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(Rohane Hamilton/Shutterstock)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 06h01.
Programar virou verbo de conversa. Em vez de abrir um editor de código e escrever linha por linha, uma fatia crescente de brasileiros está simplesmente pedindo para a inteligência artificial (IA) fazer o trabalho — e depois discutindo o resultado com ela até ficar bom.
Segundo a Locaweb, empresa de hospedagem de sites e infraestrutura digital, que cobre o período de julho de 2025 a julho de 2026, buscas no Google relacionadas ao termo "vibe coding" cresceram 124% no Brasil nos últimos 12 meses, somando mais de 360 mil pesquisas em todas as regiões do país.
Dados exclusivos enviados à EXAME mostram que o interesse vai além do termo específico: "melhor IA para programar" somou 46,2 mil buscas no mesmo período, "low code" chegou a 45,6 mil, "IA de programação" registrou 19,9 mil, e "o que é low code" somou 6.520.
O termo "vibe coding" descreve uma forma de programar em que a IA transforma instruções em linguagem natural em código.
O desenvolvedor descreve o problema, avalia a resposta gerada, devolve eventuais erros e repete o ciclo até chegar ao resultado esperado — processo mais próximo de uma conversa do que da escrita tradicional de software.
A dúvida mais buscada é a mais básica, de acordo com a Locaweb.
"O que é vibe coding?" cresceu 313% no período — sinal de que boa parte do interesse vem de gente sem experiência prévia em programação, não só de desenvolvedores.
Não é só curiosidade de leigo. Em 2025, a pesquisa anual Stack Overflow Developer Survey ouviu centenas de desenvolvedores e encontrou 84% afirmando usar ou pretender adotar ferramentas de IA no trabalho — alta em relação aos 76% da edição anterior.
A pressão também vem do mercado: equipes de TI cada vez menores precisam atender à demanda crescente.
Entre as ferramentas, o Claude, da Anthropic, lidera com folga: 1.567% de crescimento nas buscas, ultrapassando 13,8 milhões de pesquisas no período — mais que o dobro de qualquer concorrente na lista.
Atrás dele vêm Lovable (4,4 milhões de buscas), Google AI Studio (3,9 milhões), Base44 (1,93 milhão), n8n (1,92 milhão), Supabase (1,3 milhão), Cursor (1,1 milhão) e Google Antigravity (826 mil).
A distância do Claude para o segundo colocado é grande, mas o ranking mostra um ecossistema fragmentado: nenhuma ferramenta domina sozinha, e o interesse se espalha por oito plataformas diferentes com propostas distintas — da automação de fluxos (n8n) ao banco de dados (Supabase).
Os dados exclusivos sobre low code sugerem que o interesse do brasileiro não se limita ao vibe coding especificamente.
Low code é a abordagem de desenvolvimento que reduz a necessidade de escrever código por meio de interfaces visuais e blocos pré-configurados — um caminho paralelo ao da IA generativa, mas com o mesmo objetivo final: baixar a barreira técnica para criar software.
As buscas por "melhor IA para programar" e "IA de programação" reforçam esse padrão: o brasileiro não está atrás de uma ferramenta específica, mas de qualquer caminho que prometa tirar uma ideia do papel sem precisar dominar uma linguagem de programação.
Apesar da automação, a supervisão humana continua central. O usuário precisa revisar o código gerado, rodar testes e validar se a solução atende ao que o projeto pede — a IA acelera e sugere caminhos, mas a qualidade final ainda depende de quem conduz o processo.
Não existe, segundo o levantamento, uma ferramenta única considerada a melhor para vibe coding: a escolha varia conforme o objetivo do usuário e o tipo de projeto.
"A popularização do vibe coding não é só uma mudança na forma de programar, mas também um salto na demanda por infraestrutura. Cada aplicação gerada por IA precisa rodar em algum lugar, com nuvem escalável, deploy ágil e capacidade computacional sob demanda", afirma Patrice Ramos, diretor de produtos e engenharia da Locaweb.
A busca por "cursos de vibe coding" cresceu 256% no período. O conteúdo costuma ensinar técnicas de uso de modelos de linguagem para programar mais rápido — com ênfase em como escrever bons prompts, informando linguagem, formato de dados, comportamento esperado e critérios de validação.
"Mais do que acompanhar uma tendência, o avanço do vibe coding mostra que estamos entrando em uma nova etapa do desenvolvimento de software, em que a criatividade, inteligência artificial e infraestrutura caminham juntas", diz Ramos.