta.

Demanda global

Na avaliação de José Luiz Pagnussat, conselheiro federal do Conselho Federal de Economia (Cofecon), o principal efeito econômico do acordo está na ampliação do comércio. “O tratado destrava restrições históricas a diversos produtos do Mercosul. Mesmo com limites quantitativos, a abertura permite que uma maior diversidade de produtos seja avaliada e credenciada no mercado europeu”, afirma. 

Para ele, a tendência é de adaptação gradual ao perfil do consumidor europeu, fortalecendo a capacidade de resposta a uma demanda global cada vez mais instável, afetada por fatores climáticos e geopolíticos.

O acordo também é visto como uma ferramenta de diversificação em um cenário de tensões comerciais globais. Embora a União Europeia busque reduzir vulnerabilidades em cadeias estratégicas, Pagnussat pondera que a dependência europeia em relação à China não será substituída de forma abrupta. 

“O mercado chinês continuará sendo central para o Mercosul, especialmente em alimentos e recursos naturais. Ainda assim, a Europa ganha novos canais de abastecimento, o que reduz riscos e amplia sua segurança econômica”, reforça o conselheiro.

As resistências ao tratado, concentradas sobretudo em países como França e Irlanda, têm forte componente setorial. “Produtores europeus menos competitivos pressionam seus governos por proteção. Trata-se menos de um debate macroeconômico e mais de defesa de interesses específicos”, avalia Pagnussat. 

Rockenmeyer acrescenta que a não implementação do acordo geraria custos relevantes. “Perdem-se oportunidades de crescimento, há encarecimento das cadeias logísticas e redução do potencial de aumento de renda e do PIB nos dois blocos”, pondera.

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