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‘Reputação é impulsionada pelo que você faz, e não pelo que diz’, afirma Roger Fisk

No RepCast da FSB Holding, o estrategista de Barack Obama detalha como a clareza de valores, a cultura da curiosidade e a capacidade de ouvir sustentam as lideranças no século XXI

Roger Fisk destaca a importância da autenticidade e da escuta na liderança contemporânea (RepCast / YouTube/Reprodução)

Roger Fisk destaca a importância da autenticidade e da escuta na liderança contemporânea (RepCast / YouTube/Reprodução)

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Publicado em 25 de abril de 2026 às 07h00.

A construção de grandes legados e marcas, na visão de Roger Fisk, exige alinhar valores inegociáveis à cultura diária de uma organização.

Em entrevista ao RepCast, videocast da FSB Holding, o estrategista político Roger Fisk, que atuou nas campanhas e no governo de Barack Obama, apresenta sua visão sobre liderança corporativa e pública. Para ele, a reputação se constrói no cotidiano, baseada na autenticidade e no compromisso genuíno com as pessoas.

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O teste da folha em branco: Valores em ação

Para Fisk, a reputação e a cultura de uma empresa andam necessariamente juntas e argumenta que líderes - sejam CEOs ou governantes - precisam começar com um teste da "folha de papel em branco".

O objetivo é responder com clareza: quem eles são e por que estão fazendo aquele trabalho?. Essa clareza é vital porque vivemos em um mundo que acredita erroneamente que a percepção pública é ditada pelo discurso.

"As percepções são realmente impulsionadas pelo que você faz", afirma o estrategista político Roger Fisk.

Uma organização forte é aquela que funciona como um amplificador diário de seus valores, refletindo sua essência na forma como contrata, integra seus times e opera todos os dias.

O foco inegociável no indivíduo

Apesar das inovações tecnológicas e estratégias complexas, Roger não perde de vista o coração de qualquer comunicação de sucesso: a pessoa.

Ainda critica a postura de organizações que se fecham em uma "bolha" focando apenas no produto ou na política, e defende que o processo seja inverso: deve-se começar pelo indivíduo e trabalhar de trás para frente.

Fisk é pragmático ao lembrar que, na atual "economia da atenção", discursos institucionais vazios não funcionam. Para engajar de verdade, é preciso humanizar a mensagem.

Em vez de despejar dados sobre bilhões de dólares para modernizar uma rede elétrica, a abordagem mais eficaz e humilde é questionar o impacto real na vida das pessoas: "O que acontece com um bebê que está em um respirador quando a energia acaba em um hospital rural à meia-noite?".

Curiosidade como chave para adaptação

Ao abordar os desafios do mercado atual, Fisk rejeita a visão de líderes baseada na arrogância de ter todas as respostas.

Para ele, "a certeza está muito, muito enraizada no século XX", enquanto "a curiosidade é a chave para o século XXI".

A lógica é clara: uma cultura enraizada na certeza, que determina as coisas trancada em uma sala de conferências, inevitavelmente falhará.

Por outro lado, construir uma cultura organizacional em que as pessoas são incentivadas a fazer perguntas garante que a empresa consiga se adaptar e prosperar diante de disrupções, sejam elas crises globais ou o avanço da Inteligência Artificial.

Autenticidade e os riscos da IA

Outro ponto de destaque da entrevista é a forma como os líderes devem lidar com as novas tecnologias.

Fisk enxerga o poder da Inteligência Artificial para dados e segmentação (o "como"), mas faz um alerta rigoroso para que ela não seja usada para definir os valores ou a mensagem do líder (o "o quê").

Segundo o estrategista, criar uma voz gerada por Inteligência Artificial que não seja autêntica é um erro fatal.

Essa prática inevitavelmente criará uma ruptura entre o que a organização diz ser e quem ela realmente é nos bastidores.

"Essa ruptura pode muito bem ser o fim de sua carreira", reflete Fisk, ressaltando que o maior ativo de longo prazo de qualquer líder é a autenticidade de sua voz.

A reputação nas pequenas atitudes

Ao final da entrevista, a mensagem de Roger Fisk converge para um ponto central: a reputação de marca pode ser medida nas pequenas atitudes.

Ele relata que, ao chegar cedo a compromissos e observar por dez minutos uma sala de espera o ensina mais sobre a liderança daquela empresa do que qualquer apresentação de slides, bastando ver se os funcionários são corteses e otimistas uns com os outros.

Para ele, em uma palavra, reputação de marca é "ouvir".

A diferença fundamental entre campanhas e marcas que se destacam e as que ficam pelo caminho está na mudança de postura.

As medianas costumam apenas "dizer" às pessoas o que fazer, enquanto as organizações excepcionais lhes "perguntam".

Para líderes do setor privado e público, o recado é claro: em um mercado implacável, a verdadeira influência exige consistência, ações verdadeiras e a genuína vontade de escutar o outro.

 

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